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Os túneis do pó

Narcotraficantes mexicanos cavam
por baixo
da fronteira para levar
drogas aos americanos

 
Fotos AP
Fotos AP
O túnel de Nogales: iluminação e carona na rede de esgotos

A fronteira entre o México e os Estados Unidos é o mais movimentando ponto de passagem de drogas do planeta. Na semana passada, soube-se com maiores detalhes como o narcotráfico opera num dos pontos mais intensamente policiados do território americano. Funcionários da agência antidrogas encontraram, na segunda e na quarta-feira, passagens escavadas na terra que, ligadas à rede de esgotos, formavam corredores pelos quais passavam as drogas literalmente embaixo dos olhos da polícia. O primeiro túnel tinha pouco menos de 8 metros de extensão e era iluminado por lâmpadas comuns. Ligava a rede de esgotos da cidade de Nogales, no Arizona, a uma casa abandonada a cerca de 1 quilômetro da fronteira mexicana. Na casa foram encontrados 380 quilos de cocaína, que poderiam ser vendidos a 6,5 milhões de dólares no atacado. Nas ruas, esse valor poderia dobrar ou até triplicar. Dois dias depois, nova passagem clandestina foi achada na cidade americana. Dessa vez, o túnel terminava em um lava-rápido a 800 metros da linha de fronteira e tinha 9 metros de extensão. No buraco foram encontrados 158 quilos de maconha. Com as descobertas da semana passada, já são sete os túneis encontrados na região da fronteira desde 1995.


Os 380 quilos de cocaína encontrados no fim do túnel: 6,5 milhões de dólares

Localizada sobre a linha de fronteira, Nogales é dividida por uma cerca entre México e Estados Unidos. Mas a rede de esgotos é uma só. A polícia acredita que os túneis descobertos são parte de um sistema maior, que se aproveita de canalizações para cruzar a fronteira. As passagens subterrâneas revelam não apenas a engenhosidade dos traficantes mexicanos como também o espetacular crescimento de suas atividades nos últimos anos. A agência antidrogas dos Estados Unidos estima que dois terços das cerca de 350 toneladas de cocaína que entram no país anualmente cheguem via México. O país vizinho sempre serviu de passagem para a droga produzida na Colômbia, principalmente depois que a repressão se intensificou no Caribe e no sul da Flórida, nos anos 80. O aumento da repressão na Colômbia, que destruiu os cartéis mais famosos, como os de Medellín e Cali, abriu novas oportunidades para os mexicanos, que hoje dominam a distribuição e o comércio de cocaína nos Estados das regiões oeste e central dos Estados Unidos, enquanto os colombianos controlam o tráfico no leste do país. A produção da droga, contudo, permanece basicamente nas mãos dos sul-americanos. Já a maconha consumida pelos americanos é quase toda cultivada no México.

Os 3.200 quilômetros de fronteira que separam os dois países são um prato cheio para os traficantes, que transportam suas mercadorias seja através dos túneis seja escondidas em carros e caminhões. O posto de fiscalização mais movimentado fica entre a cidade mexicana de Tijuana e sua vizinha americana San Diego, na Califórnia. Por ali passam cerca de 43.000 veículos por dia, e os fiscais contam somente com a intuição para identificar os carros que serão revistados. Apenas nesse trecho da fronteira a polícia faz uma média de quinze apreensões de drogas a cada 24 horas.

 

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