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Edição 1994

7 de fevereiro de 2007
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Gente

O bruxinho não é mais aquele

Divulgação
Radcliffe em Equus: com músculos e sem roupa


Sabe Harry Potter, o bruxo adolescente que as crianças amam? Pois o ator que o encarna no cinema, Daniel Radcliffe, cresceu, fortaleceu-se (uma hora de academia todo dia) e vai mostrar o resultado, milímetro a milímetro, no teatro. Aos 17 anos, Radcliffe estréia neste mês em Equus, no papel do cavalariço problemático na relação com eqüinos e com a jovem Jill (Joanna Christie, 24) – com quem contracena sem roupa nenhuma. "Daniel quer mostrar que é um ator completo", diz sua porta-voz. "Mas não pensa em deixar de ser Harry Potter." Até porque o quinto filme da série estréia neste ano, o sexto ainda vai ser filmado e o sétimo (e último) nem tem roteiro – J.K. Rowling, a autora, acaba de marcar o lançamento do livro para 21 de julho.

 

Celso Junior/AE
Manuela na posse: em nome da causa, vale até salto 7


Vai ser musa ou não vai?

Que sacrifícios não se fazem em nome do comunismo. Para a gaúcha Manuela D'Ávila, 25 anos, eleita pelo PCdoB, valeu até um torturante salto 7, heroicamente suportado durante as muitas horas da cerimônia de posse. Completavam o figurino um romântico vestido azul-marinho com faixa branca na cintura e uma bolsinha algo deslocada. Mas quem notaria isso quando se comparava Manuela à maioria dos integrantes da Casa do Espan... quer dizer, Câmara dos Deputados? "Essa história de musa não é para mim", é o mantra proferido pela jovem deputada cada vez que seus encantos são mencionados. Ela também jura não ter ouvido um único elogio, nem do companheiro, o estudante Adriano de Oliveira, 32, que não vai mudar para Brasília. "Ninguém se elege para sustentar familiar ou empregar parente", diz Manuela. Ninguém?

 

 

 

Basta conferir o sorriso

A história já corria na família e a semelhança é visível – o formato do rosto, um jeito de olhar –, mas agora ficou provado: o genealogista Domenico Savini traçou a árvore familiar e proclamou que Natalia e Irina Strozzi são descendentes de Lisa Gherardini, a Mona Lisa imortalizada por Leonardo da Vinci. Irina, 25 anos, economista, e Natalia, 30, atriz por ser descoberta, são filhas do príncipe florentino Girolamo Guicciardini, dono de uma vinícola. "Nossa vida não mudou, porque em Florença não se dá muita importância a isso. Afinal, aqui todo mundo descende de alguém relevante", disse a VEJA Natalia, sem nenhum traço de esnobismo. "Mas torço para que ajude minha carreira."

 

Uma relação epistolar

Susan Walsh/AP
Mara, Veronica e Berlusconi: "Suplico que me perdoe"

Isso sim é briga de casal: travada em público, por personagens famosos, e notícia no mundo inteiro. O motivo foi corriqueiro. O ex-primeiro-ministro e magnata da mídia Silvio Berlusconi, 70, fez gracinhas em público para Mara Carfagna, ex-dançarina e hoje deputada pelo seu partido. Diferente foi a reação da patroa, Veronica Lario, 50 anos muito bem plastificados, ex-atriz. "Considero esses comentários um ataque a minha dignidade. Quero do marido e do político um pedido público de desculpas, já que nenhum me foi transmitido em particular", exigiu em carta mandada a um jornal – e não qualquer jornal, mas o anti-berluscônico La Repubblica. Foi prontamente atendida. "Guardo sua dignidade como um tesouro no meu coração. Suplico que me perdoe", replicou ele, italianamente dramático, em carta aberta. Capítulo encerrado, o casal voltou à vidinha de sempre – em casas separadas, vendo-se quase nunca.

 

Bala perdida

Mark Mainz/Getty Images


Cineasta estreante, o americano Jason Kohn, 28 anos, levou o prêmio de melhor documentário no festival Sundance, o mais importante do cinema independente, com Manda Bala – assim mesmo, em português, visto que o filme trata dos laços entre corrupção e violência no Brasil. Comparecem, em pessoa, o deputado Jader Barbalho (falando do célebre ranário da família) e o cirurgião plástico Juarez Avelar (discorrendo sobre a reconstituição de orelhas de seqüestrados). Ambos dizem que não sabiam que seu testemunho ia dar no que deu. Kohn explica

OS ENTREVISTADOS SABIAM COMO IA SER O DOCUMENTÁRIO?
Nem eu sabia. Minha primeira intenção foi fazer um retrato do Brasil com dois personagens, o criador de rãs e o cirurgião plástico, duas indústrias muito importantes aí. Com o tempo, o filme foi ganhando outra dimensão. Viajei três vezes ao Brasil para o documentário. Somando tudo, fiquei quase um ano e meio filmando.  

QUAL A SUA LIGAÇÃO COM O BRASIL?
Minha mãe é brasileira. Eu morei dois anos em São Paulo e tenho lá alguns dos meus melhores amigos. Conheço Rio de Janeiro, Fortaleza, Belém, Brasília. Até sambo um pouquinho.  

DIZEM QUE VOCÊ PREFERE QUE O FILME NÃO SEJA MOSTRADO AQUI.
Isso não é verdade. Estou me esforçando muito para que ele seja exibido. É o que eu mais quero. O que eu disse é que não tinha certeza se teria permissão. E prefiro não falar sobre isso, para não atrapalhar.  

OS PERSONAGENS NÃO SABIAM DAS SUAS INTENÇÕES, A IMAGEM DO PAIS É NEGATIVA. VOCE É O BORAT DO BRASIL?
De jeito nenhum. Meu filme não é uma comédia. É um documentário que tenta mostrar que a corrupção é um crime violento. Eu acredito muito no Brasil, um país com grande potencial e recursos naturais.

Editado por Lizia Bydlowski. Colaboraram Bel Moherdaui, Laura Ming e Sandra Brasil

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