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Perfil
Bilionário
e showman
Estrela
da TV
americana com
o reality
show O
Aprendiz, Donald
Trump conta
a
VEJA as razões de
seu sucesso
e
de seu penteado

Marcelo
Marthe, da Flórida
O
americano Donald Trump é o espécime mais exuberante
de uma nova e singular categoria: a dos homens de negócios
que fazem hora extra no mundo das celebridades e do entretenimento.
Exuberante porque, enquanto a maioria de seus colegas se arrisca
no máximo a narrar suas receitas de sucesso em autobiografias,
manuais de auto-ajuda e palestras superproduzidas, ele se converteu
num verdadeiro showman. Dono de um império que atua em áreas
como a construção civil, a hotelaria e a exploração
de cassinos, Trump acaba de se consagrar como o astro de um dos
maiores sucessos da TV americana. No ar há três meses,
o reality show The Apprentice (O Aprendiz) é uma gincana
em que dezesseis pessoas disputam o direito de trabalhar numa de
suas empresas. A cada semana, Trump elimina um candidato com a frase
que virou o bordão do momento nos Estados Unidos: "Você
está demitido!". O formato deve chegar à televisão
brasileira, e canais de TV a cabo já disputam a exibição
do original no Brasil. Na semana passada, VEJA visitou o empresário
numa de suas propriedades, o resort Mar-a-Lago, no balneário
de West Palm Beach, na Flórida. Trump percorreu o local com
a reportagem e concedeu uma entrevista exclusiva (leia
abaixo). Ele falou sobre o programa, sua vida pessoal,
seus negócios no Brasil e seu novo livro, Como Ficar Rico,
que tem lançamento nacional previsto para junho, pela editora
Campus.
Mar-a-Lago
é um dos clubes mais fechados dos Estados Unidos. Sua sede
é uma mansão com 128 aposentos construída nos
anos 20. Desde que a propriedade foi adquirida por Trump, em 1985,
a atmosfera bucólica foi substituída pela badalação.
Para se juntar aos cerca de 450 sócios do clube, como o cantor
Tony Bennett e o ator Charlton Heston, pagam-se 150 000 dólares,
mais uma taxa de 92 000 dólares por ano. Os sócios
têm à disposição campo de golfe e praia
privativa, mas arcam com os extras entre os quais o spa e
as festas animadas por artistas como Natalie Cole e Lionel Richie.
Feitas as contas, um fim de semana por lá não sai
por menos de 2 500 dólares por pessoa.
Fotos Rick Silva
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Trump
e o clube vip Mar-a-Lago,
de West Palm Beach: sócios como Tony Bennett pagam
anuidade de 92 000 dólares
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A
presença do dono é uma atração à
parte. Trump circula pelo local em trajes esportivos e não
se furta aos pedidos dos sócios para tirar fotos a seu lado.
Não raro, assiste junto com eles a seu programa e os desafia
a adivinhar qual participante irá demitir.
Exibido
pela rede NBC, O Aprendiz é visto por mais de 20 milhões
de espectadores e está entre as três atrações
de maior sucesso da TV americana. Os competidores se dividem em
dois times e disputam gincanas humilhantes nas quais têm de
mostrar seu espírito empreendedor. Por exemplo, vendendo
limonada no centro financeiro de Wall Street, em Nova York. O
Aprendiz é uma caricatura divertida da luta pelo sucesso
no universo ultracompetitivo das corporações. O vencedor
do programa, que vai até meados de abril, terá direito
a um emprego nas organizações Trump, com um salário
anual 250 000 dólares.
Embora
ocupe a 81ª posição no ranking dos bilionários
dos Estados Unidos elaborado pela revista Forbes, Trump é
capaz de causar mais barulho que qualquer outro expoente da categoria
e usar a exposição na mídia em causa própria.
Um dos motivos pelos quais ele topou participar de O Aprendiz
é que a NBC lhe deu carta branca para fazer propaganda de
seus negócios. Ele já lançou no programa uma
água mineral que leva seu nome e os candidatos visitaram
um de seus cassinos e tome apologia das maravilhas do local.
Trump registrou seu "Você Está Demitido!" como marca.
Pretende explorá-lo em produtos como videogames e canecas.
