Prefeita faz festa de 2 milhões
de reais e
é acusada de superfaturar cachês de artistas
Marcelo Carneiro
Jarbas Oliveira
Luizianne: uma petista de verdade
Durante a sua campanha
à prefeitura de Fortaleza, a petista Luizianne Lins
trombou de frente com a cúpula do seu partido (leia-se,
naquele tempo, José Dirceu, José Genoíno
e companhia). Boicotada pela direção nacional,
que apoiava o candidato do PCdoB, ela chegou a ter sua renúncia
"anunciada" por Genoíno, então presidente da
sigla. Teimou, concorreu e agora, vitoriosa, parece perfeitamente
adaptada aos ditames do partido e seu modus operandi. Em dezembro,
a prefeita promoveu uma festança na cidade para comemorar
a virada do ano. Até aí, nada de mais
não fossem dois problemas. O primeiro é que
a farra foi quase toda bancada por dinheiro público.
Dos 2,2 milhões de reais que consumiu, apenas 200.000
reais não saíram de órgãos federais.
O resto veio do Ministério do Turismo, da Caixa Econômica
e do Banco do Brasil. O segundo problema não se resume
a uma questão de ética (ou de falta dela): é
de natureza criminal mesmo.
Diário do Nordeste
O show era de Elba; o preço
era de Vênus
Ao analisarem a
prestação de contas da festa, vereadores da
oposição descobriram que ela estava flagrantemente
superfaturada. Um show de Elba Ramalho, por exemplo, que não
cobra mais que 100 000 reais por apresentação,
saiu por cinco vezes mais. O do sanfoneiro Dominguinhos, cujo
cachê é de 50.000 reais, foi contabilizado em
340.000 reais. "Queria saber onde foi parar o resto do dinheiro",
disse o sanfoneiro. A Estrutural, empresa escolhida pela prefeitura
(sem licitação, claro) para organizar a festança,
diz que tudo não passou de um "erro de lançamento",
já que os valores não se referem só aos
cachês incluem passagens, hospedagem, iluminação,
som e segurança. O argumento não convenceu quem
entende do negócio. "Mesmo assim, um show como o da
Elba não custaria mais do que 250.000 reais", diz um
dos principais produtores de espetáculos do país.
E a prefeita, o que diz sobre o episódio? "Nunca vi
tanto estardalhaço. Isso é política pura."
A história recente já mostrou a espantosa naturalidade
com que petistas misturam o que é do Estado com o que
é do governo e do partido. Luizianne Lins, pelo que
se vê, aprendeu rápido.