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| Foto: Patrick Pardini |
| Ronaldinho, em outdoor em Paris |
Feliz
ano novo. Feliz ano novo? Calma. Primeiro vem o Carnaval,
depois vem a Copa do Mundo, cuja final será disputada em
Paris no dia 12 de julho. Só então o ano de 1998
estará com força total. Ano de Copa tem fibrilação
própria
a expectativa nervosa de todo um
país pendurado em chuteiras. Basta que a seleção volte
pentacampeã da França para que tudo se transforme, para
o brasileiro, na felicidade mais absoluta. Ano de Copa é
ano de Carnaval após cada vitória, e de Natal antes de
cada jogo, com camisetas, televisores, cervejas,
bandeirolas e tudo que possa ser pintado de verde-amarelo
estourando vendas. Todos se preparam para entrar em campo
junto com a seleção. Nesse sentido o ano já começou.
Na voz de Elba Ramalho e com uma verba de 36 milhões de
reais, a Grendene ressuscitou a música Paris,
cantada por Carmen Miranda por ocasião da Copa do Mundo
de 1938 (também realizada na França), e levou a torcida
brasileira para sambar à sombra da Torre Eiffel num
anúncio de sua sandália Rider. A Nike contratou a peso
de ouro o diretor de cinema chinês John Woo para fazer
uma peça publicitária na qual aparecem o técnico
Zagallo, Ronaldinho, Romário e outros craques da
seleção. Até junho, coisas assim vão multiplicar-se.
O Brasil se alimentará de Copa do Mundo. Jornais terão
cadernos especiais e a televisão irá transmitir os 64
jogos entre a estréia do Brasil, em 10 de junho, e a
grande final, em 12 de julho. Uma coisa é certa: a Copa
pode não ser nossa, mas o futebol já é, sempre foi.
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Criado na Inglaterra em 1863, ele desembarcou no Brasil 31 anos depois, na forma de uma bola trazida debaixo do braço pelo estudante paulista Charles Miller. Chegou elitista, racista e excludente. Quando se organizaram os primeiros campeonatos, lá pelo começo do século, era esporte de branco, rico, praticado em clubes fechados ou colégios seletos. Negros e pobres estavam simplesmente proibidos de chegar perto dos gramados, mas mesmo a distância perceberam o jogo e dele se agradaram. Estava ali uma brincadeira feita sob medida para pobre. Não exige equipamento especial além de um objeto qualquer que possa ser chutado como se fosse bola. Pode ser praticado na rua, no pátio da escola, no fundo do quintal. O número e o tipo de jogador dependem apenas de combinação entre as partes. Jogam o forte e o fraco, o baixinho e o altão, o gordo e o magro. Naquele tempo seria impensável, mas hoje em dia se pode misturar até homem e mulher que dá jogo. As regras oficiais são apenas dezessete e com exceção da número 11, que trata do impedimento, todas são de fácil entendimento e mais fácil aplicação. Feito para ser jogado ao ar livre, pode ser praticado nos doze meses do ano neste país sem inverno. Com tanta facilidade, tinha de dar certo. E deu.
Estilo
brasileiro
Já em 1910 surgiu em São Paulo o
Corinthians, o primeiro clube fora do circuito restrito
clube-fechado, colégio-seleto. Abriu caminho para o
Vasco, que, para escândalo de seus congêneres, se
apresentou para disputar o campeonato carioca de 1923 com
um time de mulatos, negros e pobres. Ganhou o campeonato
e repetiu a dose no ano seguinte com a mesma receita. Os
brancos, ricos e grã-finos ainda tentaram resistir e
inventaram uma regra especial: quando um branco cometia
falta violenta num jogador negro, o juiz marcava a falta
e o jogo continuava. Quando o negro cometia falta
violenta num branco, o juiz apitava a falta, e, antes de
ser cobrada, o branco tinha o direito de revidar a
violência. Às vezes até a torcida e a polícia
entravam em campo para surrar o infrator escuro. Deu no
que deu. Para escapar das surras dos brancos, os negros
preferiram evitar as divididas. Em vez de enfrentar os
adversários no peito, passaram a iludi-los, fintá-los.
