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Assim não dá
Um
premiado filme iraniano põe a platéia para dormir
Enquanto a crítica
se esforça para informar ao público que cinema não é
só flipperama de efeitos especiais, aparece Gosto
de Cereja (Ta'm-E-Ghilass, Irã, l997)
para botar as platéias em desabalada carreira rumo ao
filmão tradicional mais perto. Tudo com o aval de
grandes críticos e a Palma de Ouro de 1997 do maior dos
festivais, o de Cannes. O filme do aclamadíssimo diretor
Abbas Kiarostami, de Através das Oliveiras, é o
sonho premiado da falta de assunto. Um homem de
meia-idade (Hamayoun Ershadi) sai de carro pelas ruas e
subúrbios de Teerã, olhando paisagens e rostos.
Conversa sobre o sentido da vida com um jovem soldado
curdo, um religioso afegão e um taxidermista. É isso, e
já é demais.
Cineastas
filosofantes e chatos como os célebres franceses Robert
Bresson e Eric Rohmer parecem, comparados com Kiarostami,
sanguinários criadores de faroestes. A estética do
iraniano é ainda mais frígida e a postura totalmente
antidramática tem sido confundida com estilo. E aí os
críticos ficam reclamando que o público não tem mesmo
jeito.
G.M.

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