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A reportagem de capa sobre criatividade ("A idéia que mudou a minha
vida", 30 de abril) prova mais uma vez a excelência de VEJA em abordar
temas tão diversos. Considero-me um profissional criativo, valorizando
e estimulando a criatividade no ambiente de trabalho. A força da
criatividade não está apenas no diferencial competitivo
que ela confere às empresas, mas principalmente no sentido pleno
de viver que ela confere às pessoas. Criatividade
é a mola propulsora do pensar e do agir. Sem ela, não teríamos
os estrondosos avanços nas mais diversas áreas da ciência
e da tecnologia. Palavras como ousadia e inovação são
o que não falta no dicionário dos empreendedores e atores
sociais. Manter-se ativo, com olhos para o futuro, criando constantemente,
é o que preserva nossa existência! Criatividade.
Arma dos brasileiros, utilizada há décadas, para o enfrentamento
das sucessivas crises e a superação das dificuldades. Mais
uma vez, VEJA nos presta um excelente serviço com a reportagem
"A idéia que mudou a minha vida". Graças a matérias
como essa, que servem de espoleta para os leitores, venho utilizando desde
2002 o livro Você Já Sabe o que Fazer, de Sharon Franquemont
("O mundo é dos visionários", Amarelas, 29 de maio de 2002),
que fala do desenvolvimento de outro tipo de inteligência: a intuitiva
-- como forma mais criativa além da analítica. "Quem só
tem conhecimento será substituído pelas máquinas.
O mercado precisa de pessoas que saibam pensar, que tenham imaginação",
digo a meus alunos desde então. Aqueles
que souberem ousar terão uma vida prestigiada, um nome cultuado
na história. Por isso, que vençam os melhores! A
mente humana é capaz de coisas incríveis. Como criar a VEJA,
por exemplo.
Excelente a entrevista com Scott Turow (Amarelas, 30 de abril). Para quem
já conhece e admira sua obra literária, vê-lo discorrer
com tanta propriedade sobre as mazelas da Justiça americana é
uma oportunidade ímpar, principalmente neste momento em que se
discutem os entraves da Justiça brasileira. Sou
estudante de direito da Faculdade de Imperatriz, e em nosso aprendizado
fica claro que leis como a pena de morte só levam o homem de volta
ao estado da natureza. Infelizmente sabemos que no Brasil ainda existem
juristas que defendem a implantação da pena de morte. Gostaria
de conhecer o pensamento do Judiciário e dos legisladores sobre
o fato. Sou
contra a pena de morte pela razão primeira de ser, ela, inaplicável.
Há, porém, fatos que provam ser falsa a afirmação
de que ela não reduz a delinqüência. Exemplo: os seguidores
da deusa Cáli matavam sempre que tinham oportunidade de fazê-lo
porque, afirmavam, sua divindade tal determinava. O governador britânico
da Índia ordenou: "Enforquem todos os que matarem". Depois que
o número de executados chegou a 400, os fanáticos pararam
de matar: a deidade mudou de doutrina.
Que alívio ler que o presidente Lula não concorda que o
Brasil seja "coitadinho" e só precise de ajuda ("Mudança
cultural", Carta ao leitor, 30 de abril). Toda a população
brasileira deve ajudá-lo a tocar o país para a frente. O
Brasil é grande e tem riquezas suficientes para não ser
chamado de Terceiro Mundo. Só tem de se livrar de algumas leis
antigas e ultrapassadas que emperram o desenvolvimento.
Após a brilhante abordagem de Luiz Felipe de Alencastro ("O novo
cristianismo", Ponto de vista, 30 de abril), pergunto: religião
é necessidade do espírito ou produto enganoso à venda
no mercado das populações menos esclarecidas? Respondo:
ambos! O
professor Alencastro critica idéias do americano Philip Jenkins,
que anuncia o conflito entre o suposto cristianismo liberal e tolerante
do Hemisfério Norte e o cristianismo dogmático e supersticioso
do Hemisfério Sul. Convém lembrar que no país de
Jenkins se encontra o Bible Belt (Cinturão da Bíblia), região
onde fundamentalistas apregoam que o mundo foi criado em seis dias e proíbem
o ensino da teoria da evolução nas escolas públicas.