Na semana passada, comprou briga com a prefeitura de Nova York por
instalar um gigantesco banner com seu retrato e seu bordão
na fachada da Trump Tower, sua torre de escritórios na Quinta
Avenida. As autoridades consideram a faixa "poluição
visual". Mesmo sob ameaça de um processo, Trump avisou que
não vai retirá-la. Ele gosta de encrenca. Há
cinco anos, entrou com um processo de 75 milhões de dólares
contra o poder público de West Palm Beach, por causa do barulho
dos Boeing que passavam sobre seu resort. Não apenas conseguiu
mudar a rota dos aviões como também obteve, de quebra,
autorização para construir atrações
anexas à sede de Mar-a-Lago. A principal delas é uma
boate bem ao lado da mansão tombada pelo Patrimônio
Histórico. "Isto aqui vai ser o máximo: imagine 2.000
pessoas se divertindo numa pista com vista para o mar", diz Trump.
Depois
de fazer fortuna com a construção de arranha-céus
em Nova York e transformar-se num ícone do capitalismo nos
anos 80, Trump passou por momentos de aperto no começo da
década seguinte. Mas, graças à retomada do
mercado imobiliário americano, conseguiu dar a volta por
cima. O bilionário alardeia que nunca teve tanto dinheiro,
mas seu pendor pelas bravatas e frases de efeito se tornou tão
notório que a revista Newsweek já sugeriu que
tudo o que ele diz deve "sofrer um desconto de 20%". Ou até
mais. Por exemplo: ele afirma que sua fortuna pessoal é de
5 bilhões de dólares, mas, de acordo com a revista
Forbes, teria metade disso. A quem o questiona, Trump responde
que a publicação uma das mais sérias
da área econômica precisa rever seus números.
Simples assim. Há, porém, um calcanhar-de-aquiles
evidente em seus negócios. Seus cassinos entre os
quais o portentoso Taj Mahal, em Atlantic City acumulam dívidas
de 1,8 bilhão de dólares. Na semana passada, o jornal
The New York Times afirmou que Trump se encontra na mira
dos credores e que pode quebrar. "Os cassinos são apenas
uma dentre 83 companhias e representam menos de 1% do patrimônio
líquido de meus negócios", declara o empresário.
Alcir N. da Silva
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| A
Trump Tower e o seu megacartaz: briga com a prefeitura de Nova
York |
A
receita de sucesso de Donald Trump está no recém-lançado
Como Ficar Rico, um misto de autobiografia, relato de bastidores
do programa O Aprendiz e manual de auto-ajuda, com seus conselhos
para triunfar nos negócios. São conselhos quase sempre
curtos e grossos: Trump ensina que se deve ser implacável
com os adversários e que às vezes é preciso
ser "estrategicamente dramático" quer dizer, saber
portar-se como ator e blefar , para levar a melhor numa negociação.
O bilionário usa um capítulo inteiro para defender-se
das chacotas em torno de um item polêmico de seu patrimônio:
seu cabelo. Por causa da aparência artificial e do topete
que lembra um capacete, esse tem sido um campo fértil para
piadas. "Não uso peruca: meu cabelo é 100% meu", escreve
Trump.
Em
sua vida pessoal, ele não é menos ruidoso do que nos
negócios. Seu divórcio da exuberante Ivana, com quem
teve três filhos, ocupou as manchetes nos anos 90. Trump trocou
a ex-atleta da equipe olímpica de esqui da então Checoslováquia,
na época com 40 anos, pela loira Marla Maples. Modelo e atriz
dezessete anos mais nova que ele, Marla já declarou sobre
Trump: "Foi a melhor transa que tive na vida". Trump também
se divorciou de Marla, mãe de sua filha mais nova, e desde
então tem circulado na companhia de jovens modelos. Atualmente,
namora Melania Knauss, uma morenaça eslovena "tão
bela por fora quanto por dentro", em suas palavras. Ele tem 57 anos
e a moça, 33.
O
Brasil ocupa um lugar no universo de Trump. Ele empresta sua grife
a empreendimentos nacionais ligados a seu hobby predileto: o golfe.
Hoje, o principal torneio desse esporte no país leva seu
nome. O projeto mais ambicioso, no entanto, é o Villa Trump,
um clube de golfe que deverá ocupar uma área de 9
milhões de metros quadrados em Itatiba, no interior paulista.
Trata-se de um investimento de 40 milhões de dólares,
com inauguração prevista para 2006. "Donald vislumbra
com entusiasmo o futuro do Brasil", diz o empresário Ricardo
Bellino, seu sócio brasileiro. Trump anuncia que, em breve,
deseja realizar numa cidade do país a final do concurso Miss
Universo, do qual é proprietário. "Vocês, brasileiros,
têm as garotas mais deslumbrantes do planeta", diz o bilionário.
