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• Televisão: A volta do foco na família nos seriados americanosAutomóveisOs 5 defeitos da ToyotaA fábrica japonesa atingiu a liderança
mundial ao aliar mecânica confiável
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Fotos Paul Sakuma/AP e Everett Kennedy/Brown/Latin
Stock![]() |
| ONDE
ESTÁ O ERRO? Eiji Toyoda (à esq.) criou a linha de montagem mais eficiente do pós-guerra. Dali saíram alguns dos melhores carros do mundo o que torna mais difícil entender os atuais problemas da montadora |
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| • Quadro: Qualidade total em xeque |
Eiji Toyoda, primo de Kiichiro Toyoda, o fundador da Toyota, revolucionou a indústria automobilística na segunda metade do século passado. No comando da fabricante de veículos japonesa, inovou ao desenvolver uma linha de montagem que diminuía a ineficiência e detectava falhas no menor tempo possível, evitando ao máximo que carros com qualquer defeito de acabamento chegassem aos consumidores. Mas essas virtudes, na última década, acabaram se transformando em vícios. Os pecados cometidos pela Toyota resultaram numa sequência de recalls que já beiram os 10 milhões de veículos e arranharam a imagem da marca, construída em mais de setenta anos de trabalho. Surpreende como uma empresa erigida sobre um pilar de frugalidade tenha sucumbido à grandiosidade. A seguir, os cinco defeitos que, juntos, feriram a reputação da líder mundial na produção de automóveis.
1.
Crescimento a qualquer preço
O título de a maior
montadora do globo foi conquistado em 2007, quando a Toyota ultrapassou a americana
General Motors. Mas o caminho rumo ao topo começou a ser traçado
bem antes. De 1995 a 2009, a fabricante japonesa dobrou, para cinquenta, o número
de fábricas nos Estados Unidos, Europa e Ásia. A velocidade com
que se expandia era proporcional à sua valorização aos olhos
dos investidores. O plano deu certo, mas teve um custo. Disse a VEJA Tony Faria,
professor de marketing da Universidade de Windsor, no Canadá: "A
Toyota expandiu a produção e o número de fornecedores mais
rápido do que seu departamento de qualidade podia inspecionar a cadeia
produtiva".
2. Corte de custos obsessivo
Sob
o comando do ex-presidente Katsuaki Watanabe, a Toyota reduziu em 10 bilhões
de dólares seus custos operacionais no mundo entre 2000 e 2006. Um carro
chegava a ser inteiramente produzido, tão logo sua concepção
fosse concluída, em meros doze meses, quando o normal seria de 24 a 36
meses. A fabricante também exigia dos fornecedores o desenvolvimento de
peças mais leves e baratas. Um exemplo são as alças de apoio
localizadas acima das portas. O número de peças que as compunha
caiu de 34 para cinco, cortando os custos em 40%. O tempo de instalação
se reduziu de doze para três segundos. Isso pode ser ótimo, desde
que não comprometa a confiabilidade do produto. "As estatísticas
mostram que, para cada 1% de redução no valor do automóvel,
há um aumento de 2% nas vendas. É muito significativo. O problema
é fazê-lo sem comprometer a eficiência dos veículos
e sua segurança", diz Celso Arruda, professor da Faculdade de Engenharia
Mecânica da Unicamp.
3. Queda no
controle de qualidade
Na sua dupla ânsia por se tornar
líder mundial e cortar custos, a Toyota inevitavelmente relaxou no controle
de qualidade. Um exemplo foi dado pela falha no acelerador de modelos produzidos
pela empresa nos Estados Unidos. A incorporação de tecnologias ainda
não plenamente testadas representa outro risco. Afirma Celso Arruda: "Na
ânsia de exporem ao mercado um carro tecnologicamente mais avançado,
as companhias deixam de atentar para possíveis falhas".
4.
Pouca transparência
A Toyota sabia desde 2003 dos defeitos
causados no acelerador que provocavam a aceleração ininterrupta
do veículo, mas optou por adiar o anúncio do primeiro recall. Nesse
ínterim, a fabricante japonesa optou por indenizar os motoristas individualmente
e substituir os veículos defeituosos por outros novos. Um ex-advogado da
empresa acusou-a de encobrir informações a respeito dos acidentes.
Em agosto de 2009, outra falha, agora relacionada ao enroscamento do tapete do
motorista no acelerador, provocou a morte de um policial rodoviário americano
e dos outros três ocupantes do veículo. O recall para esse defeito
só ocorreria três meses depois.
5.
Reação lenta à crise
Quando os recalls
passaram a aparecer com mais frequência, a partir de 2009, a Toyota demorou
para mitigar seus efeitos. No ano passado, das 251 queixas feitas ao órgão
responsável pela segurança viária dos Estados Unidos, a National
Highway Transportation Safety Administration, mais da metade (133) teve a Toyota
como alvo. A própria entidade considerou "imprecisas e enganosas"
as soluções prometidas pela fabricante japonesa. Como resultado,
a Toyota enfrenta, até agora, 148 processos em tribunais nos Estados Unidos,
e quatro em cada dez americanos dizem hoje que não comprariam um veículo
da marca, de acordo com pesquisa recente feita pela Bloomberg. É um preço
alto a ser pago por quem inventou a qualidade total. Que a Toyota se recupere
desses tropeços é do interesse de todos os amantes de carros do
mundo. Estamos na torcida.