Inquestionavelmente, necessitamos formar mão-de-obra qualificada
para as empresas de turismo brasileiras, em face do excepcional potencial
existente nessa área em nosso país. Para tanto, temos de
preparar nossos jovens estudantes do ensino médio e superior, com
a concessão de estágios e treinamento nessas organizações,
públicas ou privadas ("O próximo jogo econômico",
Ponto de vista, 23 de abril).
Faltou acrescentar na nota "A fratura do ministro" (Contexto, 30 de abril)
o ingrediente mais perigoso ao sedentário que se torna o atleta
de fim de semana: o excesso de peso corporal, que, sustentado por ossos
mais fracos, músculos menos resistentes e articulações
frágeis, provoca esse tipo de contusão, provavelmente o
motivo da fratura de tornozelo do ministro Palocci.
Dori Caymmi, meu caro, não há submúsica; há
apenas música e diluição (Veja essa, 30 de abril).
E você (como eles) é um diluidor mais qualificado, apenas.
Portanto, desça desse seu pedestal e assuma que na chamada "música"
popular é tudo igual, desde o sertanejo até a sua performance
instrumental. Só difere mesmo o consumidor.
Não sei como um ser humano conseguia ser tão animal para
chegar ao ponto de cortar orelhas, línguas e torturar pessoas na
frente de seus parentes. Tudo por causa de motivos fúteis e banais
("O horror dos porões de Saddam", 30 de abril).
Gostaria de felicitar VEJA pela reportagem com o gênio de 13 anos,
o americano Gregory Robert Smith ("O gênio da vez", 30 de abril).
Essa reportagem me fez lembrar de um sonho que nutri quando criança:
ser um prodígio. Mas, infelizmente, nem todos são abençoados
com tal capacidade.
O resultado da pesquisa finlandesa sobre o câncer de mama ("A doença
da tristeza", 30 de abril) não causou nenhuma surpresa, principalmente
a nós, médicos que estudamos acupuntura e medicina tradicional
chinesa. Há quase 5.000 anos já se sabe que emoções
reprimidas são potenciais causadores de tumores (benignos ou malignos),
e não somente na mama. A medicina ocidental vira-se para um lado
que até então era chamado de alternativo. Agora, a medicina
preventiva ocidental terá novos parâmetros na sua atuação. Já
vivi a experiência de um câncer de mama e acredito que a reportagem
"A doença da tristeza" traduz o que muitas mulheres que convivem
comigo passaram. Faço parte da Associação das Amigas
da Mama, que apóia mulheres com vivência em câncer
de mama e que realiza trabalho de orientação sobre a importância
do auto-exame e da mamografia. Dentre nossas ações procuramos
mostrar a outras mulheres que, apesar do câncer, não perdemos
a alegria de viver. Que nossa vida é vivida intensamente e com
muito prazer. Procuramos não nos deixar abater com a quimioterapia
e a radioterapia, porque entendemos que são a busca de nossa cura.
No dia 14 de maio, em Curitiba, no Hotel Sheraton, desfilaremos com roupas
e jóias de lojas locais. Participam mulheres em tratamento, pós-tratamento,
com cabelo e até as nossas "carequinhas". Isto é um exemplo
de vida e de garra.
No dia 28 de abril, a segunda maior megalópole do país acordou
com uma esperança. Citando o ditado, "a esperança é
a última que não morre". Toma posse o novo secretário
de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. O povo
tem fé e acredita que o Rio voltará a ser a Cidade Maravilhosa
("Rosinha chama o maridão", 30 de abril). Três
palavras explicam a caótica situação da segurança
pública no Rio de Janeiro: omissão, corrupção
e incompetência. Aliás, também servem para explicar
quase todas as mazelas da administração pública brasileira.
Um país que convive com o trabalho escravo e com a exploração
do trabalho infantil (segundo o IBGE, 48,6% de um total de 5,5 milhões
de crianças com idade entre 5 e 17 anos que trabalhavam em 2001
nem sequer recebiam uma remuneração) não se pode
dar ao "luxo" de "eliminar" a Justiça do Trabalho. Por outro lado,
a absorção da Justiça do Trabalho pela Justiça
(federal) comum seria impraticável, dado ser aquela maior que esta.
