|
|
Governo
Mais
perguntas e
nenhuma resposta
O
escândalo Waldomiro continua
sem solução e já surge outro com
conexões muito complexas

Policarpo
Junior e Alexandre Oltramari
O
subprocurador-geral da República, José Roberto Figueiredo
Santoro, 50 anos, é um homem de múltiplos interesses.
É apaixonado por cinema, música clássica e
é fluente em quatro idiomas. O subprocurador é sobrinho
do físico Alberto Santoro, um dos descobridores da menor
partícula da matéria, o top quark, e do músico
Cláudio Santoro, autor de catorze sinfonias e um dos grandes
maestros brasileiros. Na semana passada, ele apareceu em uma fita
cassete, divulgada pelo Jornal Nacional, tentando convencer
o bicheiro Carlos Cachoeira a lhe entregar um vídeo no qual
um ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz,
é flagrado pedindo propina. Na gravação, feita
às 3 horas da madrugada no gabinete de Santoro, ouve-se o
subprocurador explicar ao bicheiro que se eles forem vistos juntos
tão tarde da noite seu chefe na procuradoria, Cláudio
Fonteles, indicado pelo PT para o cargo, poderia desconfiar de seu
excesso de zelo. "Daqui a pouco o procurador-geral vai dizer assim:
'P..., você tá perseguindo o governo que me nomeou
procurador-geral, Santoro, que sacanagem é essa? Você
tá querendo ferrar o assessor do Zé Dirceu, que que
você tem a ver com isso?' " (veja
os principais trechos da gravação).
Na
contagem aritmética simples das abóboras políticas
do microcosmo de Brasília, a divulgação da
fita em que o subprocurador é grampeado foi um alívio
para José Dirceu. Na visão do governo, o conteúdo
da gravação deixa claro que houve manipulação
política da outra fita, a de vídeo, em que Waldomiro
pede ao bicheiro Carlos Cachoeira contribuição para
campanhas políticas, além de uma propina. O episódio
retratado na fita de vídeo ocorreu há dois anos, portanto,
antes de Waldomiro se instalar no Palácio do Planalto. Fora
do Palácio do Planalto a visão é outra. O surgimento
da nova fita não melhora em nada a situação
de quem quer que seja. Ela só ajuda a piorar a situação
de um número ainda maior de pessoas. Os últimos acontecimentos
em Brasília são terríveis para a imagem do
Ministério Público, que até então estava
fora do escândalo.
A
guerra das fitas sugere que não existe propriamente um Ministério
Público, mas ministérios privados, cujos membros teriam
lealdade a interesses partidários, e não compromisso
exclusivo com o interesse público. Nessa linha de raciocínio,
por seu zelo em meter-se na apuração de um escândalo
que acabaria estourando no colo de José Dirceu, ex-homem
forte do Planalto, Santoro estaria querendo apenas "ferrar" o governo,
e não apurar um crime. Santoro pertenceria então ao
ministério privado dos tucanos, os oposicionistas do PSDB.
Outros procuradores, como o famoso Luiz Francisco de Souza, que
se notabilizaram pelo excesso de zelo em apurar desvios do governo
passado, o dos tucanos, e até agora não mostraram
nenhum empenho em levantar escândalos de petistas, formariam
no outro time. Esses últimos seriam, então, procuradores
do ministério privado do PT. Péssimo negócio
para os brasileiros.
O
governo pode ter razões políticas para comemorar a
divulgação do grampo em Santoro, mas os brasileiros
só têm a lamentar o que parece ser o uso político
de uma instituição que deveria, por sua própria
natureza, ser integrada por "intocáveis". Trata-se de uma
gangrena institucional, que acaba solapando os princípios
republicanos e transformando cidadãos em súditos.
Do Ministério da Justiça, saiu a idéia de criar
o instituto do controle externo para o Ministério Público,
e não só para o Poder Judiciário, e voltou-se
a discutir a chamada Lei de Mordaça, que impede procuradores
de fornecer quaisquer informações a respeito de investigações
em andamento. São idéias que precisam ser amadurecidas
e debatidas num clima de serenidade, para evitar açodamentos.
