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Edição 1998

07 de março de 2007
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Justiça
200 anos por 20 fotos

O espantoso caso do pedófilo condenado
a dois séculos de cadeia apenas por sua
coleção de imagens


Rafael Corrêa

 

Michael Ging
Prisão de Lewis, no Arizona: lar do pedófilo até a morte

Pela repugnância que provoca e pelas seqüelas que deixa em suas vítimas, o crime de pedofilia tem sido punido com severidade cada vez maior em todo o mundo. Mesmo assim, causa espanto a recente condenação pela Justiça americana de Morton Berger, 56 anos, professor do ensino médio na cidade de Phoenix, no Arizona. Berger foi condenado a 200 anos de prisão, em regime fechado, sem possibilidade de redução da pena por bom comportamento ou de liberdade condicional. Não consta que o professor tenha alguma vez molestado crianças. O julgamento se amparou apenas em vinte dos milhares de fotos pornográficas envolvendo menores de idade que ele mantinha no computador de sua casa, descobertas em 2002. As vinte fotos foram selecionadas pela promotoria, entre as mais chocantes, para ser apresentadas ao júri. Ao fim da sessão, o juiz decidiu imputar a Berger uma pena de dez anos por cada uma das fotos envolvidas no processo. Foi uma vitória da defesa – os promotores pediam dezessete anos de cadeia por foto. Na semana passada, a Suprema Corte, última instância da Justiça americana, selou a sorte de Berger ao desconsiderar um pedido de revisão de sua pena. Ele permanecerá trancafiado até a morte na prisão de Lewis, no Arizona.

Berger: sem direito a atenuantes

A sentença de Morton Berger é, de longe, a mais dura já imposta nos Estados Unidos num processo envolvendo pedofilia. A legislação do Arizona contra a exploração sexual de crianças é considerada a mais rigorosa do país. Pela lei estadual, o criminoso recebe uma condenação por cada prova apresentada em julgamento. As condenações são cumulativas e o criminoso não tem direito a nenhuma atenuante. A pena é ainda maior se as vítimas tiverem menos de 15 anos. A polícia chegou a Berger rastreando os dados de seu cartão de crédito na lista de clientes de um site de pornografia. Não há registro de que o professor, que tem quatro filhos, tenha distribuído as imagens a outras pessoas ou ganho algum dinheiro com a venda das fotos. "Em outros estados americanos, um juiz poderia considerar o histórico de Berger e aliviar a pena. Mas a lei no Arizona é tão severa que há pouco espaço para o juiz exercer seu poder de decisão, restando-lhe apenas aplicar a sentença como manda a lei", explicou a VEJA Douglas Berman, professor de direito da Universidade Estadual de Ohio. No Brasil, Berger estaria livre, mesmo depois de a polícia descobrir fotos pornográficas com crianças em seu computador. A legislação brasileira só considera crime a divulgação – e não a posse – desse tipo de material.

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