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Diogo
Mainardi Dioguildo que se dane
"Se
Luiz Gushiken de fato quisesse que a Polícia Federal investigasse
minhas atividades secretas, qual o sentido de me alertar publicamente
por meio de um garoto de recados?"
Meu telefone deve estar grampeado.
É o que eu sempre digo aos
meus interlocutores. Até mesmo quando se trata da professora de música
do meu filho: A aula
é quarta-feira às 9.
Meu telefone deve estar grampeado.
... Tome cuidado.
A suspeita de estar sendo
grampeado aumentou muito na semana passada. Luiz Gushiken mandou uma carta ao
diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, pedindo "medidas policiais"
contra mim. O que isso significa? Escutas legais? Escutas ilegais? Quebra do sigilo
bancário? Francenildo e Dioguildo?
Meu crime, segundo Luiz Gushiken, foi ter comentado numa coluna o assalto que
ele sofreu em Indaiatuba. Isso demonstraria que sou membro de uma rede criminosa
especializada em fabricar mentiras a seu respeito. Supostamente, o financiador
dessa rede criminosa seria o banqueiro Daniel Dantas. O mesmo Daniel Dantas que
eu acusei um monte de vezes de estar metido com o PT.
Mas o caso é ainda mais intrigante. Depois de mandar a carta ao diretor
da Polícia Federal, Luiz Gushiken tomou a iniciativa de encaminhá-la
a Paulo Henrique Amorim, que prontamente a publicou em sua página no iG,
com o consentimento do autor. O petismo é misterioso. Se Luiz Gushiken
de fato quisesse que a Polícia Federal investigasse minhas atividades secretas,
qual o sentido de me alertar publicamente por meio de um garoto de recados?
Desconfio que seu plano fosse outro.
Em meados do ano passado, a magistratura italiana passou a se interessar pelos
negócios clandestinos da Pirelli e da Telecom Italia. Muita gente foi parar
na cadeia. Algumas das principais testemunhas confessaram que as duas empresas
pagaram homens públicos no Brasil. Telefono praticamente todos os dias
aos meus informantes italianos, para saber detalhes sobre os pagamentos. Quem
recebeu o tutu? Quanto? Quando? Onde?
Um dos envolvidos nessa história é Luiz Roberto Demarco, criador
da loja virtual do PT e aliado de Luiz Gushiken na disputa comercial contra Daniel
Dantas. É complicado saber o que passa pela cabeça de um petista,
ainda mais um petista acuado. Se fosse para arriscar um palpite, eu diria que
Luiz Gushiken teme ser associado de alguma maneira às denúncias
vindas da Itália. Ao espalhar que eu e outros jornalistas fabricamos mentiras
"com a finalidade de atingir a honorabilidade de sua pessoa", ele estaria tentando
se antecipar aos eventos. Repito: é só um palpite.
O fato é que Luiz Gushiken acredita estar num estado policial. Para investigar
alguém, basta ele querer, basta ele mandar. Talvez seja assim mesmo. O
Brasil aceitou o acobertamento de todos os crimes de sua classe política.
Se é para acobertar, é para acobertar até o fim. O Dioguildo
que se dane.
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