Vale
Proibido (Down in the Valley, Estados Unidos, 2005. Paris) Harlan
(Edward Norton) tem passado ignorado, mas, na opinião do pai da adolescente
Tobe (Evan Rachel Wood), não há dúvida sobre qual será
seu futuro encrenca, das feias. Um vagabundo sem eira nem beira, que se
acredita um caubói das antigas e aparece em Los Angeles como se estivesse
entrando em Dodge City, Harlan seduz Tobe, aproveita para cooptar o irmão
caçula dela (Rory Culkin) e os vira contra o pai (David Morse). Mas o faz
com um jeito tão gentil e vulnerável que, até que suas verdadeiras
cores se revelem, parece uma injustiça concordar que de fato nada de bom
poderá sair dessa associação. Inédito nos cinemas
brasileiros, Vale Proibido é um filme pequeno, mas singular, ancorado
em excelentes interpretações (começando, como sempre, pela
de Norton). Veja
cenas.
Chris
Gordon/Getty Images
Tilson
Thomas: aula de música, por quem mais entende dela
Keeping
the Score: Revolutions in Music, Michael Tilson Thomas (SFS) Diretor
artístico da Sinfônica de São Francisco, o regente Michael
Tilson Thomas nunca escondeu a admiração pelo estilo elegante de
Leonard Bernstein (1918-1990). Ele gravou as nove sinfonias de Gustav Mahler,
uma das especialidades do repertório do ídolo, e agora encarnou
a persona de professor de música em moldes semelhantes aos criados
por Bernstein nos anos 60. Keeping the Score fala de obras-primas da música
erudita, como a Eroica, de Beethoven, e A Sagração da
Primavera, de Stravinski, de sua concepção ao seu impacto. O
competente conjunto do maestro interpreta as peças.
DISCO
Dave
Hogan/Getty Images
O
libanês Mika: sofrido, mas pop
Life
in a Cartoon Motion, Mika (Universal) O estilo desse cantor libanês
de 23 anos é aquilo que os ingleses chamam de flamboyant
ou espalhafatoso. Mika tem uma vozinha aguda, letras irônicas e canções
inspiradas em Madonna e na disco dos anos 70. Um bom exemplo é o single
Grace Kelly, em que diz que gostaria de se tornar Grace Kelly, mas, como
ela era muito triste, resolveu virar Freddie Mercury. Life in a Cartoon Motion,
porém, é tudo o que se espera de um disco pop. Tem um punhado de
canções divertidas e faixas que inspiram o ouvinte a improvisar
uma pista de dança na sala. Mika teve uma vida sofrida: sua família
se mudou de Beirute para Paris e Londres por causa da guerra civil, e o cantor
conheceu de perto o preconceito. Nada mais justo que procure um pouco de diversão.
CINEMA
Letra
e Música (Music and Lyrics, Estados Unidos, 2007. Desde sexta-feira
em cartaz no país) Nos anos 80, Alex Fletcher (Hugh Grant) foi uma
das metades de uma dupla de imenso sucesso que, não por acaso, lembra
muito o Wham! de George Michael. Só que Alex era o outro sujeito, aquele
de quem ninguém mais se lembra. Do dia para a noite, ele ganha a chance
de reviver a carreira para além de seu circuito habitual de feiras agropecuárias
e reuniões de colégio. Isto é, desde que consiga domar as
neuroses de sua letrista (Drew Barrymore) e produzir uma faixa decente para uma
estrela pop. Comédia romântica das mais despretensiosas, Letra
e Música vale pela simpatia e por Grant, que hoje em dia se dispõe
a qualquer vexame. (Provavelmente porque sabe que sempre sairá muito bem
dele.)
LIVROS
Os
Jardins de Kensington, de Rodrigo Fresán (tradução
de Sérgio Molina; Conrad; 520 páginas; 57 reais) Espécie
de versão paródica de J.K. Rowling, a criadora da série Harry
Potter, Peter Hook é um escritor de livros infantis que vende milhões
no mundo todo com as aventuras de Jim Yang, um garoto que viaja no tempo. Criado
por pais ripongas que recebiam gente como Bob Dylan em casa, Hook é obcecado
por J.M. Barrie, o dramaturgo vitoriano que criou Peter Pan, e por Peter Llewelyn
Davies, o menino que inspirou o personagem (e que acabaria sua vida adulta jogando-se
sob as rodas de um trem, em 1960). Cruzando personagens reais e fictícios,
o autor argentino Rodrigo Fresán compôs um romance divertido e inteligente,
que especula sobre as relações entre literatura e infância.
Leia
trecho.
O
Valete de Espadas, de Boris Akunin (tradução de Mônica
Braga; Suma de Letras/Objetiva; 192 páginas; 33,90 reais) Nos anos
finais da União Soviética, o filólogo Grigori Tchkartchvili
ganhava a vida traduzindo textos técnicos do japonês para o russo.
Depois da queda do comunismo, resolveu lançar-se como escritor, em um gênero
tipicamente "burguês" o romance policial , e fez um tremendo
sucesso. Sob o pseudônimo Boris Akunin, criou a série estrelada por
Erast Fandórin, um detetive que atua na Rússia czarista, e já
vendeu 11 milhões de livros no mundo todo. Nesse quinto episódio,
Fandórin enfrenta um vigarista que faz suas vítimas perder não
só o dinheiro, mas também a reputação. O impostor
tem uma assinatura célebre: deixa um valete de espadas na casa das pessoas
que enganou. Leia
trecho.