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Lauro Jardim

.POLÍTICA

Fica para mais tarde

FHC anunciará nesta semana somente os nomes dos ministros das Minas e Energia e da Previdência Social. Uma reforma ministerial mais ampla só será feita depois que a fogueira política parar de arder.

 

Adversários cordiais

Recentemente, os candidatíssimos Anthony Garotinho e José Serra encontraram-se secretamente no Rio de Janeiro e não pararam de falar sobre 2002. É uma daquelas conversas que valem menos pelo que é dito e mais pelo que é omitido.

 

Querendo crescer

Aliás, Garotinho decidiu usar parte de seu tempo para estruturar o PSB país afora. Traduzindo, quer inchar o partido, ainda modesto para o tamanho de sua ambição.

 

Razões poderosas

Um pefelista afeito a fazer contas acha que o PFL de ACM e o de Jorge Bornhausen podem – e ainda irão – trocar alguns cascudos em público, mas continuarão no mesmo partido. E por um motivo simples, que ninguém explicita muito: o tempo a que cada partido tem direito na televisão na época das eleições.

 

Páreo ministerial

Virou fumaça na sexta-feira passada a idéia de fazer do deputado pefelista Eliseu Resende o novo ministro das Minas e Energia. Eliseu tinha padrinhos poderosos e conhece bem o setor, mas FHC não quer nenhuma nomeação que dê munição para ACM atirar: há oito anos, Eliseu deixou o Ministério da Fazenda de Itamar Franco por causa de suas ligações com a Construtora Odebrecht. Como se não bastasse, a empreiteira, apesar de baiana, não come o mesmo acarajé que ACM – são inimigos. Em compensação, o nome do senador José Jorge desponta quase imbatível para assumir a Previdência Social.

 

.ECONOMIA

Está esquentando

Continuam a mil por hora as diligências do Pão de Açúcar no Ponto Frio. Aguarda-se para breve uma proposta de Abilio Diniz.

 

Vento a favor

A barafunda política segue impávida, mas os números da economia continuam mostrando saúde de ferro neste início de ano – pelo menos por enquanto. O governo divulga nesta semana dois desses indicadores. Um deles revela que nunca se arrecadou tanto FGTS no país. Foram 3,3 bilhões de reais no primeiro bimestre, 10% mais que no mesmo período do ano passado. O outro indicador mostra que caiu 15% o volume de dinheiro pago para o seguro-desemprego nos dois primeiros meses do ano.

 

Azedas relações

O clima entre a diretoria do Banco do Brasil, que já não era bom havia tempos, anda mais carregado do que nunca.

 

Mico antigo

O empresário Olavo Monteiro de Carvalho estuda a possibilidade de processar o Banco Central por causa do Boavista – banco que comprou há quatro anos e já vendeu para o Bradesco, mas perdendo rios de dinheiro. Ele não se conforma com que diversas sindicâncias do BC nunca tenham encontrado os esqueletos que perambulavam pela contabilidade do Boavista antes que ele o comprasse.

 

Ajuda (involuntária) do Canadá

Com a sandice sobre o mal da vaca louca no Brasil, o Canadá acabou sendo obrigado a revelar aos quatro ventos que o gado brasileiro está saudável como nunca. O governo quer agora aproveitar a chancela internacional para aumentar as exportações de carne bovina para a Europa, que anda assustada com os focos de febre aftosa no Reino Unido. A pedido do ministro Pratini de Moraes, o embaixador Sérgio Amaral reuniu-se na semana passada em Londres com o publicitário Martin Sorrel, presidente da WPP, uma das maiores agências de propaganda do mundo. A ação brasileira até parece estouro de boiada: rápida e agressiva.

 

Elefante branco

A fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, inaugurada com todas as pompas há dois anos, é hoje a grande dor de cabeça da montadora alemã. A capacidade ociosa anda alta na linha de montagem.

 

. CERVEJA

Um gigante à espreita

A Budweiser, a maior cervejaria do mundo, que há alguns anos já botou e tirou o pé do Brasil, está num compasso de espera estratégico: há planos de a Bud ressurgir no país por meio de uma aquisição. Não seria para já. Os gringos preferem esperar que o mercado pós-AmBev se reassente para o seu retorno.

 

O rei da sonegação

Oscar Cabral/Antonio Milena
Natalino: atração irresistível pela fraude


A distribuição de combustíveis e a fabricação de cigarros têm duas coisas em comum. A primeira: são os setores mais afetados pela sonegação de impostos e pela fraude. A segunda: Ari Natalino da Silva. Quem? Não se preocupe em nunca ter ouvido falar desse cidadão. Ele prefere as sombras. Natalino até agora dava um trabalhão às autoridades somente com a Petroforte, sua distribuidora de combustíveis, listada entre as campeãs da sonegação. Farejador de oportunidades, acaba de abrir a Itaba, um fabricante de cigarros que tem a mesma filosofia empresarial da Petroforte. Seus maços de cigarros podem ser encontrados nos melhores camelôs da praça. Logo, logo funda uma empresa de refrigerantes ou uma fábrica de CDs, setores também acossados pela fraude e falsificação.

 

.CONSUMO

Gosto requintado

A Bahia é mesmo uma terra de mistérios. O mais recente surge numa pesquisa do Ibope/TGI, ainda inédita. Mostra que Salvador, com 21%, está na frente de São Paulo (20%) no número de pessoas que declaram consumir vinho. O dado chama a atenção porque São Paulo tem a maior colônia italiana do país, além de um clima mais propício ao consumo da bebida. O estudo não fala da qualidade do vinho tomado, mas ainda assim é impressionante.

 

Pileque de números

Quem disse que o Brasil é o país da cachaça deve estar bêbado ou não conhece mesmo o gosto do brasileiro. A mesma pesquisa Ibope/TGI revela que a bebida ostenta modestíssimo quarto lugar na preferência nacional. Somente 6% dos entrevistados declararam consumir a boa e velha pinga. Está atrás do uísque, um concorrente que, imaginava-se, era restrito a círculos mais sofisticados. Na ponta, com muitos copos de vantagem, está a cerveja (com 45% do total), seguida pelo vinho (22%).

 

.AVIAÇÃO

Concorrência para valer

Deve sair até o final do mês a autorização do DAC para que a Gol faça a ponte aérea Rio–São Paulo, entre os aeroportos Santos Dumont e Congonhas. Quando isso acontecer, aí sim, Varig, Vasp, TAM e Transbrasil irão sentir a concorrência queimar os cascos de seus aviões. A pressão das quatro grandes contra a concessão dessa linha (a mais rentável da aviação brasileira) é intensa nos bastidores, mas o DAC não quer nem saber de cara feia.

 

..TELEVISÃO

Bom, mas nem tanto

A Rede Globo lucrou no ano passado 270 milhões de dólares. É dinheiro que não acaba mais, mas ainda assim abaixo dos cerca de 300 milhões de dólares que as Organizações Globo pagaram de juros de sua dívida no período.

 

 

 

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