Edição 1848 . 7 de abril de 2004

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Cartas

 

"Quantas toneladas pesa um ministro que já mandou muito e agora, sem rumo, é um rochedo no meio do caminho do próprio governo?"
Jaime Leitão
Rio Claro, SP

O governo Lula

Faço parte da minoria que não votou nesse governo, embora esteja sofrendo junto os efeitos de tamanha incompetência. Mas a capa de VEJA nos lavou a alma: ver o senhor José Dirceu ser chamado de peso morto não tem preço ("Ascensão e queda", 31 de março).
Silvia Ruiz
São Paulo, SP

A lógica indica que Lula dificilmente resgatará sua autoridade, pois aquele estrondoso prestígio de outrora continha o vício da artificialidade. A maioria dos brasileiros acreditou excessivamente nas vãs promessas de um homem cuja principal atividade era infernizar a vida dos governantes.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT

Gostaria de cumprimentar os eleitores (foram enganados, é claro) e o governo petista. Vocês realmente mudaram o país, para pior.
Altair Vieira de Albuquerque
Fátima do Sul, MS

O governo Lula não está paralisado. Esse desgoverno está, sim, dando marcha a ré.
José Freire
Brasília, DF

 

Stephen Kanitz

O artigo "A crise dos pais imperfeitos" (Ponto de vista, 31 de março) está fantástico. Pudessem todos os pais do país ter acesso a esse texto, com certeza a rebeldia entre os adolescentes diminuiria. Sinceramente, a decepção do Brasil com Lula não se deve a essa crise, e sim à falsa imagem do "pai perfeito" passada por ele ao povo em seu plano de governo, que, se tivesse 1% de seu conteúdo posto em prática, resolveria grande parte dos problemas nacionais num passe de mágica.
Bruno Giglio Beteloni
São José do Alegre, MG

Esse artigo me trouxe à lembrança uma frase que ouvimos muito quando somos filhos e repetimos à exaustão quando somos pais: "Você só vai entender como é difícil educar um filho quando for pai (ou mãe)". É muito fácil questionar e criticar os atos daqueles que elegemos como perfeitos, seja no governo, seja em nossa família. Mas, quando a situação se inverte e mudamos de posição, percebemos como é difícil manter o leme na direção certa.
Martha Duque e Silva
Valença, RJ

 

Lawrence Summers

A propósito da entrevista das páginas amarelas (31 de março) com o reitor de Harvard, gostaria de contribuir com o seguinte pensamento: educar mais do que simplesmente treinar. Ensinar a refletir com o mesmo esforço com que se ensina a fazer. Tal qual nas universidades, o desafio das organizações é criar condições para que o indivíduo possa se desenvolver e contribuir efetivamente para a geração de resultados. Como gestor, eu acredito nisso.
Marcos Tadeu de Paula Marques
Brasília, DF

Ao ler as páginas amarelas, chega-se à conclusão de que para uma coisa a viagem de Summers ao Brasil já valeu: lembrar que Bush não fez Harvard. Sim, porque sua política internacional é tudo, menos "soft power". Se além disso mostrar às nossas universidades que devem estimular a reflexão analítica, o pensar sobre o pensar, e não somente se apropriar do saber do outro, já terá superado nossa expectativa.
Osny Martins
Joinville, SC

 

O movimento de 1964

Cumprimento a revista VEJA pela excelente reportagem "O golpe, 40 anos depois" (31 de março), que retrata de forma clara, precisa e imparcial o período de 1964 a 1985. É importante que os jovens de hoje saibam o que os governos militares deixaram de contribuição para o país e possam fazer a comparação entre os vinte anos de ditadura e os vinte pós-ditadura, tão bem mostrados na matéria mencionada.
Pedro Luiz Pires Vieira
Niterói, RJ

 

Alexandra Tavares

Estava passando da hora de alguém "encarar" o coronelismo do Maranhão. Subserviência não é postura de gente livre. É coisa de escravo. Parabéns, Alexandra, e prepare-se, porque aí vem chumbo grosso ("A imperatriz do Maranhão", 31 de março)!
Ozires Mourão
Londrina, PR

 

Provão

VEJA nos brindou com duas reportagens de valor inestimável para a compreensão do sistema educacional brasileiro. Na primeira, o atual reitor da Universidade de Harvard destaca o valor secular das ciências humanas como denominador comum da aquisição do conhecimento científico e da inovação tecnológica, ao mesmo tempo que põe em relevo a importância da cultura da reflexão analítica e da técnica do "ensinar como aprender" no processo pedagógico de aquisição do conhecimento. Na segunda, VEJA nos mostra a realidade educacional brasileira através de uma radiografia do Provão, pela qual o ensino universitário do país ou foi reprovado ou ficou em "recuperação", no jargão estudantil. Enquanto um templo mundial do ensino universitário como Harvard está revisando vários de seus currículos, aqui no Brasil continuam a ser adotadas políticas educacionais públicas e privadas com os mesmos modelos de ensino inadequados sobre os quais se aplicam sistemas de avaliação mal gerenciados ("As notas no Provão dos 260 melhores cursos superiores", 31 de março).
Oswaldo Luiz Donatelli