Na semana passada, na euforia da comemoração, o ministro
da Justiça cometeu a leviandade de dizer que Santoro promovera
uma "conspiração" contra o governo. Ora, que conspiração?
Se o ministro José Dirceu e todo o governo do PT garantem
que não têm nenhuma relação com os apliques
de Waldomiro, por que raios a apuração dos crimes
cometidos pelo ex-assessor colocaria o governo em risco?
Com
mais de vinte anos de trabalho, e há três como subprocurador-geral,
penúltimo degrau da carreira, Santoro é um dos membros
mais dinâmicos e talentosos do Ministério Público
e um dos mais enigmáticos. Quase nunca aparece em
público, não dá entrevistas, só recebe
jornalistas para conversas reservadas e não gosta de fotos.
Sua discrição é útil para seu hábito
de perambular pelos bastidores de investigações com
as quais não tem nenhuma ligação funcional.
Sendo um dos 62 subprocuradores da República, Santoro só
pode atuar em processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça.
Além disso, mas apenas se for designado pelo chefe, pode
trabalhar em casos em andamento no Supremo Tribunal Federal e Tribunal
Superior Eleitoral. Na interpretação estrita de suas
atribuições, Santoro não poderia participar
da apuração do caso Waldomiro. Não poderia
tomar a iniciativa de colher depoimento, tarefa que deveria ser
executada por procurador comum, de primeira instância. Relevando
o fato básico de que Santoro estava apurando um crime, o
procurador-geral Cláudio Fonteles preferiu ater-se às
tecnicalidades que descrevem as funções dos subprocuradores.
Fonteles classificou a ação de Santoro de "flagrantemente
ilegal".
Marlene Bergamo
 |
SÓ
CORDIALIDADE
José Serra, atual presidente do PSDB: garante que não é amigo
nem tem intimidade com o subprocurador José Santoro e que mantém
com ele "relações cordiais" |
Santoro
esteve a cargo ou acompanhou com interesse muitos dos casos rumorosos
dos últimos tempos, mas nunca apareceu sob holofotes. Em
alguns desses casos, houve ganhos políticos diretos ou indiretos
para o ex-ministro José Serra. O episódio de maior
repercussão ocorreu em março de 2002, quando a polícia
invadiu o escritório da empresa Lunus, de Roseana Sarney,
em São Luís, flagrando a dinheirama de 1,3 milhão
de reais num cofre. A foto do dinheiro exposto sobre uma mesa chocou
o país. A ocupação da Lunus foi concebida e
planejada em Palmas, capital do Tocantins, onde trabalhava o procurador
do caso, Mário Lúcio de Avelar. Na época, Santoro
visitou Palmas com freqüência. Dos 28 dias do mês
de fevereiro, passou doze na cidade, sempre com a justificativa
de acompanhar desvio de dinheiro do sistema de saúde. Há
uma sincronia suíça entre suas viagens a Palmas e
o andamento do caso Lunus. Santoro estava em Palmas no dia 22 de
fevereiro, quando foi apresentado à Justiça o pedido
de busca e apreensão na Lunus. Santoro estava em Palmas no
dia 1º de março, quando a polícia ocupou a Lunus.
"Ele foi o cérebro da operação", denunciou
o senador José Sarney. O caso Lunus cortou as chances de
Roseana Sarney se candidatar à Presidência da República,
em um momento em que ela aparecia em primeiro lugar nas pesquisas.
Na
semana passada, com a figura de Santoro na crista da onda levantada
pela divulgação das fitas, Sarney voltou a se interessar
pelo assunto. Soube que Santoro esteve em São Luís
nos dias anteriores à invasão da Lunus, em viagem
até agora desconhecida. De um amigo, Sarney recebeu um boleto
do hotel Abbeville, em São Luís, no qual se lê
que Santoro esteve na capital do Maranhão entre os dias 17
e 18 de fevereiro de 2002, participando de uma "convenção",
segundo informou no boleto do hotel. Na lista oficial das viagens
de Santoro, não há essa ida a São Luís.
No dia seguinte, 19 de fevereiro, Santoro estava de volta a Palmas.
"Eu já havia alertado sobre isso há tempos", diz Sarney.