Garotas, digamos, tão bonitas por fora quanto por dentro.
| Entrevista |
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Veja
O senhor foi um símbolo de sucesso
do capitalismo americano nos anos 80, mas no começo
da década de 90 enfrentou grandes dificuldades
financeiras. Como saiu delas?
Trump
Poucos têm idéia do quanto eu
estive em apuros naquela época. Eu devia 9 bilhões
de dólares e estava à beira da falência.
Hoje, tenho mais dinheiro do que nunca tive. E sabe
como eu consegui dar a volta por cima? É simples:
jamais me deixei abater. Manter-se altivo e no controle
da situação, apesar das adversidades,
é o segredo para ser bem-sucedido.
Veja
Qual foi o pior momento daquela crise?
Trump
Não foi uma crise, foi um acidente
de percurso.
Veja
Foi divulgado que os seus cassinos acumulam
uma dívida de 1,8 bilhão de dólares.
Esse seria um novo acidente de percurso?
Trump
Os cassinos são apenas uma dentre
83 companhias e representam menos de 1% do patrimônio
líquido de meus negócios.
Veja
O que é uma crise para o senhor?
Trump
É
descobrir que você tem uma doença incurável,
ou perder um parente querido. Dinheiro nunca é
crise, é solução.
Veja
Como o senhor escolhe as pessoas de quem
se cerca para trabalhar?
Trump
Meu
lema é que, se alguém está jogando
no seu time há muito tempo, é mais confiável
do que alguém vindo de fora. Dou oportunidade
para que os funcionários de minha própria
corporação subam na carreira e procuro
aproveitar esses quadros na hora de escolher meus braços
direitos.
Veja
Na vida real, o senhor é tão
duro ao demitir seus funcionários quanto no programa
O Aprendiz?
Trump
Em muitos casos, ajo assim mesmo. Se não
vou com a cara de um subordinado, se ele trai minha
confiança ou tenta me roubar, haveria outro modo
de agir? Geralmente, entretanto, procuro fazer a coisa
de um jeito menos traumático.
Veja
Como?
Trump
Chamo o sujeito para uma conversa, digo que
a companhia dele me agrada, que ele é maravilhoso
e que infelizmente já não quero mais seu
serviço.
Veja
Em
seu novo livro, Como
Ficar Rico, o senhor diz que uma das táticas
mais eficientes numa negociação é
ser "estrategicamente dramático". O que isso
quer dizer?
Trump
Ser estrategicamente dramático é
procurar se comportar, com a maior ênfase possível,
como se desejasse exatamente o oposto daquilo que você
realmente almeja. Ou seja: para obter um bom preço
numa venda, você se coloca como se não
estivesse querendo vender o bem em questão. Ou
então finge que não quer comprar algo
que realmente lhe interessa.
Veja
Que tipo de qualidades uma pessoa precisa
ter para ser bem-sucedida nos negócios?
Trump
Ela precisa, em primeiro lugar, gostar imensamente
de seu trabalho. Uma pessoa que não gosta de
seu trabalho dificilmente terá iniciativa e disposição
para ser um vencedor. É preciso confiar em si
próprio e ser bom de briga, não desistir
frente às adversidades. São qualidades
que, infelizmente, nem todo mundo traz em seu caráter.
Veja
Qual a importância dos instintos
na hora de fazer negócios?
Trump
Eles são fundamentais. É graças
aos instintos que um bom negociador sabe quando deve
ter paciência, o momento de ser agressivo ou de
rever suas estratégias. Mais uma vez, trata-se
de uma qualidade preciosa, porque é rara: os
instintos para ser um vencedor são algo que se
carrega no sangue. Você nasce ou não
com eles.
Veja
Como se deve reagir ao ser prejudicado
numa negociação?
Trump
Quando alguém faz isso comigo, não deixo
barato. Se você leva uma rasteira, ou mesmo que
só fareje essa intenção, é
preciso revidar com toda a força e por todos
os meios. Se possível, destruir seu adversário.
Como já dizia a Bíblia, é
olho por olho, dente por dente. Sempre acreditei nisso.
Certa vez, fiz esse comentário durante um encontro
com um grupo de padres e um deles me repreendeu, disse
que esse não era o comportamento de uma pessoa
de bem. Minha resposta foi que ele até poderia
ir para o céu, mas nunca ficaria rico.
Veja
Por que o senhor dedica um capítulo
inteiro de seu novo livro aos acordos pré-nupciais?