Além disso, a especialização é sempre desejável,
quando se busca o aprimoramento e a celeridade na entrega da prestação
jurisdicional ("Ordem no tribunal!", 30 de abril). Até
que enfim um órgão da grande imprensa publicou reportagem
esclarecedora sobre um tema delicado como o Poder Judiciário. Uma
verdadeira aula. Não buscou agradar ao "senso comum", que, como
o presidente Lula, não entende da distribuição das
atribuições dos três poderes, ignorando que é
o Legislativo que elabora as leis que regulam a celeridade dos feitos
judiciais. Parabéns ao jornalista Alexandre Secco.
O presidente Lula, ao se referir com coragem e lucidez à "caixa-preta"
que é o Judiciário, prestou inestimável serviço
à Justiça e ao direito pátrios. Vive-se hoje, em
índices crescentes, o drama da agressão à lei exatamente
por aqueles que deveriam zelar por sua aplicação. Nossas
prisões estão atulhadas de inocentes e nem mesmo condições
de animais são garantidas. E tudo, no mais das vezes, sob a proteção
da "toga preta", como alguns poucos da mídia têm mostrado.
É
difícil agüentar um partido que sempre lutou por causas justas,
por um Brasil melhor, totalmente perdido sobre como fazer a bendita reforma
previdenciária. Que Lula e o resto do "time" ajam com criatividade
para sair dessa ("No ringue, PT contra PT", 30 de abril)! Quero
cumprimentar VEJA pela excelente reportagem sobre a reforma da Previdência.
Mostrou vários aspectos de forma resumida e clara. Estou cursando
a disciplina de direito previdenciário e tenho de fazer um trabalho
justamente sobre a reforma. A reportagem veio em hora certa. Já
recomendei o site da revista a meus colegas de classe.
Em relação à nota "O açaí sob suspeita"
(Guia, 2 de abril), esclarecemos que, junto com outros colaboradores,
publicamos na revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical um
resumo com o título "O açaí como provável
veículo de transmissão da doença de Chagas: relato
de caso". Por um lamentável engano, não foram mencionados
os nomes dos pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, liderados pelo
doutor Aldo Valente. Somente o Instituto Evandro Chagas, laboratório
de referência macrorregional para os estudos dessa enfermidade na
região, vem realizando de forma pioneira pesquisas de viabilidade
desse inusitado mecanismo alternativo de transmissão.
Será muito fácil convencer os gringos a visitar um país
onde o povo é alegre, simpático, hospitaleiro e faz de tudo
para agradar. Apesar da pobreza e da violência, todos têm
sempre um sorriso estampado no rosto e um motivo para comemorar, seja
pelo resultado do futebol, seja pelo Carnaval. Há alta criminalidade,
mas não medo de atentados terroristas ("Apesar da língua
negra", Radar, 30 de abril).
Está-se desenhando que o grande legado do governo Lula será
sepultar a velha esquerda, enfadonha com seu discurso retrógrado
e corporativista, em que as pessoas não têm acesso ao novo,
chamado por ela de neoliberalismo. Lula, com seu diploma de vida, está
dando lições sem precisar ter feito cursos em Princeton,
Estados Unidos, nem na Universidade Patrice Lumumba, na Rússia.
A matemática é uma só nos quatro cantos do mundo.
Em frente, Brasil ("Matemática e neoliberalismo", 30 de abril).
Uma coisa é a crítica contundente contra as políticas
de segurança equivocadas que têm prevalecido em nosso Estado.
Outra bastante diferente é criticar, sem conhecer, iniciativas
louváveis como o seminário "Hip hop na linha de frente contra
o tabaco", apoiado não somente pelo movimento Viva Rio como também
pela ONG Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), com a promoção
da Organização Mundial da Saúde (OMS) ("Garotinho,
o poligonal", 30 de abril).
Nem sempre o universo em preto-e-branco, tão querido de analistas
curtos, é capaz de captar todas as dimensões de um fato.
O texto "A ilha de todos os descaminhos" (Ensaio, 30 de abril) é
um excelente exemplo de que a realidade, quando menos se espera, pode
revelar contradições inusitadas. Só uma perspectiva
crítica e desapaixonada, fato raro quando se discute a pequena
ilha de Cuba, é capaz de desvendar o que se esconde por trás
dos olhares apressados.
A cada semana o amigo Arc se decepciona com a nossa realidade. Bem que
ele poderia ficar longe dessa confusão e voltar tranqüilo
para Marte. Claro, sem se esquecer de mandar seus comentários para
VEJA.
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