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Edição 1998

07 de março de 2007
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Vale Proibido (Down in the Valley, Estados Unidos, 2005. Paris) – Harlan (Edward Norton) tem passado ignorado, mas, na opinião do pai da adolescente Tobe (Evan Rachel Wood), não há dúvida sobre qual será seu futuro – encrenca, das feias. Um vagabundo sem eira nem beira, que se acredita um caubói das antigas e aparece em Los Angeles como se estivesse entrando em Dodge City, Harlan seduz Tobe, aproveita para cooptar o irmão caçula dela (Rory Culkin) e os vira contra o pai (David Morse). Mas o faz com um jeito tão gentil e vulnerável que, até que suas verdadeiras cores se revelem, parece uma injustiça concordar que de fato nada de bom poderá sair dessa associação. Inédito nos cinemas brasileiros, Vale Proibido é um filme pequeno, mas singular, ancorado em excelentes interpretações (começando, como sempre, pela de Norton). Veja cenas.

Chris Gordon/Getty Images
Tilson Thomas: aula de música, por quem mais entende dela


Keeping the Score: Revolutions in Music,
Michael Tilson Thomas (SFS) – Diretor artístico da Sinfônica de São Francisco, o regente Michael Tilson Thomas nunca escondeu a admiração pelo estilo elegante de Leonard Bernstein (1918-1990). Ele gravou as nove sinfonias de Gustav Mahler, uma das especialidades do repertório do ídolo, e agora encarnou a persona de professor de música – em moldes semelhantes aos criados por Bernstein nos anos 60. Keeping the Score fala de obras-primas da música erudita, como a Eroica, de Beethoven, e A Sagração da Primavera, de Stravinski, de sua concepção ao seu impacto. O competente conjunto do maestro interpreta as peças.

 

DISCO

 

Dave Hogan/Getty Images

O libanês Mika: sofrido, mas pop

 

Life in a Cartoon Motion, Mika (Universal) – O estilo desse cantor libanês de 23 anos é aquilo que os ingleses chamam de flamboyant – ou espalhafatoso. Mika tem uma vozinha aguda, letras irônicas e canções inspiradas em Madonna e na disco dos anos 70. Um bom exemplo é o single Grace Kelly, em que diz que gostaria de se tornar Grace Kelly, mas, como ela era muito triste, resolveu virar Freddie Mercury. Life in a Cartoon Motion, porém, é tudo o que se espera de um disco pop. Tem um punhado de canções divertidas e faixas que inspiram o ouvinte a improvisar uma pista de dança na sala. Mika teve uma vida sofrida: sua família se mudou de Beirute para Paris e Londres por causa da guerra civil, e o cantor conheceu de perto o preconceito. Nada mais justo que procure um pouco de diversão.

 

CINEMA

Letra e Música (Music and Lyrics, Estados Unidos, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Nos anos 80, Alex Fletcher (Hugh Grant) foi uma das metades de uma dupla de imenso sucesso – que, não por acaso, lembra muito o Wham! de George Michael. Só que Alex era o outro sujeito, aquele de quem ninguém mais se lembra. Do dia para a noite, ele ganha a chance de reviver a carreira para além de seu circuito habitual de feiras agropecuárias e reuniões de colégio. Isto é, desde que consiga domar as neuroses de sua letrista (Drew Barrymore) e produzir uma faixa decente para uma estrela pop. Comédia romântica das mais despretensiosas, Letra e Música vale pela simpatia e por Grant, que hoje em dia se dispõe a qualquer vexame. (Provavelmente porque sabe que sempre sairá muito bem dele.)

 

LIVROS

Os Jardins de Kensington, de Rodrigo Fresán (tradução de Sérgio Molina; Conrad; 520 páginas; 57 reais) – Espécie de versão paródica de J.K. Rowling, a criadora da série Harry Potter, Peter Hook é um escritor de livros infantis que vende milhões no mundo todo com as aventuras de Jim Yang, um garoto que viaja no tempo. Criado por pais ripongas que recebiam gente como Bob Dylan em casa, Hook é obcecado por J.M. Barrie, o dramaturgo vitoriano que criou Peter Pan, e por Peter Llewelyn Davies, o menino que inspirou o personagem (e que acabaria sua vida adulta jogando-se sob as rodas de um trem, em 1960). Cruzando personagens reais e fictícios, o autor argentino Rodrigo Fresán compôs um romance divertido e inteligente, que especula sobre as relações entre literatura e infância. Leia trecho.

O Valete de Espadas, de Boris Akunin (tradução de Mônica Braga; Suma de Letras/Objetiva; 192 páginas; 33,90 reais) – Nos anos finais da União Soviética, o filólogo Grigori Tchkartchvili ganhava a vida traduzindo textos técnicos do japonês para o russo. Depois da queda do comunismo, resolveu lançar-se como escritor, em um gênero tipicamente "burguês" – o romance policial –, e fez um tremendo sucesso. Sob o pseudônimo Boris Akunin, criou a série estrelada por Erast Fandórin, um detetive que atua na Rússia czarista, e já vendeu 11 milhões de livros no mundo todo. Nesse quinto episódio, Fandórin enfrenta um vigarista que faz suas vítimas perder não só o dinheiro, mas também a reputação. O impostor tem uma assinatura célebre: deixa um valete de espadas na casa das pessoas que enganou. Leia trecho.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Campinas: Fnac; Rio: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Brasília: Fnac, Laselva, Saraiva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Natal: Laselva; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Fnac, Livrarias Curitiba, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Laselva; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Nobel, Saraiva, Submarino.

 

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