"O comportamento do Santoro é uma traição a
uma instituição séria como o Ministério
Público."
Antonio Milena
 |
Joedson Alves/AE
 |
|
POR
SÃO LUÍS...
A
dinheirama apreendida na Lunus e a ex-candidata presidencial
Roseana Sarney: oficialmente fora do caso, Santoro esteve
em São Luís e Palmas alguns dias antes do bote
da polícia no escritório da Lunus
|
...E
TAMBÉM POR FORTALEZA
Depois
de sofrer uma investigação, Tasso Jereissati
soube que Santoro foi a Fortaleza para ver se a tal investigação
colhera algo sobre Ciro Gomes, então presidenciável
|
Em
2001, quando ainda disputava a indicação presidencial
pelo PSDB com Serra, o hoje senador Tasso Jereissati passou por
maus bocados. Em dezembro daquele ano, descobriu que estavam investigando
sua vida e percebeu o súbito aparecimento de notinhas maldosas
nos jornais. Era uma armação dos próprios tucanos?
Na dúvida, Jereissati foi ao Palácio da Alvorada reclamar
com o presidente Fernando Henrique. No jantar, ele quase saiu aos
sopapos com o então ministro da Justiça, Aloysio Nunes
Ferreira, a quem acusou de agir com "safadeza e molecagem" por colocar
agentes federais em seu encalço. Na semana passada, Jereissati
voltou ao assunto e, tal como Sarney, descobriu uma novidade: o
ex-superintendente da Polícia Federal no Ceará, Wilson
Nascimento, confirmou-lhe que, em 2001, quem estava no seu calcanhar
era o delegado Paulo de Tarso Teixeira, da PF. "O delegado estava
buscando indícios de envolvimento do Tasso com lavagem de
dinheiro", conta Nascimento. A investigação foi encerrada
sem que se descobrisse nenhuma novidade, mas não parou aí.
No
início de 2002, quando Jereissati já desistira de
concorrer à Presidência, Santoro fez uma visita a Fortaleza,
onde se encontrou com o procurador José Gerin. Queria saber
se a investigação de lavagem de dinheiro sobre Jereissati,
feita no ano anterior, encontrara algo contra Ciro Gomes. "Santoro
passou uns três dias aqui", conta Gerin, que ainda trabalha
em Fortaleza. "Ele estava atrás de alguma coisa sobre um
doleiro. Surgiu uma especulação de que esse doleiro
tinha alguma coisa com o Ciro Gomes." No início de 2002,
Jereissati já estava fora da disputa presidencial e Ciro
Gomes era mais candidato que nunca. Claro que, na época,
Serra tinha interesse político em enfraquecer Ciro Gomes,
assim como antes quis afastar Jereissati da disputa presidencial,
mas nada disso autoriza acusá-lo de estar por trás
das dissimuladas andanças de Santoro. Jereissati, no entanto,
ao saber desses novos detalhes, não se conteve. "Estou estarrecido",
disse. "Achava que essas coisas vinham de grupos que apoiavam esta
ou aquela candidatura. Hoje, não tenho certeza. Espero que
minhas suspeitas sobre a origem de toda essa perseguição
não estejam corretas." Na quinta-feira passada, Serra ligou
para Jereissati para lhe dizer que desconhecia essa história.
Joedson Alves/AE
 |
Sérgio Dutti/AE
 |
PRESSÃO
NA MADRUGADA
Carlos
Cachoeira esteve no gabinete de Santoro até a madrugada,
mas saiu sem entregar o vídeo de Diniz |
NA
LINHA DE FRENTE
O
procurador Marcelo Serra Azul, um dos mais fiéis colaboradores
de Santoro: ele aparece; o outro não
|
No
fim de 2001, um dos mais conhecidos lobistas de Brasília,
Alexandre Paes dos Santos, deixou vazar que teria provas de que
dois funcionários do Ministério da Saúde, então
capitaneado por Serra, estavam achacando o presidente de um laboratório
farmacêutico com o objetivo de fazer caixa para a campanha
presidencial do tucano. Ao saber do assunto, Serra convocou Santoro
ao seu gabinete e pediu providências. Em vez de investigar
os dois suspeitos, Santoro mirou no lobista, mas o fez da forma
habitual disfarçadamente. No caso, recorreu a um dos
seus auxiliares mais fiéis, o procurador Marcelo Ceará
Serra Azul. "Ele me passou o caso, sim", confirma Serra Azul. De
posse de um mandado judicial, Serra Azul invadiu o escritório
do lobista e recolheu pencas de documentos, entre eles a célebre
agenda que continha informações escaldantes
até códigos dos pagamentos de propinas a parlamentares.