Inventou-se o drible, trazendo-se para o futebol a ginga
e a malemolência que o negro da senzala já empregava na
dança, na capoeira, em seus rituais religiosos. A
bicicleta, jogada genial inventada pelo negro Leônidas
da Silva, não seria apenas um passo de capoeira aplicado
ao jogo da bola? Os grã-finos ainda tentaram uma última
cartada para manter a malta invasora a distância.
Adotaram o profissionalismo a partir de 1933, com o que
puderam reforçar seus próprios times sem perder o
controle da situação. "Vocês podem jogar com a
gente, mas saibam que são nossos empregados", era
como se dissessem. De nada adiantou. Na Copa da França,
em 1938, a terceira da história do futebol, contrariando
recomendações do Ministério das Relações Exteriores
do governo Getúlio Vargas, a seleção escalou pela
primeira vez jogadores negros. Entre eles, o zagueiro
Domingos da Guia e o atacante Leônidas da Silva, não
por acaso as estrelas do time. E, não por acaso também,
o Brasil ficou em terceiro lugar, e pela primeira vez
deixou de ser mero figurante em Copas.
Começava a surgir um estilo brasileiro de jogar futebol, rebelde e anárquico, inventivo e travesso. "Nossos passes, nossos pitus, nossos despistamentos, nossos floreios com a bola têm alguma coisa de dança e capoeiragem que marca o estilo de jogar futebol, que arredonda e às vezes adoça o jogo inventado pelos ingleses, e por eles e por outros europeus tão angulosamente jogado. Acaba de se definir de maneira inconfundível um estilo brasileiro de futebol; e este estilo é uma expressão a mais do nosso mulatismo ágil em assimilar, dominar, amolecer em dança, em curvas e em música as técnicas européias e americanas mais angulosas para o nosso gosto: sejam elas jogo ou arquitetura." Quem escreveu essas linhas não foi Nelson Rodrigues nem João Saldanha, os mais perspicazes cronistas esportivos criados neste país, mas o sociólogo Gilberto Freyre. Os ingleses inventaram um jogo anguloso, como diz Freyre, em linha reta e para a frente, de preferência com bolas altas e longas, para eles o caminho mais curto entre o tiro de meta e o tiro à meta. Os brasileiros inventaram outro jogo, cheio de curvas e volteios, que avança pelos lados, fazendo ziguezague. "Que coisa lindíssima, que bailado mirífico um jogo de futebol", escreveu Mário de Andrade, outro inesperado cronista do futebol.
Ao cair em solo brasileiro, a semente do futebol encontrou solo fértil. "Não existe no mundo um país com uma população tão numerosa e com um nível de miscigenação igual à do Brasil", diz Turibio Leite de Barros, do Centro de Estudos de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo. "Para o futebol, isso é uma dádiva." Do ponto de vista da exigência de habilidades físicas e de biotipo, o futebol é um esporte único. O basquete, o vôlei e até a natação pedem gente de bom tamanho. Nas corridas, os velocistas são fortes e altos, enquanto os maratonistas são miúdos e leves. As ginastas são feitas sempre em miniatura. O futebol não aceita enquadramentos dessa natureza. Tome-se como exemplo Pelé, mais uma vez reconhecido como o maior atleta do futebol em todos os tempos, em pesquisa mundial realizada pelo Hall da Fama do Futebol de Manchester, na Inglaterra. Pelos resultados apresentados, pode-se eleger seu biotipo como o ideal do jogador de futebol. O que tem ele de especial? Nada além de uma harmoniosa proporcionalidade. Em compensação, tome-se Garrincha, com seu corpo torto em permanente desequilíbrio. Em que outro esporte ele poderia brilhar além do futebol? Em nenhum outro.
Pé no
chão
A mescla de raças dotou o brasileiro de múltiplas
qualidades que fazem dele a matéria-prima ideal para
jogar futebol. Os hábitos e costumes completaram o
trabalho. A mania de chutar bola com pé descalço, fruto
da informalidade e da pobreza brasileiras, por exemplo,
desenvolveu uma intimidade entre o pé e a bola que
chuteira nenhuma do mundo é capaz de substituir.
"Acho que jogar descalço aumenta a habilidade para
driblar o adversário e para dominar a bola",
explica Telê Santana, técnico da seleção brasileira
em 1982, o time de Zico, Sócrates e Falcão que mais
mereceu e nada ganhou. A iniciação precoce, o ambiente
impregnado de futebol são outros fatores que condicionam
o brasileiro. "O futebol é um esporte de muitas
alternativas e grande incidência de acaso, e por isso
mesmo exige muita intuição", explica Turibio.