São Paulo, SP

A Fundação Educacional de Barretos cumprimenta a equipe de reportagem desta revista pela matéria sobre os 260 melhores cursos do país. Para nós já havia sido uma vitória conquistar o "A" no Exame Nacional de Cursos (Provão), mas saber por essa publicação que temos a terceira melhor média do país foi uma grata surpresa e motivo de muita satisfação. Já estávamos felizes porque, no Provão de 2002, nosso curso de odontologia foi o segundo melhor do país e novamente manteve a nota "A". Isso comprova, mais uma vez, que VEJA é um veículo de informação sério e idôneo e um incentivo para nosso trabalho.
André Luiz Rezek
Presidente do conselho diretor Fundação Educacional de Barretos
Barretos, SP

A Faculdade de Medicina de Marília obteve conceito "A" em seus dois cursos, medicina e enfermagem, e vem ocupando posição de destaque por meio de inovações no processo de ensino-aprendizagem, humanização das relações entre estudantes, profissionais e pacientes, educação permanente para docentes e discentes, valorização do aprender-fazendo e da atuação com a comunidade, tudo em busca de um currículo aberto, configurado pela prática profissional reflexiva e capaz de contribuir para a transformação da realidade. Reconhecemos as limitações da avaliação do Provão e ressaltamos que uma delas é considerar médias numa avaliação referenciada em norma, uma vez que as médias podem ocultar enormes disparidades e diferenças. Reafirmamos que a avaliação dos cursos superiores no Brasil é essencial ao desenvolvimento e à mudança. Afinal, a maior aposta da educação deve ser no potencial de mudar pessoas, currículos e a sociedade. Nisso nós acreditamos!
Ricardo Shoiti Komatsu
Diretor de graduação Faculdade de Medicina de Marília
Marília, SP

Se ainda faltava clareza, a revista VEJA põe a nu minuciosa elucidação do assunto, de modo a poder-se avaliar com maior acuidade o valor e a importância – objetiva e subjetiva – da criação dos tais exames anuais dos alunos. Sem desejar parodiar o ex-presidente Jânio Quadros, hoje nos parece mais do que evidente que "forças ocultas" interferem naquele ministério, para implodir um dos maiores galardões do governo FHC na introdução daqueles métodos inteligentes de avaliação das escolas. Parabéns a VEJA pela excelência da reportagem.
Dálvares Barros de Mattos
São Paulo, SP

Os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) não esclarecem que as provas de 2003 de nove dos 23 cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), inscritos no exame chamado Provão, foram extraviadas pelo Inep. De modo que 640 alunos inscritos esperaram em vão pelas provas em 8 de junho de 2003. Esses estudantes não foram avaliados, nem os cursos de biologia, direito, enfermagem, farmácia, geografia, história, letras, medicina e medicina veterinária, cursos tradicionais e de conceitos "A" ou "B" nos anos em que foi aplicado o Provão.
Marcos Cesar Gouvea
Assessoria de comunicação social da
Universidade Estadual de Londrina
Londrina, PR

 

Computadores

Em relação à reportagem "Uma pedra no caminho de Gates" (31 de março), o software livre é um novo paradigma tecnológico que vem sendo adotado mundialmente. O crescimento do uso do sistema operacional Linux, tanto na área governamental como na privada, tem sido apontado nas últimas pesquisas sobre a questão. Alguns aplicativos em código aberto dominam amplamente o mercado mundial, como o servidor de web chamado Apache, que é utilizado em mais de 70% dos sítios e está presente, por exemplo, na Casa Branca, no Deutch Bank e no Ministério da Cultura. O cenário internacional aponta nessa direção. Sistemas e aplicativos em software livre já fazem parte da prefeitura de Munique e da região da Extremadura na Espanha, entre outros. Grandes organizações da área de TI, como IBM e Novell, também apostam na alternativa. O governo brasileiro assumiu o desafio de garantir a propagação livre do conhecimento, geradora de emprego e renda, além de permitir a diversidade de fornecedores. Até o fim deste ano, os ministérios da Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura, Minas e Energia e das Relações Exteriores mudarão para o código aberto.
Sérgio Amadeu da Silveira
Coordenador do Comitê Técnico de Implementação do Software Livre
Brasília, DF