Trump
É
um fato estatístico que mais da metade dos casamentos
terminou em divórcio nos Estados Unidos. Na hora
em que se está apaixonado, é tudo uma
maravilha, mas é recomendável que se tenha
sangue-frio para pensar no que pode acontecer quando
cada um for para seu lado. As pessoas que possuem fortuna
não podem se dar ao luxo de cometer um erro tão
primário quanto não pensar no dia de amanhã.
Sei de homens bem-sucedidos que se casaram e, menos
de cinco anos depois, viram suas ex pleitear na Justiça
boa parte do que tinham acumulado em décadas
de trabalho. Não é algo bonito ou romântico
fazer um acordo pré-nupcial, mas se trata de
um mal necessário para sua própria segurança.
Veja
O senhor se separou de Ivana Trump no
começo dos anos 90, quando passava por suas maiores
dificuldades financeiras. Isso afetou seus negócios?
Trump
Não houve problema nenhum, pois eu
tinha um ótimo acordo pré-nupcial. O vendaval
passou e, feitas as contas, posso dizer que o divórcio
não me custou caro.
Veja
Por que, ao contrário de muita
gente rica, o senhor não tem pudor de ostentar
sua condição de bilionário?
Trump
Não tenho a mínima vergonha
mesmo. E por que deveria? Se eu acumulei tanto dinheiro,
o mérito é todo meu, pois me esforcei
muito para chegar aonde cheguei e continuo trabalhando
duro todos os dias. Além disso, sejamos francos,
o marketing pessoal faz parte do negócio. Se
você não fizer propaganda de seu sucesso,
quem o fará por você?
Veja
De que forma o dinheiro lhe dá
prazer?
Trump Ter uma fortuna de 5 bilhões
de dólares torna a vida complicada sob vários
aspectos. Em certos momentos, sinto-me como um prisioneiro
dentro de minha própria casa. Não posso
ir a casas noturnas para ver as mulheres bonitas, por
exemplo, pois a imprensa descobriria e ia dar uma confusão
danada. Por outro lado, a riqueza proporciona muitas
facilidades. Posso comprar tudo o que eu quiser e satisfazer
todos os meus caprichos, mas nunca fiz nada com o mero
intuito de ostentar. Ao contrário, procuro fazer
com que cada gasto acrescente mais valor às minhas
posses. Meu negócio é criar coisas belas,
que dêem prazer às pessoas e também
gerem dinheiro.
Veja
Em 2000, o senhor cogitou concorrer à
Presidência dos Estados Unidos. Ainda acalenta
esse sonho?
Trump
Não foi por minha iniciativa que se
falou na candidatura. Fui sondado porque as pesquisas
de opinião mostravam que o nome Trump era muito
popular e teria boas chances. A princípio me
empolguei muito, mas desisti na última hora.
Para assumir uma tarefa tão grande, eu teria
de deixar de fazer aquilo de que gosto mais, que é
cuidar de meus negócios.
Veja
Que atributos o qualificariam para ser
presidente dos Estados Unidos?
Trump
Tenho muita experiência nos negócios
e mesmo na política. Sempre fui, acima de tudo,
uma pessoa que sabe negociar. Pode ter certeza de que,
nas minhas mãos, a relação dos
Estados Unidos com o mundo seria muito melhor do que
a que temos agora.
Veja
Há anos seu penteado tem sido alvo
de chacota. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Trump
Meu cabelo sempre foi assim. Pode não
ser o máximo, mas funciona. E eu gosto. Além
disso, ele já virou uma marca pessoal. Sugiro
que esse pessoal dê uma olhada nos índices
de audiência de O Aprendiz antes de sair
falando mal. Lidero a audiência nos Estados Unidos
contra uma porção de astros boas-pintas
que têm o corte de cabelo da moda.
Veja
Existe um rumor de que o senhor já
usou Botox. É verdade?
Trump
Botox, eu? Garanto que nunca usei. A prova
são esses pés-de-galinha. Não acredito
nos resultados do Botox, porque conheço muita
gente que o usou e perdeu toda a expressão facial,
todo o movimento. Recentemente, vi uma mulher que tinha
usado Botox numa festa de aniversário e reparei
que ela não conseguia mover os lábios
para cantar os parabéns. Pelo mesmo motivo, jamais
fiz plástica, ao contrário do que espalham
por aí.
Veja
Deve-se levar a sério sua propalada aversão
a dar apertos de mão?
Trump
Sim, totalmente. Trata-se de uma convenção
social absurda, que nos torna suscetíveis a pegar
germes. Nunca se sabe onde o sujeito pôs a mão
antes de cumprimentá-lo. Mas é um costume
estabelecido e tenho de me curvar a ele. Fazer o quê?
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