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• Televisão: A volta do foco na família nos seriados americanosEntrevista: Aécio Neves“Tenho orgulho de ser político”O tucano Aécio Neves
confirma que concorrerá ao Senado,
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Carlos
Rhienck/Jornal em Dia ![]() |
"É
preciso implantar a meritocracia na administração federal, e o PT simplesmente não quer, não sabe e não pode fazê-lo" |
Em
obediência à lei eleitoral que requer a desincompatibilização de políticos em
posições executivas que pretendem concorrer nas próximas eleições, o ex-governador
de Minas Gerais, Aécio Neves, de 50 anos recém-completados, passou, na última
semana, o cargo a seu vice, Antonio Anastasia. Aécio saiu com 92% de aprovação
da população mineira. A marca impressionante é resultado da administração de um
governador que apostou tudo na meritocracia e, com ela, melhorou bastante todos
os indicadores sociais, econômicos e educacionais do seu estado. Essa quase unanimidade
em um colégio eleitoral de 14 milhões de votos faz dele o vice dos sonhos do candidato
do PSDB ao Planalto, o governador paulista José Serra. Mas Aécio acredita que
ajuda mais como candidato ao Senado por Minas Gerais. Disse Aécio a VEJA: “A aprovação
do meu governo é a prova maior de que os resultados de uma gestão eficiente se
impõem sobre o messianismo da era Lula”.
A
que exatamente a população deu a aprovação de 92%?
As pessoas sabem o que
é bom para elas, sua família, sua cidade, seu estado e seu país. A aprovação vem
naturalmente quando elas percebem que a ação do governo está produzindo professores
que ensinam, alunos que aprendem, policiais que diminuem o número de crimes e
postos de saúde que funcionam. Quando você faz um choque de gestão e entrega bons
resultados ano após ano, não há politicagem que atrapalhe a percepção de
melhora por parte da população. Quem tem 92% de aprovação está sendo bem avaliado
por todo tipo de eleitor, até entre os petistas.
Os
eleitores entendem o conceito de “choque de gestão”?
Quase todo mundo percebe
quando a política está sendo exercida como uma atividade nobre, sem mesquinharias,
com transparência e produzindo resultados práticos positivos. A política, em si,
é a mais digna das atividades que um cidadão possa exercer. Os gregos diziam que
a política é a amizade entre vizinhos. Quando traduzimos para hoje, estamos falando
de estados, municípios e da capacidade de construir, a partir de alianças,
o bem comum. Vou lutar por reformas que possam tornar a política de novo atraente para as pessoas de bem, que façam dessa atividade, hoje vista com suspeita,
um trabalho empenhado na elevação dos padrões materiais, sociais e culturais da
maioria. É assim que vamos empurrar os piores para fora do espaço político. Não
existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão.
A
máquina do serviço público é historicamente pouco eficiente. Como o senhor fez
para mudar essa realidade?
Nós estabelecemos metas para todos os servidores, dos
professores aos policiais. E 100% deles passaram a receber uma remuneração extra
sempre que atingissem as metas acordadas. O governo começou a funcionar como se
fosse uma empresa. Os resultados apareceram com uma rapidez impressionante. A
mortalidade infantil em Minas caiu mais do que em qualquer outro estado, a desnutrição
infantil das regiões mais pobres chegou perto do patamar das regiões mais ricas,
todas as cidades do estado agora são ligadas por asfalto, a energia elétrica
foi levada a todas as comunidades rurais e mesmo as mais pobres passaram a ter
saneamento. Na segurança pública conseguimos avanços notáveis com a efetiva diminuição
de todos os tipos de crime.
O desafio
do PT sobre comparação de resultados de governos, então, lhe conviria?
Gostaria
muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com
o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade.
Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados
das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações.
Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso
significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente
filiadas ao partido político. O aparelhamento do estado que vemos no governo federal
é um mal que precisa ser
erradicado.
Quais
são as chances de o senhor ser candidato a vice-presidente da República na
chapa de José Serra?
Serei candidato ao Senado. Eu tenho a convicção de que
a melhor forma de ajudar na vitória do candidato do meu partido, o governador
José Serra, é fazer nossa campanha em Minas Gerais. Eu respeito, mas divirjo da
análise de que a minha presença na chapa garantiria um resultado positivo para
o governador Serra. Isso não é verdade. Talvez criasse um fato político efêmero,
que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em
candidato a vice-presidente.
Nas
últimas eleições, quem venceu em Minas venceu também a eleição presidencial. Acontecerá
o mesmo neste ano?
Espero que sim, e acho que o governador Serra tem todas as
condições para vencer em Minas Gerais e no Brasil. Eu vou me esforçar para ajudá-lo,
repito, porque tenho um compromisso com o país que está acima de qualquer projeto
pessoal. Esse compromisso inclui trabalhar para encerrar o ciclo de governo petista.
Lula teve muitas virtudes. A primeira delas, aliás, foi não alterar a política
econômica do PSDB. Ele fez bons programas sociais? Claro, é um fato. Mas o desafio
agora é fazer o Brasil avançar muito mais, e é isso que nosso presidente fará.