Ganhando bola desde o primeiro natal de sua vida e
chutando tudo que se move à sua frente, o brasileiro
começa a treinar antes mesmo de se dar conta disso.
Mas não é tudo. Para o inglês Joe Dunbar, o melhor time de futebol de todos os tempos é a seleção de 1970. Dunbar, um ex-medalhista olímpico de atletismo e especialista em fisiologia do esporte, aponta como vantagem inicial daquela equipe o que todo mundo já conhece: o talento sem igual de jogadores como Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gérson e companhia. Sua descoberta é que, além disso, o time tricampeão do mundo recebeu uma preparação física de primeiríssima qualidade mesmo para os padrões atuais, passados quase trinta anos. Pela primeira vez, foram empregados métodos científicos de preparação física, graças aos conhecimentos da equipe técnica integrada por Carlos Alberto Parreira e Cláudio Coutinho. "Eles faziam trabalhos de resistência aeróbica e de capacitação anaeróbica, com monitoramento de hemoglobina no sangue e controle de adaptação à altitude", admira-se Dunbar. Em pleno regime militar, a seleção de 70 se enquadrou no espírito e ficou quatro meses aquartelada, treinando e se concentrando para ganhar a Copa. "Com as exigências comerciais do futebol moderno ninguém mais pode fazer isso, nem mesmo a seleção brasileira", diz Dunbar. "Não acredito que alguma seleção possa chegar à França tão bem treinada e preparada como o Brasil chegou à Copa do México em 1970."
A expansão e a popularização do futebol se deram no início dos anos 20, momento de efervescência cultural e política e de formação de uma consciência nacionalista no país. É quando o movimento sindical dá seus primeiros passos, o Partido Comunista é criado e irrompe a revolução tenentista. Um ano antes de o Vasco ganhar seu primeiro título carioca com seu time preto-e-pobre, ocorria em São Paulo a Semana de Arte Moderna, o acontecimento entre todos que melhor revela o espírito da época. "O esporte é a organização social do lúdico, e toda sociedade elege uma modalidade que a caracteriza. O futebol é um fenômeno que traduz a cultura brasileira", diz o sociólogo carioca Maurício Murad, criador do Núcleo de Sociologia do Futebol da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que só tem similares em duas universidades, uma na Alemanha e outra na Inglaterra. É um sinal da importância que o futebol adquiriu na vida do Brasil. "Estuda-se o futebol mais do que se imagina e menos do que ele merece", diz Murad. Melhor indicativo de como o futebol se infiltrou na vida brasileira está na linguagem diária do povo. Expressões nativas dos gramados invadiram as conversas em todos os setores. Qualquer trama é uma "jogada". Fazer algo bem-feito é "marcar um gol de placa". Deixar de resolver um problema é "chutar para o alto" e salvar uma situação é "colocar para escanteio". E por aí vai. Quem está a perigo vai para "a marca do pênalti". Dar uma mancada é "pisar na bola". Quem é ríspido "entra de sola" e tudo termina no "apito final".
Fonte de
inspiração
A cultura brasileira retribuiu e com
freqüência recorre ao futebol como fonte de
inspiração ou objeto de homenagem. O cinema brasileiro
realizou setenta filmes, entre documentários e obras de
ficção, sobre futebol. Até a Copa estarão chegando
às telas pelo menos mais quatro fitas: Maracanã,
Adeus, de Adolfo Latermacher; O Futebol, de
João Moreira Salles; Os Mitos do Futebol Brasileiro,
de Roberto Moura; e Os Boleiros, de Ugo Georgetti.
