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Edição 1998

07 de março de 2007
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Brasil
Cirurgia de risco

Políticos só falam na reforma, mas é pura ânsia
fisiológica: o governo segue funcionando normalmente


Diego Escosteguy


Celso Junior/AE
O presidente: adiamentos sucessivos da reforma

O presidente Lula já completou dois meses do seu segundo mandato e até agora não fez a reforma ministerial – e isso está acabando com os nervos dos políticos e dos colunistas políticos em Brasília. Eles não falam em outra coisa. Até parece que a reforma ministerial é uma urgência nacional, única alternativa para salvar o governo de uma dramática paralisia administrativa. Examinando-se os dados objetivos, constata-se uma situação bastante diferente. Nas duas últimas semanas, VEJA apurou que, em pelo menos sete dos mais importantes ministérios em que pode haver mudança de comando durante a reforma, a máquina está em pleno funcionamento. Em alguns, como o Ministério dos Transportes, opera-se numa serena normalidade. Em outros, como o Ministério da Agricultura, existe até um empenho redobrado no trabalho. É possível que parte dos ministérios esteja melhor agora, nas mãos de técnicos, do que estará amanhã, quando passar para o comando de políticos.

Com os sucessivos adiamentos da reforma, criou-se um "efeito Marta Suplicy". Sempre que a ex-prefeita de São Paulo é cogitada pelo PT para ocupar um determinado ministério, o titular da pasta sob a cobiça petista duplica suas atividades para tentar se manter no cargo. No Ministério da Educação, um dos alvos do PT, o ministro Fernando Haddad está empenhado em mobilizar uma equipe de dez técnicos para apresentar logo ao presidente Lula um plano que já foi apelidado de "PAC da Educação" – e, quem sabe, conseguir permanecer no cargo. Nas Cidades, outro objeto do desejo do PT, o ministro Marcio Fortes tem atropelado as refeições para tirar do papel quase 3 bilhões de reais em investimentos. A esperança é que, com isso, consiga manter o ministério. "Não descanso um só segundo", exagera Marcio Fortes, que, embora ocupe o cargo na cota do PP, é um servidor de carreira.

"O ideal seria ter técnicos à frente dos ministérios", analisa o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB). "O problema é que o governo precisa de maioria para governar, e para ter maioria numa democracia com tantos partidos é necessário distribuir cargos a rodo." O caso demonstra que a exigência por reforma ministerial não deve ser interpretada como preocupação com a eficiência da máquina pública, mas como sintoma da ânsia fisiológica dos partidos. Na semana passada, soube-se que o PT chegou a cogitar escalar Marta Suplicy para o Ministério do Trabalho, mas desistiu. O motivo: a pasta tem pouco poder e pouco dinheiro para uma estrela petista.

 

Roberto Jayme/AE


FERNANDO HADDAD,
MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Está montando um ambicioso plano de investimentos na educação. Para apresentar logo o plano a Lula, tem almoçado no gabinete e sacrificou a folga do Carnaval.



Roosewelt Pinheiro/ABR


LUÍS CARLOS GUEDES,
MINISTRO DA AGRICULTURA

Com pós-doutorado em agronomia na Espanha, Guedes está há quarenta anos no serviço público. No atual posto, passou a dar expediente aos sábados.



Marcello Casal Jr/ABR


AGENOR ÁLVARES,

MINISTRO DA SAÚDE

Para fazer andar o mais mastodôntico ministério da Esplanada, Álvares, que é um dos mais antigos servidores da pasta, despacha das 8 da manhã às 9 da noite.



Wilson Dias/ABR


MARCIO FORTES,

MINISTRO DAS CIDADES

Na esperança de sobreviver à reforma ministerial, Fortes trabalha muito. Toma café-da-manhã no gabinete, pula o almoço e só deixa a pasta por volta das 11 da noite.

 

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