Edição 1848 . 7 de abril de 2004

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VEJA Recomenda

DVDs

Scarface (Scarface, Estados Unidos, 1983. Universal) – Adaptação do clássico policial Scarface – A Vergonha de uma Nação, dirigido por Howard Hawks nos anos 30, esse filme de Brian de Palma, com roteiro de Oliver Stone, chocou em seu lançamento por causa das cenas de violência e consumo de drogas. Scarface conta a história de Tony Montana (Al Pacino), imigrante cubano que se torna o rei do tráfico de cocaína em Miami. Stone, que na época tentava livrar-se do vício dessa droga, realizou um filme com seqüências antológicas – como aquela em que Montana consome uma montanha de pó antes de dedicar-se a um banho de sangue, com uma metralhadora nas mãos. O DVD duplo está repleto de extras, como os testes dos atores e um documentário sobre as gravações.

A Pantera Cor-de-Rosa (Pink Panther Collection. Fox) – Entre 1963 e 1978, o ator Peter Sellers (1925-1980) e o diretor Blake Edwards (que recebeu uma merecida homenagem no Oscar deste ano) deram vida a um dos personagens mais engraçados da história do cinema: o inspetor francês Jacques Clouseau, sujeito atrapalhado que, apesar de levar seu chefe às raias da loucura, sempre resolve os mistérios que surgem à sua frente. Tudo em A Pantera Cor-de-Rosa era perfeito, dos disfarces esdrúxulos de Clouseau e de Kato, seu empregado asiático, ao tema musical de Henry Mancini. A caixa traz quatro títulos estrelados por Sellers, além de A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa, feito após a morte do ator com cenas não aproveitadas de seus filmes. Um sexto DVD traz vários extras, entre os quais um documentário sobre as origens do personagem.

Divulgação
Simba, Pumba e Timão: coadjuvantes no papel principal


O Rei Leão 3: Hakuna Matata
(The Lion King 1 1/2: Hakuna Matata, Estados Unidos, 2004. Buena Vista) – Essa seqüência de O Rei Leão, uma das produções mais bem-sucedidas dos estúdios Disney, tem como protagonistas o javali Pumba e o suricato Timão. Ela revela a origem da amizade entre os dois e reconta a história de Simba (o rei Leão) sob o ponto de vista da dupla. A antológica cena do nascimento de Simba, em que ele é mostrado para os outros animais, é transformada numa das melhores piadas do filme.

 

LIVROS

A Ética Protestante e o "Espírito" do Capitalismo, de Max Weber (tradução de José Marcos Mariani Macedo; Companhia das Letras; 288 páginas; 38 reais) – Esse livro é a obra-prima do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) e um dos mais influentes estudos teóricos escritos no século XX. Weber procura explicar por que países com predominância da religião protestante tendem a ser mais ricos do que países católicos. A obra teve três edições durante a vida do autor: em 1904, em 1905 e em 1920. Essa nova versão brasileira é especial porque, além de ter sido traduzida diretamente do alemão, dá conta de todas as alterações feitas por Weber ao longo dos anos. O paciente trabalho de edição foi levado a cabo pelo sociólogo brasileiro Antônio Flávio Pierucci. Leia trecho do livro.

Minoridade Crítica: a Ópera e o Teatro nos Folhetins da Corte, de Luís Antônio Giron (Ediouro; 416 páginas; 49 reais) – Fruto de uma dissertação de mestrado, o livro do jornalista Luís Antônio Giron debruça-se sobre as origens da crítica cultural no Brasil. Numa pesquisa minuciosa, Giron vasculhou jornais do tempo do Império em busca de textos a respeito de óperas e recitais de música clássica apresentados entre 1826 e 1861. Descobriu textos pouco conhecidos de escritores do calibre de José de Alencar e Machado de Assis, que analisa com verve e rigor, em busca de quais seriam seus pressupostos teóricos. Leia trecho do livro.

 

DISCOS

A Vida Me Fez Assim, Teresa Cristina e Grupo Semente (Deckdisc) – Seria uma heresia classificar Teresa Cristina apenas como sambista. A carioca de 36 anos é uma intérprete privilegiada, que tem talento não apenas para o samba, mas para outros gêneros musicais. Teresa tem bom gosto para selecionar o repertório e sua voz não traz os exageros de algumas musas atuais da MPB. Há dois anos, ela lançou um belíssimo álbum duplo com criações de Paulinho da Viola. Nesse novo disco, que tem produção de Paulão das 7 Cordas (uma espécie de arquivo ambulante do samba), ela se sai bem com canções da própria lavra e algumas regravações que merecem fazer sucesso, como a de Quantas Lágrimas, da Velha Guarda da Portela. Ouça trechos de múscas: Acalanto e Viver.

Thicker Than Water, Jack Johnson (Universal) – Há quem diga que o cantor, compositor, guitarrista e surfista nas horas vagas Jack Johnson está reinventando a surf music – aquele estilo que, nos anos 60, era sinônimo de grupos vocais afinadinhos, cantando sobre praia e meninas. Johnson faz um pop com influências de reggae e música eletrônica que é perfeito para ouvir na praia, num luau. Thicker Than Water é a trilha de um documentário sobre surfe dirigido pelo próprio Johnson. Os temas tiveram como inspiração as acrobacias de surfistas do primeiro time. Johnson apresenta baladas bacanas, como Moonshine, e incluiu em seu disco convidados. Entre eles, o grupo Smoke City (Underwater Love) e o cantor inglês Finley Quaye (Even After All).

 
Os mais vendidos

Na edição passada de VEJA, a lista de livros mais vendidos registrou um engano: As Filhas da Princesa, da americana Jean P. Sasson, apareceu na categoria de ficção em vez de aparecer na de não-ficção, como ocorrera nas semanas anteriores e volta a ocorrer agora. O erro deveu-se ao fato de que a classificação da obra varia nas diversas livrarias consultadas por VEJA para elaborar seu ranking. Relato da opressão sobre as mulheres no mundo islâmico, As Filhas da Princesa baseia-se em depoimentos de uma mulher saudita. O livro, no entanto, tem um viés literário, que faz com que possa ser confundido com um romance – o que não é o caso.

Assim como As Filhas da Princesa, outras obras que freqüentam a lista são difíceis de classificar e aparecem sob rubricas diferentes de livraria para livraria. Por isso, VEJA decidiu tornar mais estritos os critérios de organização da lista. Da categoria de ficção farão parte apenas romances e coletâneas de contos. Da categoria de não-ficção constarão ensaios e biografias, mas também livros de crônicas, cuja referência principal se encontra no noticiário e no registro de uma realidade mais imediata. Isso acontecerá ainda que o cronista lance mão de recursos ficcionais. Em auto-ajuda e esoterismo ficarão os manuais de aconselhamento e as obras de cunho religioso.

Os novos critérios já se refletem na lista desta semana. Dois livros da gaúcha Lya Luft passam da categoria de ficção para a de não-ficção. Isso vai ao encontro do entendimento da própria autora, como dito no prefácio de Perdas & Ganhos e em conversa com VEJA. Lya, de fato, pratica uma espécie de ensaísmo moral – que não se confunde com a auto-ajuda, apesar do tema, nem com a ficção, apesar da linguagem literária. Por causa dessa mudança, o número entre parênteses referente à posição dos livros na semana anterior foi zerado. O mesmo ocorreu com As Filhas da Princesa. Em todos os casos, o número referente às semanas em que o livro esteve na lista foi mantido.

 

 

São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Ed. Porto Alegre; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano; Maceió: Sodiler; Belém: Laselva; Natal: Sodiler.
 
 
 
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