A maioria de nossos melhores compositores gastou
inspiração com o jogo da bola. De Pixinguinha, que fez 1
a 0, na lista das melhores composições brasileiras
de todos os tempos, para celebrar o primeiro título
internacional, com a vitória sobre o Uruguai em 1919,
até Skank, com o seu É uma Partida de Futebol, programada
para ser apresentada na festa de abertura da Copa da
França, passando por Lamartine Babo, autor de um
sem-número de hinos de times, e Miguel Gustavo, autor da
marchinha Pra Frente, Brasil, que em 1970
condensou todas as contradições do país naquele
momento de milagre brasileiro e de ditadura feroz. O
Carnaval, que nasceu no mesmo berço e cresceu nas mesmas
quadras do futebol, prestou-lhe sua primeira homenagem em
1986, com o samba-enredo O Mundo É uma Bola, da
Beija-Flor de Nilópolis. Depois viria Uma Vez
Flamengo, da Estácio de Sá, em 1995, e neste ano o
campeão brasileiro da última temporada será
homenageado com o samba De Gama a Vasco, da Unidos
da Tijuca. A literatura inicialmente hesitou em aderir,
mas também ingressaram pela grande área do futebol
Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello
Neto, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, João
Ubaldo Ribeiro, Luis Fernando Verissimo e muitos outros.
Artistas plásticos como Portinari, Rubens Gerchman,
Aldemir Martins e Cláudio Tozzi pintaram e bordaram
sobre os gramados. O X Salão Carioca de Humor, que se
instala na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio, no
próximo dia 27, terá como tema principal o eterno jogo
da bola. Apresentará trabalhos de Lan, Henfil, Miécio
Caffé e outros.
Ao se instalar no país, o futebol se espalhou e se infiltrou em todos os setores até criar espaço e mercado próprios. Calcula-se que o futebol empregue, direta ou indiretamente, 300.000 pessoas no Brasil. Tendo-se em conta que cada empregado sustenta uma família de quatro pessoas, haveria 1,2 milhão de dependentes da bola, uma Curitiba vivendo à beira do gramado. Já o universo de pessoas envolvidas com a prática do futebol, sem compromisso profissional, chega a uma Argentina. São 30 milhões de auto-intitulados craques, aí incluídos os barrigudos que se enfrentam em animados solteiros versus casados de fim de semana. O mundo do jogo organizado, aquele com times uniformizados e um juiz diplomado para mediar a contenda, abrange um contingente de 580.000 jogadores distribuídos em cerca de 13.000 times. Mas é na platéia que se aboleta a pátria de chuteiras. Uma final de campeonato nacional, como a de Vasco e Palmeiras às vésperas do Natal que levou 100.000 torcedores ao Maracanã, prega a atenção de 50 milhões de torcedores via televisão. É como se Portugal e Espanha parassem juntos, pendentes dos gols e das estripulias de Edmundo.
Igreja,
cadeia e estádio
O futebol pode ser medido também
pela área que ocupa. Oficialmente são 589 estádios
espalhados pelo país, com arquibancadas para acolher, a
um só tempo, 5,6 milhões de pessoas, equivalente a um
Rio de Janeiro. Boa parte deles foi construída nos anos
60 e 70, época do Brasil grande. Têm nomes terminados
em ão, como Mineirão, Castelão e Pelezão, e costumam
ser grandões. Agora que a reengenharia baixou também no
futebol e a tendência são estádios mais compactos e
confortáveis, estão obsoletos e parecem um tanto
inúteis. Mas dão ao Brasil o privilégio de oferecer
dez estádios com capacidade para mais de 100.000
torcedores, coisa que nenhum outro país do mundo tem.
Mas não é só. Uma pesquisa do Núcleo de Sociologia do
Futebol, da Uerj, constatou que cada um dos 5.507
municípios brasileiros está provido de três
instalações imprescindíveis: a igreja, a cadeia e o
campo de futebol. "Embora não significativo do
ponto de vista estatístico, em alguma localidade pode
faltar a igreja, em outra a cadeia, mas em nenhuma o
campo de futebol, muitas vezes também usado para os
comícios políticos e as festas sociais", diz
Maurício Murad. Nesse levantamento estão incluídos
desde o campinho de pelada na beira da estrada até o
Maracanã, o maior do mundo com seus 120.000 lugares
atuais e um suposto recorde mundial de 200.000
espectadores na fatídica final de 1950, quando o Brasil
perdeu a final da Copa para o Uruguai.
