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Edição 2094

7 de janeiro de 2009
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Fernando Moraes

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‘‘Ainda não cheguei lá’’

Existem dois tipos de longevidade: a cronológica e aquela que se refere a seu modo de ser e de sentir. Uma nem sempre coincide com a outra. Creio poder me incluir entre os que ainda não tomaram conhecimento da idade alcançada, e continuo a ter uma vida ativa que não corresponde, propriamente, ao que se imaginaria para a minha idade cronológica.

Acredito que o fato de ignorar os impedimentos tradicionais da idade representa o segredo para a manutenção de uma vida ativa. Não há receita, obviamente, da forma de conduzir esse problema. Ou a pessoa tem condições de ignorá-los, o que é o ideal, ou essas condições não existem – e aí, naturalmente, se impõe a aceitação de um fato menos auspicioso.

Tenho sido indagado constantemente sobre como me sinto com a idade que alcancei, e minha resposta invariavelmente é a seguinte: "Ainda não cheguei lá, e só quando chegar poderei dizer o que sinto". Naturalmente, trata-se de uma falácia e de um exercício de autoengano, mas que tem, sem dúvida, um efeito positivo. Enquanto durar a disposição de ter um cotidiano ativo, trato de mantê-la e prolongá-la, o que representa na realidade um círculo virtuoso.

Pessoas que consideram imperiosa a observância dos efeitos causados pelo envelhecimento estão, a meu ver, seguindo o caminho que lhes é menos favorável. Mas, como disse, não há regras fixas para essa situação. Tomar ou não tomar conhecimento do avanço da idade depende, é claro, de condições de saúde que permitam uma opção. Todos nós somos vulneráveis, e resistir ou não a pressões dessa natureza depende da condição individual de cada pessoa.

O que estou sugerindo é realmente o melhor: procurar manter uma vida ativa sem aceitar de antemão uma premissa contrária. Estamos diante de uma situação em que cada pessoa deve fazer o que lhe for possível, sem entregar os pontos. Dou-me conta de que o assunto não depende propriamente de opção, mas, quando existe uma possibilidade de escolha, minha visão é no sentido de ignorar o problema.

JOSÉ MINDLIN
94 anos, empresário e bibliófilo

 

Lúcia Brandão



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