A agenda chegou a passear pelo Ministério da Saúde,
pousando de mão em mão. "Eu precisava identificar
todos os nomes de funcionários citados na agenda", diz Serra
Azul, ao admitir que levou a agenda ao ministério. "Como
eu iria fazer isso sem a ajuda do governo?", explica. Talvez ele
pudesse pedir a lista de todos os funcionários do ministério
para cruzar com os dados da agenda, não? "Demoraria séculos",
responde.
José
Serra diz que conheceu Santoro por indicação de Geraldo
Brindeiro, procurador-geral no governo de FHC. "Nunca foi meu amigo.
Temos relações cordiais. Só isso", diz Serra.
O ex-ministro afirma que jamais viu a agenda, nem soube que ela
esteve circulando pelo ministério. "Se soubesse mandaria
imediatamente devolver sem olhar", diz. O fato é que, com
a exótica investigação, na qual se invadiu
o escritório do denunciante e levaram-se as supostas provas
ao denunciado, nunca mais se falou sobre a tal extorsão dos
funcionários da Saúde. É lamentável
que a saúde política do país fique flutuando
ao sabor de fitas nas quais um subprocurador enxerga o potencial
de "ferrar" o ministro-chefe da Casa Civil e pelas quais o próprio
governo se sente ameaçado a ponto de ver em seu tráfego
uma "conspiração".
|
O
que falta explicar no caso Santoro
No decorrer de sua carreira, o subprocurador parece
ter se esmerado em casos que sempre resultaram em situações
positivas para o PSDB, em especial para José
Serra. Isso é mera coincidência?
A parte do diálogo em que Santoro diz que seu
chefe pode achar que ele quer "ferrar" o ministro Dirceu
dá a entender que o Ministério Público
trabalha com motivação política.
Como se pode conter o uso político do MP daqui
para a frente?
O subprocurador foi grampeado pelo bicheiro Cachoeira,
que ele investigava. Sobre isso não há
dúvida. Como a fita vazou é outra história.
Até agora só existem versões. Nenhuma
confiável.
|
|
|
O
que falta explicar no caso Waldomiro
José Dirceu, ministro da Casa Civil, prometeu
botar os pingos nos is no caso Waldomiro Diniz, mas,
passados cinqüenta dias, não se esclareceu
nada: como um sujeito envolvido com bicheiros pôde
ser instalado no coração do Palácio
do Planalto?
Como Dirceu pôde conviver doze anos com Waldomiro
sem jamais desconfiar de seu caráter e
ainda ignorar o primeiro alerta sobre suas irregularidades,
surgido no ano passado?
A sindicância do Palácio do Planalto concluiu
que Waldomiro Diniz usou o cargo na Casa Civil para
traficar influência junto à CEF, na renovação
de um contrato da GTech. Waldomiro agia por contra própria
ou era peça de uma engrenagem financeira maior?
|
|
|
"Entrega
a fita"
No
trecho abaixo, o subprocurador José Roberto Santoro
tenta convencer o bicheiro Carlos Cachoeira a lhe entregar
a famosa fita de vídeo em que Waldomiro Diniz,
ex-assessor do Palácio do Planalto, pede propina.
SANTORO
Faz o seguinte: entrega a fita, não
depõe, diz que vai depor mais tarde pra ver o
que que aconteceu, porque aí você acautela
que você colaborou com a Justiça, entregou
a fita, acautelou prova lícita, o cacete a quatro...
Aí você avalia o tamanho do cafofo... Aí
você diz: "Aí eu quero falar..."