Pode-se medir também o futebol do ponto de vista da criação de riquezas. Calcula-se que o esporte como um todo movimente 6 bilhões de dólares no Brasil. Dois terços desse total estão ligados à bola no pé. Só a indústria de material de futebol tem um PIB de 1,5 bilhão. Por ano são fabricados e vendidos 3,3 milhões de pares de chuteiras e 5,6 milhões de pares de tênis para futebol de salão e futebol society. As bolas chegam a 6 milhões por ano, mas a fatia mais apetitosa do bolo é a de camisas de futebol. São 32 milhões de peças por ano, não incluídas aí as dos 12.000 jogadores profissionais, que recebem seus uniformes de graça dos fabricantes e patrocinadores. Podem-se acrescentar à conta mais 50.000 unidades.
De que o Brasil é o país do futebol parece não haver dúvidas, assim como não há a menor dúvida de que o futebol é o esporte mais popular do mundo. João Havelange, o presidente da Fifa desde 1974 e o homem responsável pela transformação do futebol de mero divertimento em negócio de bilhões de pessoas e de dólares, tem como um de seus maiores orgulhos dizer que enquanto a ONU tem 185 países-membros, a organização por ele dirigida tem uma lista de 198 associados. O velho dirigente, que logo após a Copa deve deixar o cargo, se orgulha também de dizer que o futebol movimenta pelo mundo 255 bilhões de dólares enquanto a General Motors, a maior empresa do planeta, fatura 170 bilhões. No topo desse negócio está a Copa do Mundo, que Havelange também tratou de transformar e inflar. Enquanto as últimas Olimpíadas em Atlanta tiveram uma platéia acumulada de 25 bilhões de espectadores, a Copa dos Estados Unidos, dois anos antes, atraiu 32 bilhões de televidentes pelo mundo afora.
Nave
espacial
A Copa da França tende a confirmar
a supremacia do futebol entre todas as modalidades. O
país, que tem uma tradição de gosto pelo futebol bem
jogado, prepara com esmero a grande festa. Para isso,
construiu o Stade de France, um novo estádio em Paris
com capacidade para 80.000 pessoas que é uma jóia da
moderna arquitetura esportiva mundial. Tem cara de nave
espacial elíptica, teto em forma de anéis de Saturno
suspenso por dezoito agulhas e é mutante. Para se
transformar no maior estádio olímpico do planeta, basta
acionar um sistema de elevadores hidráulicos e colchões
de ar para que 25.000 cadeiras se retraiam 15 metros para
dar lugar a uma pista de atletismo.
Pela primeira vez
haverá 32 seleções em uma Copa. China e Índia, os
dois países mais populosos do mundo, ainda ficarão de
fora, mas Estados Unidos, Japão e Alemanha, as maiores
potências econômicas, estarão na França em junho.
"O futebol é tão poderoso que quem não tem quer
ter", diz Havelange, em referência aos Estados
Unidos, ao Japão e à China, que vêm fazendo esforços
para popularizar o esporte em casa. Como acontece desde
1950, o Brasil já é apontado entre os prováveis
vencedores da próxima Copa. De cada três vezes que isso
aconteceu em oportunidades anteriores, em uma ele
confirmou o favoritismo. Em duas outras oportunidades
entrou para a história das grandes zebras mundiais. Em
1950, o país viveu a maior comoção esportiva de sua
história ao assistir o escrete
assim era chamada a seleção na época
ser derrotado pelo Uruguai por 2 a 1, no Maracanã
recém-inaugurado. Em 1982, no meio de um longo e
tenebroso inverno do futebol brasileiro, a torcida
assistiu perplexa ao fracasso da seleção de Telê
Santana, considerada a mais talentosa de todas que foram
à Copa da Espanha. Com a derrota, Zico, Sócrates,
Falcão e sua brilhante geração acabariam encerrando a
carreira sem jamais ganhar uma Copa. Hoje, o Brasil é
favorito novamente. Com méritos. A seleção brasileira,
número 1 do ranking mundial desde 1994, acaba de ser
eleita pela Fifa o time do ano. Três semanas atrás,
somou mais uma taça à sua coleção ao vencer a Copa
das Confederações, na Arábia Saudita. Ronaldinho acaba
de ser escolhido o melhor jogador da Europa. Dois
brasileiros
Ronaldinho e Roberto
Carlos
estão entre os cinco candidatos que
concorrem ao título de melhor jogador de 1997, cujo
resultado será conhecido no próximo dia 12. Pode dar
Brasil mais uma vez. Feliz ano novo.
Copyright © 1997, Abril
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