Lauro
Jardim
ECONOMIA
Que conta é essa?
O governo achou estranho, muito estranho, o reajuste de
9,5% nas tarifas dos telefones celulares. Chamará
as companhias para uma conversinha e pedirá explicações.
A grande curiosidade é a seguinte: que diabo de índice
elas utilizaram para chegar a esse aumento?
Fortuna
esquecida no cofre
É
notável a pouca atenção que alguns
dão ao dinheiro. Há quase um ano, a White
Martins fechou seu capital. Estipulou-se um valor para as
ações dos minoritários e a White passou
a comprá-las como manda a lei. Só que os donos
de 20 milhões de ações, correspondente
a 1,3% do capital total da companhia, ainda não deram
sinal de vida. Uma dinheirama de 26 milhões de reais
que, pelo visto, os próprios acionistas não
sabem que têm. Botaram no cofre e esqueceram.
Insistência
gringa
Depois de uma primeira investida frustrada no ano passado,
a gigante americana Tyson Foods voltou a assediar a Perdigão.
A
Vale contra-ataca
A Vale do Rio Doce quer porque quer a Caemi. Nesta semana
apresentará nova proposta para levar a mineradora.
A primeira, de 300 milhões de dólares, que
parecia imbatível, virou aperitivo depois que a australiana
BHP fez seu lance.
|
Os
excluídos dos ares decolaram
Luiz Bittencourt/Folha
Imagem
 |
Milton Micida/A.
Estado
 |
|
Constantino:
baixa ocupação
|
A
Gol, que acaba de estrear com passagens de baixo custo,
está conseguindo uma taxa de ocupação
de modestos 37% em seus vôos. É a mais
baixa do setor. Varig e Vasp, por exemplo, venderam
em janeiro, respectivamente, 65% e 68% dos assentos
que ofereceram. Nada mais natural. A aviação
comercial é um dos poucos itens em que o consumidor
não vê só preço pela frente.
O mais interessante da história, no entanto,
é outra coisa: o mapa de aproveitamento das
companhias aéreas antes e depois da chegada
da Gol mostra que elas não perderam clientes.
Ou seja, a Gol, presidida por Constantino Júnior,
está levando aos céus aqueles que antes
viajavam por terra.
|
COMPORTAMENTO
Benefício exclusivo para
os gays
Veja como também pode ser cheia de discriminação
a vida dos heterossexuais. Um economista carioca, convidado
a trabalhar no Banco Mundial, desembarcou recentemente em
Washington para tratar da parte burocrática de sua
admissão. Descobriu que, por não estar casado
no papel, a mulher com quem vive há cinco anos e
o filho do casal não poderiam gozar dos benefícios
dados pelo banco. Pareceu uma atitude meio fora de época,
mas tudo bem. Na mesma conversa, porém, ele ficou
sabendo que, se ele fosse homossexual e tivesse um companheiro,
não haveria problema o Banco Mundial estenderia
ao companheiro os planos de saúde e outros benefícios.
Diante de tudo isso, o resignado economista chega ao Rio
de Janeiro nesta semana para se casar no papel. Pelo visto,
os heterossexuais deveriam tomar aulas com os gays para
aprender a lutar por seus direitos.
Lazer em baixa
O número de salas de cinema aumenta a cada ano, os
shows de música também são cada vez
mais numerosos no país. Mas ainda falta muito chão
para que esse tipo de indústria ganhe uma pegada
mais forte. Uma pesquisa do Ibope sobre os hábitos
de lazer do brasileiro constatou que 57% das donas-de-casa
das classes A e B nunca vão ao cinema, teatro ou
shows, enquanto outras 33% afirmam ir "raramente". Esses
porcentuais se repetem quando a pergunta é feita
aos filhos.
Inversão
de papéis
O que mais indignou FHC em todo o circo montado pelo pefelista
Inocêncio Oliveira foi que o problema todo do PFL
foi criado por ACM, e não pelo governo contra
quem Inocêncio se voltou.
Vale
tudo
No desespero, a direção do PFL pode procurar
nos pequenos partidos um candidato que possa enfrentar Jader
Barbalho na corrida pela presidência do Congresso.
INTERNACIONAL
Só com o o.k. de Fidel
A Bras Cuba uma parceria da Souza Cruz com o governo
de Cuba, mas tocada por brasileiros de vez em quando
depara com executivos cubanos que fariam sucesso na selva
do capitalismo globalizado. Recentemente, quiseram transferir
um desses talentos, o diretor de vendas da fábrica
de Havana, para uma subsidiária da BAT (dona da Souza
Cruz) em outro país. Era uma promoção.
A transferência só ocorreu após uma
intensa negociação com o governo comunista.
|
Um
negócio para entrar na história
Raul Junior
 |
|
Budweiser:
na hora errada
|
A americana Anheuser-Busch, a maior cervejaria do
mundo, fez um dos piores negócios de sua vida
no ano passado, justamente no Brasil. Um erro de avaliação
que lhe custou 800 milhões de dólares.
E o passo em falso não foi por causa das vendas
de sua marca número 1, a Budweiser. A empresa
possuía 5% da Fundação Zerrenner,
dona da Antarctica. Quando houve a fusão com
a Brahma, que resultou na AmBev, os americanos resolveram
cair fora do negócio. Na época, seu
naco valia 300 milhões de dólares. Hoje,
por causa da valorização das ações,
significaria algo como 1,1 bilhão, segundo
um alto executivo da AmBev. Quem tomou a decisão
deve estar andando com colete à prova de balas,
com medo de encontrar pela frente um acionista da
companhia.
|
TELEVISÃO
A passo de cágado
Esfriaram as negociações entre os dois gigantes
latino-americanos da televisão, a Globo e a mexicana
Televisa, para parcerias futuras de produção
de programas.
RECEITA
FEDERAL
Sonegação sem
fim
O Leão acabou de fechar mais um daqueles cruzamentos
de dados de arrepiar. Encontrou nos Estados de fronteira
(Mato Grosso, Paraná e outros) uma impressionante
conexão entre os que se declararam isentos de IR
e gente que movimenta dezenas de milhões pelos ralos
das chamadas contas CC-5. Alguns movimentaram mais de 100
milhões de reais no ano passado. Os nomes dos espertalhões
alguns bem conhecidos já foram encaminhados
à Justiça.
FUNDOS
DE PENSÃO
Nem bispo garante a aposentadoria
Em caso de confusão com os fundos de previdência,
recomenda-se não se queixar ao bispo. Pelo menos
aos bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. O Fapieb,
um pequeno fundo de pensão dirigido por eles, poderá
sofrer intervenção nesta semana.