A
ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, tem dito que o
presidente Lula reinventou o país. Esse é um exemplo de discurso messiânico?
Sem
dúvida. Se um extraterrestre pousasse sua nave no Brasil e ficasse por aqui durante
uma semana sem conversar com ninguém, só vendo televisão, ele acharia que o Brasil
foi descoberto em 2003 e que tudo o que existe de bom foi feito pelas pessoas
que estão no governo atual. Os brasileiros sabem que isso é um discurso vazio.
Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse havido, antes, os
governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Itamar Franco. Sem o
alicerce do Plano Real, nada poderia ter sido construído.
A
ministra Dilma cresceu nas pesquisas e viabilizou-se como candidata competitiva.
Isso preocupa o PSDB?
A ministra Dilma chegou ao piso esperado para um candidato
do PT, qualquer que fosse ele. A partir de agora, ela terá de contar com a capacidade
do presidente Lula de lhe transferir votos. Mas o confronto olho no olho com o
governador Serra vai ser muito difícil para ela.
Na
sua opinião, como será o tom da campanha presidencial?
Acho que, em primeiro lugar, a
candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio
partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de
ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era
a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no
presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que
contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo
maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse
do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral.
Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando
o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de
instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união
nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que
não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a
estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente
Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando
chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?
Qual é o seu
palpite?
Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo
eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha,
a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas
democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao
Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização,
que defende uma política externa meramente ideológica, que faz gestos muitos vigorosos
no sentido de coibir a liberdade de expressão.
E
o PSDB, falará de quê?
Nosso maior tema será lembrar aos brasileiros que somos
a matriz de todos os avanços sociais e econômicos do Brasil contemporâneo. Nós
temos legitimidade para dizer que somos parte integrante do que aconteceu de bom
no Brasil até agora. Se hoje o país está numa situação melhor, foi porque
nós tivemos uma participação decisiva nesse processo. Houve a alternância
do poder, que é natural e saudável, mas está na hora de o PSDB voltar ao
poder. Está na hora de o país ter um governo capaz de fazer a máquina pública
federal funcionar sem aparelhamento. É preciso implantar a meritocracia na
administração federal, e o PT simplesmente
não quer, não sabe e não pode
fazê-lo. Às promessas falsas, ao messianismo, aos insultos pessoais, aos ataques
de palanque, vamos contrapor nossos resultados nos estados e a receita de como
obtê-los também no nível federal.
O
senhor acha que os brasileiros são ingratos com o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso?
Eu acho que hoje não se faz justiça a ele, mas tenho certeza absoluta
de que a história reconhecerá seu papel crucial. Como também acho que se fará
justiça ao presidente Itamar Franco, que permitiu a Fernando Henrique Cardoso,
então ministro da Fazenda, fazer e aplicar o Plano Real.
Se vencer
a disputa presidencial, Serra diz que tentará acabar com a reeleição.
Eu prefiro
mandatos de cinco anos, sem reeleição. Defendo isso desde 1989. Mas, hoje, pensar
nisso é irreal. A reeleição incrustou-se na realidade política brasileira de maneira
muito forte. A prioridade deveria ser uma reforma política que incluísse
o voto distrital misto. Isso aproximaria os eleitores dos deputados e ajudaria
a depurar o Parlamento.
O senhor,
um político jovem, bem avaliado, duas vezes governador de um grande estado, ainda
deve almejar chegar à Presidência, não?
Eu tenho muita vontade de participar da
construção de um projeto novo para o Brasil, em que a nossa referência não seja
mais o passado, e sim o futuro. Sem essa dicotomia que coloca em um extremo o
PT e no outro o PSDB, e quem ganha é obrigado a fazer todo tipo de aliança para
conseguir governar. Assim, paga-se um preço cada vez maior para chegar a sabe-se
lá onde. O PT deixou de apresentar um projeto de país e hoje sua agenda se resume
apenas a um projeto de poder. Eu gostaria de uma convergência entre os homens
de bem, para construir um projeto nacional ousado, que permita queimar etapas
e integrar o Brasil em uma velocidade muito maior à comunidade dos países
desenvolvidos, de modo que todos os brasileiros se beneficiem desse processo.
Mas
o Brasil já está direcionado nesse rumo, não?
Está, mas é preciso acelerar a nossa
chegada ao nosso destino de grandeza como povo e como nação. Eu fico impaciente
com realizações aquém do nosso potencial. O Brasil pode avançar mais rapidamente
com um governo que privilegie o mérito, que qualifique a gestão pública, para
que ela produza benefícios reais e duradouros para a maioria das pessoas, que
valorize o serviço público e cobre dele resultados. Um governo que tenha autoridade
e generosidade para fazer acordos. Meu avô Tancredo Neves costumava dizer que
há muito mais alegria em chegar a um entendimento do que em derrotar
um adversário. Eu vou ser sempre um construtor de pontes. Quanto a chegar
à Presidência da República, tenho a convicção de que isso é muito mais destino
do que projeto.