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Caminhada histórica
Ed Ferreira/AE
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| Lula
entrega o texto das reformas ao Congresso |
Uma rara
conjunção de fatores positivos brindou o Brasil na semana
passada. Com 120 dias no Planalto, o governo de Luiz Inácio Lula
da Silva produziu e entregou ao Congresso Nacional os textos das reformas
da Previdência e tributária, ambas essenciais para diminuir
as fragilidades internas da economia brasileira e a vulnerabilidade do
país às crises externas. À frente dos governadores
de todos os Estados do Brasil, Lula encabeçou uma caminhada histórica
que terminou diante do Congresso, onde os textos foram recebidos pelas
lideranças parlamentares. Se a tramitação das reformas
no Parlamento corresponder em grandeza e atendimento dos interesses nacionais
ao simbolismo da marcha liderada por Lula na semana passada, os brasileiros
terão razões reais para esperar um futuro melhor.
Com as dívidas
interna e externa classificadas como as maiores entre os países
emergentes, o Brasil é suscetível aos desequilíbrios
domésticos da economia e vem há anos se empobrecendo a cada
choque externo. O mais recente, cujos efeitos se fizeram sentir no decorrer
dos dois últimos anos, custou aos brasileiros 10% do produto interno
bruto (PIB). Como meta final, o que se espera das reformas é que
fortaleçam as finanças públicas, produzam um Estado
menos faminto de impostos e garantam à maioria dos brasileiros
a tranqüilidade necessária para usufruir a riqueza que eles
produzem com seu trabalho. Essa grandiosa e complexa tarefa está
agora nas mãos dos deputados e senadores. Espera-se que eles se
desincumbam dela com a clareza de propósitos que norteou o Executivo
ao propor as reformas.
Para coroar
uma semana muito boa em Brasília, os dados mais recentes sobre
o esforço de ajuste financeiro promovido pelo governo e pago pela
sociedade são animadores. O dólar recuou de suas cotações
estratosféricas para um patamar em que alivia o serviço
da dívida pública e, ao mesmo tempo, não compromete
a lucratividade das exportações. Os números sobre
o crescimento das vendas externas, combinados com a economia de gastos
feita por Brasília, colocaram o Brasil de novo no jogo econômico
mundial como um país promissor. A urgência agora é
transformar a maré positiva em benefícios para os brasileiros.
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