Jeitinho
nacional
Jordana Brewster, que tem mãe
carioca e pai americano,
é uma
das promessas de Hollywood
Isabela
Boscov
Parece que ela tem tudo: carreira de americana, charme de
brasileira, sobrenome importante, namorado lindo e famoso.
Aos 20 anos, a atriz Jordana Brewster, que já foi comparada
a Demi Moore jovem, vive na realidade o sonho de milhões
de adolescentes. Com seu jeito brejeiro, a moreninha passa
longe do padrão loura anoréxica de Hollywood
mas está conquistando oportunidades pelas quais
suas rivais magérrimas cometeriam até a loucura
extrema de traçar um bom hambúrguer com fritas.
Há poucas semanas, ela marcou presença no Festival
de Sundance, a meca do cinema independente. Jordana foi às
montanhas nevadas do Estado de Utah para promover seu novo
filme, Uma História a Três (The
Invisible Circus, Estados Unidos, 2001), que desde sexta-feira
está em cartaz no país. A fita, em que contracena
com Cameron Diaz, tem uma certa ambição e permitiu
à jovem atriz subir um significativo degrau na carreira
iniciada precocemente, aos 15 anos, nos novelões da
televisão americana. Incluída na reportagem
de capa da cobiçada edição da revista
Vanity Fair que aponta os talentos mais promissores
do cinema dos Estados Unidos, Jordana já tem outro
filme pronto, a trama de ação The Fast and
the Furious
Divulgação
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| O
namorado de Jordana, Mark Wahlberg: cobiçado pelas
adolescentes americanas |
Tem também o acessório mais importante para
uma jovem estrela em ascensão: um namorado do mesmo
ramo, só que em um patamar mais avançado na
escala dos famosos. No caso, o musculoso Mark Wahlberg, de
Boogie Nights, que já foi conhecido como o rapper
Marky Mark, um dos bonitinhos mais cobiçados pelas
adolescentes americanas. "Mas prefiro não falar sobre
isso", disse Jordana a VEJA, repetindo o eterno clichê
em português perfeito, num intervalo dos estudos para
uma bateria de exames na universidade. Nascida no Panamá
em virtude das andanças familiares e morando há
uma década nos Estados Unidos, ela é meio americana
por parte do pai, o banqueiro Alden Brewster, e meio brasileira
pelo lado da mãe, a carioca Maria João, que
marcou presença como modelo, numa carreira culminada
em 1978, quando vestiu um biquíni para a capa da revista
Sports Illustrated e causou tremenda impressão
no futuro marido. Jordana está há quatro anos
sem fazer uma visita aos avós do lado de cá
e diz que morre de saudade, especialmente em pleno inverno
americano. "Meus pais estão passando as férias
aí e me disseram que está o maior calor. Ai,
que inveja", derrete-se.
Criada na Inglaterra e depois no Brasil, Jordana mudou-se
com os pais e a irmã mais nova para Nova York aos 10
anos, e sofreu para se adaptar. "Eu me senti completamente
deslocada", lembra. "Primeiro, não tinha idéia
da felicidade que é poder passar o final de semana
em Angra dos Reis ou dar um mergulho na piscina depois da
escola. Além disso, as pessoas aqui não se mostram
tão ligadas nos pais." O choque cultural continuou
quando precisou aprender a economizar nas manifestações
explícitas de afeto. "Antes da primeira festa em família,
meu pai me avisou que cumprimentar com beijinho por aqui pega
mal", conta. O ramo americano certamente não é
do tipo dado a grandes efusões. O avô paterno
de Jordana, Kingman Brewster, foi reitor da exclusivíssima
Universidade Yale. Ela mantém a tradição
e está estudando lá, com planos de graduar-se
em inglês. Não se trata de passatempo, garante.
"Adoro a faculdade e estou lá para trabalhar a sério.
Não tenho muito tempo para sair e me divertir", diz.
Marcelo Carnaval
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Maria
João, a mãe de Jordana: em
casa, à moda brasileira
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Como atriz, Jordana tem um bom caminho a percorrer. Em Uma
História a Três, passado nos anos 70, ela
faz uma adolescente cuja vida foi a pique desde que sua irmã
hippie (vivida por Cameron Diaz) se suicidou durante uma mal
explicada viagem à Europa. A garota refaz os passos
da irmã atrás de uma explicação
para sua morte. Jordana encarou o papel com afinco. Parou
de malhar ela adora kickboxing e de vigiar a
dieta, cuidados que destoariam da personagem, e pela primeira
vez tomou coragem para discutir o roteiro com o diretor. Sua
atuação alterna bons momentos com outros que
revelam imaturidade dramática, mas já é
um avanço de anos-luz em relação a seu
trabalho anterior, o terror teen Prova Final. Não
é por acaso. "Seria fácil fazer sucesso durante
quatro ou cinco anos só aceitando esse tipo de filme.
Mas pretendo ter uma carreira longa", avisa.
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