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Edição 1998

07 de março de 2007
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Punida pela boa ação

A descabida intromissão do MPF na novela das 8


Divulgação
Clara: contra o preconceito


Encerrada na semana passada, a novela Páginas da Vida ganhou um lugar na história da teledramaturgia brasileira como a primeira a abordar o preconceito contra os portadores da síndrome de Down. Apesar de essa intenção ter sido óbvia e ululante, o Ministério Público Federal achou pouco. Às vésperas do fim da novela, o procurador regional paulista Sérgio Gardenghi Suiama e a procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga Fávero encaminharam à Globo uma carta em que recomendavam que o autor, Manoel Carlos, incluísse na novela cenas para mostrar que é crime uma escola recusar uma criança portadora de deficiência, como ocorreu com a personagem Clara (Joana Mocarzel), ou então veiculasse nos créditos finais uma mensagem a tal respeito. O não-cumprimento poderia acarretar uma ação contra a emissora por dano moral coletivo. A recomendação é estapafúrdia, por ter vindo com seis meses de atraso: já fazia tempo que a escola de Clarinha não era assunto na trama. Ela é tola, pois a novela deixou claro que a ação da escola era errada: exigir que além dessa mensagem uma novela ainda divulgue minúcias da lei extrapola o razoável. Finalmente, ela é perigosa: não é função de promotores reescrever roteiros; aberto o precedente, que idéias as autoridades vão querer impingir ao folhetim de amanhã? Noveleiros com freqüência criam cenas grosseiras e apelativas. O próprio Manoel Carlos cometeu deslizes em Páginas da Vida. Mas, ao falar da síndrome de Down, ele fez um trabalho corajoso. Os procuradores querem puni-lo pela boa ação.

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