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Edição 1 801 - 7 de maio de 2003
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Caminhada histórica


Ed Ferreira/AE
Lula entrega o texto das reformas ao Congresso

Uma rara conjunção de fatores positivos brindou o Brasil na semana passada. Com 120 dias no Planalto, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva produziu e entregou ao Congresso Nacional os textos das reformas da Previdência e tributária, ambas essenciais para diminuir as fragilidades internas da economia brasileira e a vulnerabilidade do país às crises externas. À frente dos governadores de todos os Estados do Brasil, Lula encabeçou uma caminhada histórica que terminou diante do Congresso, onde os textos foram recebidos pelas lideranças parlamentares. Se a tramitação das reformas no Parlamento corresponder em grandeza e atendimento dos interesses nacionais ao simbolismo da marcha liderada por Lula na semana passada, os brasileiros terão razões reais para esperar um futuro melhor.

Com as dívidas interna e externa classificadas como as maiores entre os países emergentes, o Brasil é suscetível aos desequilíbrios domésticos da economia e vem há anos se empobrecendo a cada choque externo. O mais recente, cujos efeitos se fizeram sentir no decorrer dos dois últimos anos, custou aos brasileiros 10% do produto interno bruto (PIB). Como meta final, o que se espera das reformas é que fortaleçam as finanças públicas, produzam um Estado menos faminto de impostos e garantam à maioria dos brasileiros a tranqüilidade necessária para usufruir a riqueza que eles produzem com seu trabalho. Essa grandiosa e complexa tarefa está agora nas mãos dos deputados e senadores. Espera-se que eles se desincumbam dela com a clareza de propósitos que norteou o Executivo ao propor as reformas.

Para coroar uma semana muito boa em Brasília, os dados mais recentes sobre o esforço de ajuste financeiro promovido pelo governo e pago pela sociedade são animadores. O dólar recuou de suas cotações estratosféricas para um patamar em que alivia o serviço da dívida pública e, ao mesmo tempo, não compromete a lucratividade das exportações. Os números sobre o crescimento das vendas externas, combinados com a economia de gastos feita por Brasília, colocaram o Brasil de novo no jogo econômico mundial como um país promissor. A urgência agora é transformar a maré positiva em benefícios para os brasileiros.

 
 
   
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