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Edição 1985 . 6 de dezembro de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
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CINEMA

O Ilusionista (The Illusionist, Estados Unidos/República Checa, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Edward Norton às vezes erra (como em Dragão Vermelho). Mas, quando acerta, o faz com inteligência e critério inigualáveis entre os atores de sua geração. Em O Ilusionista, ele faz o mágico Eisenheim, que assombra a Viena de 1900 com seus truques poéticos e misteriosos – os quais despertam não só a desconfiança do príncipe herdeiro (Rufus Sewell) como também a paixão da sua provável prometida (Jessica Biel), com quem Eisenheim teve um passado romântico. Norton opõe sua atuação racional ao estilo mais expansivo de Paul Giamatti, como um chefe de polícia cuja curiosidade é como uma coceira. O resultado é um filme extremamente bem resolvido, com uma preocupação que, por azar, anda saindo de moda: a de contar direito uma história. Veja cenas.

 

LIVROS

Teatro Completo: Tragédias e Comédias Sombrias – Vol. 1, de William Shakespeare (tradução de Barbara Heliodora; Nova Aguilar; 1.773 páginas; 290 reais) – Barbara Heliodora, a mais respeitada tradutora brasileira de Shakespeare, aplica aqui um conceito incomum nas edições nacionais: o do privilégio à fluência do texto, para que ele possa ser usufruído de forma mais próxima à teatral. Este primeiro volume compreende dez tragédias, de Romeu e Julieta a Hamlet e Rei Lear, e três de suas comédias marcadas por um subtom de mal-estar – Bom É o que Acaba Bem, Medida por Medida e Troilus e Créssida. Num trabalho primoroso, Barbara atinge uma espécie de santo graal do ofício – o de transformar uma visão pessoal em critério objetivo. Leia trecho.

 
Ulf Andersen/Getty Images

Lehane: inocência corrompida

 

Dança da Chuva, de Dennis Lehane (tradução de Luciano Vieira Machado; Companhia das Letras; 424 páginas; 44 reais) – Conhecido principalmente pelo romance Sobre Meninos e Lobos, que resultou numa estupenda adaptação cinematográfica dirigida por Clint Eastwood, o escritor americano Dennis Lehane renovou o gênero policial ao investi-lo de um tom amargo e fatalista. Dança da Chuva, lançado nos Estados Unidos em 1999, é anterior a seu maior sucesso, mas já traz essas características bastante desenvolvidas. Em Boston (cidade que é o cenário habitual do autor), um de seus personagens recorrentes, o detetive Patrick Kenzie, investiga um suicídio, trazendo à tona circunstâncias sinistras – que, de novo, têm a ver com a corrupção da inocência. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Oscar Cabral

Freire: o sagrado e o profano em Beethoven

 

Beethoven: Piano Sonatas, Nelson Freire (Universal) – Segundo o pianista mineiro Nelson Freire, uma das características que mais o atraem na obra de Beethoven é a de "unir o sagrado e o profano na mesma melodia". As duas qualidades do compositor alemão estão presentes neste disco, inteiramente dedicado às suas sonatas para piano. Há momentos sublimes, como a introdução da sonata Waldstein, em que Freire emula a sonoridade do pianista austríaco Arthur Schnabel (1882-1951), que considera uma de suas grandes inspirações. O melhor momento do disco, no entanto, está na Sonata ao Luar, declaração de amor de Beethoven a uma de suas pupilas – que resultou em mais uma das várias decepções de sua vida amorosa.

Witching Hour, Ladytron (Trama) – Os membros desse quarteto inglês costumam dizer que seu estilo lembra o da música de Britney Spears – caso esta consumisse mais drogas. Mau gosto da comparação à parte, o grupo é um dos mais interessantes do pop atual. Os tecladistas Daniel Hunt e Reuben Wu são fortemente influenciados pelo som new wave dos anos 80, enquanto a vocalista Mira Aroyo emula musas do gótico, como Siouxsie Sioux. As canções do Ladytron, porém, passam longe de imitações rasteiras daquele período. Sua originalidade está presente em faixas como Destroy Everything You Touch e International Dateline, que falam sobre relacionamentos amorosos fracassados, e Sugar – o destaque, com seu belo arranjo de guitarras.

 

DVD

Abismo do Medo (The Descent, Inglaterra/Estados Unidos, 2005. Califórnia) – Mulher perde marido e filha num acidente medonho. Um ano depois, vai espairecer, com cinco amigas, numa expedição às cavernas dos Montes Apalaches. A idéia é péssima – e o que o grupo encontra sob a terra, pior ainda. Como é hábito no terror moderno, o diretor inglês Neil Marshall mostra mais do que deveria. O que não chega a subtrair das qualidades que ele demonstra para o gênero, como o prazer sádico em torturar suas personagens e o uso generoso, mas com grande efeito, do sangue. Quem se converter ao seu estilo não deve deixar de garimpar seu filme anterior, Dog Soldiers, que junta soldados e lobisomens nas charnecas escocesas.

 

 

BIOGRAFIA

Divulgação

Erasmo e Roberto, nos anos 70: o "Tremendão" perdeu a vez

 

Roberto Carlos é um mito da MPB. Como cantor, vendeu mais de 75 milhões de discos, tornando-se o artista mais bem-sucedido do showbiz nacional. Também é conhecido por uma série de superstições (que parece ter deixado de lado), transformadas em anedotas entre músicos e executivos da indústria fonográfica – como a mania de sair apenas pela porta pela qual entrou ou a recusa em pronunciar palavras como "inferno" e "fita demo". Em Roberto Carlos em Detalhes (Editora Planeta; 504 páginas; 59,90 reais), o historiador baiano Paulo César de Araújo disseca cada passagem da biografia do cantor com uma precisão que vai espantar até seus amigos íntimos. Araújo, que tem no currículo o ótimo Eu Não Sou Cachorro Não, um estudo da produção brega da década de 70, revela, por exemplo, que foi Erasmo Carlos o primeiro artista cogitado para apresentar o programa Jovem Guarda – que faria de Roberto um ídolo. Araújo consegue ainda evitar o sensacionalismo ao tocar em fatos sensíveis, como o acidente em que Roberto Carlos, ainda criança, teve a perna decepada por um trem. Um trabalho digno de leitura.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Campo Grande: Leitura; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.

 
 
 
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