Ouça
a gravação
Nas
mãos do governo
Sem
querer entregar a fita, Cachoeira sugere que a Polícia
Federal faça uma operação de busca
e apreensão em sua casa e pegue a fita. Assim,
ele, Cachoeira, não se comprometia e o subprocurador
Santoro teria a fita que tanto desejava. Santoro não
concorda sob o argumento de que a fita desapareceria
nas mãos do governo:
SANTORO
A busca e apreensão vai ser feita
pela Polícia Federal, a Polícia Federal
vai levar a fita... é isso?... A primeira coisa
que vai ser, vai ser periciada e a primeira pessoa que
vai ter acesso a essa fita é o Lacerda (refere-se
a Paulo Lacerda, diretor-geral da Polícia Federal).
O segundo é o ministro da Justiça, o terceiro
é o Zé Dirceu e o quarto, o presidente.
Ouça
a gravação
"Que
sacanagem é essa?"
Diante
da resistência de Cachoeira, Santoro comenta que
ele mesmo está se expondo na conversa, mantida
em plena madrugada no prédio da Procuradoria-Geral
da República, de tal modo que pode ser flagrado,
a qualquer momento, por seu chefe:
SANTORO
Daqui a pouco o procurador-geral vai dizer
assim: "Porra, você tá perseguindo o governo
que me nomeou procurador-geral,
Santoro, que sacanagem é essa?... Você
tá querendo ferrar o assessor do Zé Dirceu,
que que você tem a ver com isso?..." Aí
eu vou dizer: "Não, eu não tenho nada...
tô ajudando... " ..."Porra, ajudando como? Você
é um subprocurador-geral, você não
tem que ficar na madrugada na procuradoria tomando depoimento
dos outros..."
Ouça
a gravação
"Pra
ferrar o chefe da Casa Civil"
Como
Cachoeira não concordasse em entregar a fita,
Santoro volta a dizer que seu chefe está prestes
a chegar ao trabalho e poderá flagrá-lo
tomando um depoimento comprometedor para o governo:
SANTORO
Estourou o meu limite. Daqui a pouco o Cláudio
chega (refere-se ao procurador-geral Cláudio
Fonteles), chega às 6 horas da manhã,
vai ver teu carro na garagem, vai saber o que tem e
vem aqui... e vai ver um subprocurador-geral empenhado
em derrubar o governo do PT... Três horas da manhã,
bicho! Ele vai vir aqui na minha sala, ele é
meu amigo, ele vai vir aqui, e vai ver eu tomando um
depoimento pra... desculpe a expressão... pra
ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da
República, o homem mais poderoso do governo,
ou seja, pra derrubar o governo Lula... A primeira coisa
que ele vai dizer é o seguinte: "O Santoro é
meu inimigo, porque ele podia, como meu amigo, ter ligado
pra mim e ter dito assim: 'Olha, vai dar porcaria pro
Zé Dirceu' ".
Ouça
a gravação
"Ou
você não acha que eu podia dar busca
e apreensão na tua casa em Anápolis"
Em
outro trecho, Santoro diz a Cachoeira que poderia ter
dado mandado de busca e apreensão na casa do empresário
em Anápolis.
SANTORO
"Ou você não acha que eu podia dar busca e apreensão
na tua casa em Anápolis, e isso eu perdia uma semana...
eu poderia ter dado busca e apreensão na tua casa em
Anápolis, podia ter dado... agora, tu imagina a violência...
o cara fala: "nego tem filho, tem mulher, Santoro, (ele)
sentou contigo, por favor"...você acha que eu não chegaria
e falaria: "olha, o (barato)"... se eles não tivessem...
vamos dar uma geral no cara... a Federal tinha arrebentado
em cima de Anápolis, principalmente sabendo o conteúdo
da fita... tinham pego essa fita e você sabe o que que
eles iam dizer? Eles iam pegar documento na tua casa,
carteira de identidade da tua mulher, e essa fita nunca
ia aparecer, tá?... porque se eles soubessem que não
fariam... (medo do) Lacerda... desculpe, ele vai ficar
puto comigo, a instituição dele não é bem assim... mas
em toda casa tem bandido, você sabe disso, não é não?...
Ouça
a gravação
|
|
|