Edição 1835 . 7 de janeiro de 2004

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CINEMA

Peter Pan: nova versão do clássico se sai bem na comparação com as anteriores

Peter Pan (Estados Unidos, 2003. Censura livre. Estréia em circuito nacional nesta sexta-feira) – A célebre história infantil do escocês J.M. Barrie (1860-1937) – que veio ao mundo na forma de uma peça teatral, em 1904 – ganhou duas adaptações de sucesso no cinema. Uma delas foi o desenho animado da Disney, de 1953, que se tornou um clássico. A outra foi o filme Hook, dirigido por Steven Spielberg nos anos 90. O novo Peter Pan, do australiano P.J. Hogan (de O Casamento do Meu Melhor Amigo), não faz feio perto de ambos. Trata-se de uma versão fiel à fábula original do herói que nunca se torna adulto – mas com ritmo acelerado, para agradar às crianças dos tempos atuais. Os atores Jeremy Sumpter e Rachel Hurd-Wood funcionam bem nos respectivos papéis do herói Peter Pan e da garota Wendy – que certa noite é levada, junto com seus irmãos, para uma aventura na Terra do Nunca. O inglês Jason Isaacs, que aparece duplamente na pele do pai de Wendy e do Capitão Gancho, também brilha. As cenas finais no convés do navio de Gancho são um show de efeitos visuais. Assista ao trailer.

 

LIVRO

Um Lugar entre os Vivos, de Jean-Pierre Gattégno (tradução de André Viana e Antonio Carlos Viana; Companhia das Letras; 290 páginas; 36 reais) – O francês Jean-Pierre Gattégno é um professor de literatura que em 1992 estreou com sucesso como autor de romances policiais. Em seu primeiro trabalho, Neutralidade Suspeita, ele falava sobre um psicanalista que sai a campo para investigar um crime. Publicado na França em 2001, Um Lugar entre os Vivos também tem um mote original. O romancista Ernest Ripper está num bar parisiense dando retoques em seus escritos quando surge uma visita inesperada. Um sujeito se apresenta como sendo o estrangulador de mulheres que está em todas as manchetes e lhe faz uma proposta: quer que Ernest escreva suas memórias. Assim começa uma trama que foge aos lugares-comuns. Leia trechos do livro.

 

CDs

Uma História do Samba, Monarco (Rob Digital) – Autor de sucessos gravados por Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, entre outros sambistas, em abril de 2001 o cantor e compositor Monarco foi convidado por uma gravadora japonesa para registrar alguns clássicos do samba, juntamente com três composições inéditas. O resultado foi este CD, que agora chega ao Brasil. Parte do disco, do qual participaram instrumentistas de primeiro time, serve para demonstrar um fato quase esquecido: a influência do maxixe no samba. Mas faixas como Aquarela Brasileira (do compositor Silas de Oliveira) também deixam claro por que Monarco é tido como uma das melhores vozes do gênero.

 
Nelly: raízes portuguesas  

Folklore, Nelly Furtado (Universal) – Autora do hit I'm Like a Bird, a cantora canadense Nelly Furtado optou pela ousadia. Em vez de repetir a fórmula pop de seu CD de estréia, pôs suas raízes portuguesas – os pais dela nasceram na Ilha de Açores – a serviço de sua música. Não se trata, no entanto, de um disco de world music. As sonoridades portuguesas surgem apenas "para dar um clima", no uso de banjos e bandolins, nas frases em português encaixadas em certas canções e no modo de Nelly cantar – que às vezes se aproxima da melancolia do fado. Algumas faixas revelam um flerte com a música brasileira. É o caso de Fresh Off the Boat e de Island of Wonder, em que Nelly faz dueto com Caetano Veloso. Mas ela não deixou o pop inteiramente de lado, como revela a canção The Grass Is Green. Ouça Powerless.

Kill Bill, vários intérpretes (Warner) – Nos anos 90, o cineasta americano Quentin Tarantino reinventou a maneira de compilar trilhas sonoras cinematográficas. Em filmes que não contavam com trilha original, a estratégia-padrão consistia em reunir um punhado de canções com bom potencial radiofônico e ponto final. Em filmes como Pulp Fiction, Tarantino optou pelo caminho "difícil". Cada canção ajudaria a definir um personagem. Além disso, no disco elas seriam entrecortadas por falas extraídas do roteiro, que assumiam o papel de vinhetas. Kill Bill, a mais recente produção do diretor, narra a história de uma assassina profissional, perita em artes marciais, que desperta de um longo período de coma para se vingar do ex-noivo. A seleção tem baladas lúgubres como Bang Bang: My Baby Shot Me Down, de Nancy Sinatra, música negra e uma seleção de pop japonês de primeira linha.

 

TELEVISÃO

Rugrats: fase "aborrescente"

Os Rugrats Crescidos (Estréia na segunda-feira 5, às 17h, no Nickelodeon) – Em 2001, o canal Nickelodeon conseguiu uma audiência recorde nos Estados Unidos ao apresentar um especial em que os personagens do desenho animado Rugrats – ou Os Anjinhos, como ficou conhecido na televisão aberta brasileira – se transformam em adolescentes graças a uma máquina do tempo improvisada, feita com um aparelho de karaokê. O sucesso foi tamanho que o canal agora lança uma série com o mesmo mote. Se Tommy, Chuckie, Angélica e companhia já aprontavam quando eram pequenos, na fase "aborrescente" eles causam ainda mais confusão: vão a shows de rock, infernizam os professores e por aí afora. No episódio que abre a série, o tímido Chuckie decide que já está na idade de ser mais durão e galanteador.

Arrested: família disfuncional

Arrested Development (Estréia no domingo 11, às 21h, na Fox) – Michael Bluth, protagonista desse novo seriado cômico americano, tem um carma: ele é o único ser normal de sua família, um clã em que ninguém é afeito ao trabalho. Seu irmão Buster é cartógrafo e especialista em rituais indígenas, mas é ocioso porque enfrenta a síndrome de pânico. A irmã Lindsay se dedica a uma atividade sem fins lucrativos: é líder de um barulhento grupo anticircuncisão. Outro irmão, Gob, é um mágico frustrado, que perde sua licença depois de usar seus truques para dar sumiço no pai, quando este está sendo caçado pela polícia por fraude contábil. Os Bluths são, em suma, aquilo que os americanos chamam de família "disfuncional". A série usa do tema não para fazer crítica social ou coisa que o valha: seus produtores estão interessados apenas em fazer rir. E fazem, com a maior competência.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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