Carta ao Leitor
Quando a razão é
desrazão
Chris
Carlson/AP e Dan Bality/AP
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Obama e a guerra na
Faixa de Gaza
Mundo complicado, não
raro sem vasos comunicantes com campanhas eleitorais |
O conflito entre
Israel e palestinos entrou para a categoria dos fenômenos
crônicos, para os quais ou não existe solução
ou a solução é árdua demais para
ser viabilizada o que, na prática, dá
na mesma. No caso em questão, os nós górdios
são a retirada de todos os colonos israelenses dos
territórios ocupados em 1967, durante a Guerra dos
Seis Dias, a repartição de Jerusalém
entre os dois lados, o reconhecimento, por parte dos palestinos,
da legitimidade do Estado de Israel e, como corolário
desse último item, o fim dos atos terroristas perpetrados
contra cidadãos judeus. Um acúmulo de animosidades
e ressentimentos históricos impede, no entanto, que
tais nós sejam desatados pela lógica da diplomacia.
Para piorar a situação, os palestinos dividiram-se
entre aqueles que apoiam a Autoridade Palestina, que negocia
com Israel, e o Hamas, o grupo terrorista que prega a destruição
do estado israelense, fundado em 1948 na esteira do holocausto.
É o Hamas o alvo da operação das Forças
Armadas de Israel na Faixa de Gaza. O grupo vinha utilizando
o território, dominado por seus militantes, para lançar
foguetes contra alvos do outro lado da fronteira. Do ponto
de vista estritamente militar, a operação é
movida por uma causa razoável? Aparentemente, sim.
Do ponto de vista humano, ela é desproporcional? Absolutamente,
sim.
Eis a essência do problema
quando o assunto é Israel e palestinos: ambos os lados
conseguem ter razão não tendo, muitas vezes,
razão nenhuma. Nesse universo em que reina a falta
da racionalidade cartesiana mais comezinha, é provável
que tenha entrado no cálculo israelense criar uma situação
que inviabilize ao novo presidente americano, Barack Obama,
concretizar uma das suas promessas de candidato: a abertura
de um canal de conversação com arqui-inimigos
de Israel, entre eles o Irã. É outra mostra
de como o mundo é um lugar complicado, não raro
sem vasos comunicantes com campanhas eleitorais.