 

O governo Lula 2

Lemos indignados o quadro "Retratos da paralisia do governo" ("Ascensão e queda", 31 de março), que comenta atos da ministra Marina Silva. Indignados porque sentimos na pele os efeitos da incompetência e do despreparo dos atuais responsáveis pelos setores em que trabalhamos. Produzimos anualmente algo em torno de 1 milhão de metros cúbicos de compensado, o que significa um faturamento em torno de 300 milhões de dólares por ano. Precisamos, para isso, reflorestar no mínimo aquilo que consumimos. A ministra Marina Silva assinou as portarias 507 e 176 impedindo o reflorestamento de quaisquer essências exóticas em nossa região, com o intuito de proteger a araucária. Porém, grande parte da área atingida pelas portarias é de campos, onde não há, nem nunca houve, uma árvore sequer de pinheiro-do-paraná. Isso mostra o desconhecimento da realidade de nossa região e de nossas necessidades. A manutenção dessas portarias ocasionará em médio prazo o fechamento das empresas, que empregam direta e indiretamente mais de 10.000 pessoas.
Maria Elena
Presidente da Assoflor
Palmas, TO

 

Oswaldo Montenegro

Os apreciadores das músicas de Oswaldo Montenegro, que, além de acompanhar sua vida amorosa, conhecem o trabalho que ele e sua equipe propiciam aos jovens, como as oficinas para músicos e atores, sabem que o valor de suas letras vai muito além de Agonia. A crítica o chama de chato porque ele nunca precisou dela para fazer sua carreira crescer. O que falta aos sertanejos, axezeiros e pagodeiros sobra nas músicas do Oswaldo: poesia ("O chato é ser gostoso", 31 de março).
Jacqueline G. Pinheiro
Curitiba, PR

 

Terror

Contrariamente ao que muitos pensam, o atentado a Madri se transformou numa vitória para a paz, a democracia e a solidariedade, graças à impressionante reação do povo espanhol, que confirmou estar contra a guerra no Iraque, castigou severamente o governo por ter desprezado sua opção pela paz e por ter mentido depois do atentado e fez fila para doar sangue às vítimas. Tal povo merece respeito e gratidão depois de ter pago um custo tão alto e cruel ("As vítimas somos todos nós", 17 de março).
Janusz Fedorowicz
Bruxelas, Bélgica

 

CORREÇÕES: A Faculdade de Odontologia de Caruaru fica no Estado de Pernambuco, e não do Ceará ("As notas no Provão dos 260 melhores cursos superiores", 31 de março). Lou Marinoff, professor da City College de Nova York, é canadense, e não americano, como publicado na legenda da foto ("Sócrates no divã", 31 de março). Milene Domingues treina com a seleção brasileira em Teresópolis, e não em Petrópolis (Gente, 24 de março). O banqueiro Daniel Dantas conseguiu anular a sentença que lhe era desfavorável na corte de Cayman. Mas, diferentemente do que afirmou a nota "Vitória em Cayman" (Radar, 31 de março), o autor da ação judicial, que acabou voltando-se contra Dantas, era ele próprio, que processara o executivo Luiz Demarco, do CVC Opportunity.

 
LEI DE ZECA?

A maioria dos 201 leitores que escreveram para a redação de VEJA comentando a entrevista com o cantor Zeca Pagodinho (Amarelas, 24 de março) criticou sua atitude de trocar de cerveja. Enquanto 18% dos leitores elogiaram o músico, 82% o condenaram com veemência. Os mais exaltados criticaram sua "ética de Xerém" e rebatizaram o sambista. Alguns dos nomes sugeridos pelos leitores: Zeca Engodinho, Zeca Pacotinho, Jeca Pagodinho, Gerson Pagodinho, Zeca Calotinho e Zeca Espertinho.

 

O VERTEDOURO DE ITAIPU

Caio Coronel
Barragem de Itaipu: vertedouro do lado paraguaio

A foto da barragem de Itaipu que ilustrou as páginas 104 e 105 da reportagem "O golpe, 40 anos depois" (31 de março) está invertida. Quem apontou o erro foram os leitores Djalma Antonio Ramos, de Foz do Iguaçu, no Paraná, funcionário da usina há 29 anos, o engenheiro gaúcho Milton Fensterseifer, da cidade de Panambi, e Hélio Teixeira de Oliveira, assessor de comunicação social da Itaipu Binacional. "O vertedouro (por onde escoa a água não turbinada) está construído na margem paraguaia do Rio Paraná, e não, como está na foto, na margem brasileira", escreveu Oliveira, que enviou a foto ao lado.
 
 
 
 
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