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Um país à venda

Depois de resistir por uma década,
Uruguai começa a privatizar

Raul Juste Lores, de Buenos Aires

 
AP
Presidente Battle: abertura para tirar o país da recessão

O Uruguai era a exceção na onda de privatizações que varreu a América do Sul nos anos 90. Isso começou a mudar em janeiro, quando o presidente Jorge Batlle emitiu por decreto a chamada Lei de Urgência, feita sob medida para desregulamentar setores da economia e desmontar os monopólios em mãos do Estado. Batlle quer abrir o capital das estatais aos investidores privados, incluindo estrangeiros, e distribuir concessões públicas em áreas como telefonia celular, combustíveis, portos, ferrovias e cassinos. Na próxima semana será aberta a licitação internacional em busca de um sócio privado que injete dinheiro na Ancap, estatal que detém o monopólio da refinação de petróleo no Uruguai. A liberação na área de telecomunicações já começou, com a chegada do primeiro operador privado de telefones celulares, a americana Bell South. Até o fim do ano serão vendidos 40% das ações da Ancel, a estatal da telefonia celular. Trata-se de uma reviravolta e tanto num país que rejeitou as privatizações num plebiscito, em 1992.

Diferentemente do que ocorre em muitos países, as estatais uruguaias são motivo de orgulho para a população. A maioria delas atinge índices de aprovação acima de 70%, ainda que as pesquisas demonstrem igualmente que os uruguaios estão fartos dos monopólios estatais. O que leva o presidente Batlle a mudar as regras do jogo são dois anos de recessão, causada pelo preço baixo de seus produtos agropecuários, pela crise econômica argentina e, em parte, pela desvalorização do real em 1999. Parceiro nanico no Mercosul, o Uruguai vê na abertura da economia o derradeiro recurso para atrair novos investimentos. Como era de esperar, a oposição esquerdista, reunida na Frente Ampla, tentou derrubar a Lei de Urgência com um plebiscito, mas não conseguiu respaldo dos eleitores. "Os uruguaios sentem-se donos de suas estatais. Mas a crise e a estagnação estão levando a população a querer mudanças e a reagir contra a burocracia", diz o comentarista político uruguaio Miguel Nogueira.

 

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