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VEJA Recomenda
CINEMA O Ilusionista (The Illusionist, Estados
Unidos/República Checa, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no país)
Edward Norton às vezes erra (como em Dragão Vermelho).
Mas, quando acerta, o faz com inteligência e critério inigualáveis
entre os atores de sua geração. Em O Ilusionista, ele faz
o mágico Eisenheim, que assombra a Viena de 1900 com seus truques poéticos
e misteriosos os quais despertam não só a desconfiança
do príncipe herdeiro (Rufus Sewell) como também a paixão
da sua provável prometida (Jessica Biel), com quem Eisenheim teve um passado
romântico. Norton opõe sua atuação racional ao estilo
mais expansivo de Paul Giamatti, como um chefe de polícia cuja curiosidade
é como uma coceira. O resultado é um filme extremamente bem resolvido,
com uma preocupação que, por azar, anda saindo de moda: a de contar
direito uma história. Veja
cenas. LIVROS Teatro
Completo: Tragédias e Comédias Sombrias Vol. 1, de
William Shakespeare (tradução de Barbara Heliodora; Nova Aguilar;
1.773 páginas; 290 reais) Barbara Heliodora, a mais respeitada tradutora
brasileira de Shakespeare, aplica aqui um conceito incomum nas edições
nacionais: o do privilégio à fluência do texto, para que ele
possa ser usufruído de forma mais próxima à teatral. Este
primeiro volume compreende dez tragédias, de Romeu e Julieta a Hamlet
e Rei Lear, e três de suas comédias marcadas por um subtom
de mal-estar Bom É o que Acaba Bem, Medida por Medida e Troilus
e Créssida. Num trabalho primoroso, Barbara atinge uma espécie
de santo graal do ofício o de transformar uma visão pessoal
em critério objetivo. Leia
trecho. Ulf
Andersen/Getty Images
 |  | Lehane:
inocência corrompida | |
Dança
da Chuva, de Dennis Lehane (tradução de Luciano Vieira Machado;
Companhia das Letras; 424 páginas; 44 reais) Conhecido principalmente
pelo romance Sobre Meninos e Lobos, que resultou numa estupenda adaptação
cinematográfica dirigida por Clint Eastwood, o escritor americano Dennis
Lehane renovou o gênero policial ao investi-lo de um tom amargo e fatalista.
Dança da Chuva, lançado nos Estados Unidos em 1999, é
anterior a seu maior sucesso, mas já traz essas características
bastante desenvolvidas. Em Boston (cidade que é o cenário habitual
do autor), um de seus personagens recorrentes, o detetive Patrick Kenzie, investiga
um suicídio, trazendo à tona circunstâncias sinistras
que, de novo, têm a ver com a corrupção da inocência.
Leia
trecho. DISCOS Oscar
Cabral
 |  | Freire:
o sagrado e o profano em Beethoven | |
Beethoven:
Piano Sonatas, Nelson Freire (Universal) Segundo o pianista mineiro
Nelson Freire, uma das características que mais o atraem na obra de Beethoven
é a de "unir o sagrado e o profano na mesma melodia". As duas qualidades
do compositor alemão estão presentes neste disco, inteiramente dedicado
às suas sonatas para piano. Há momentos sublimes, como a introdução
da sonata Waldstein, em que Freire emula a sonoridade do pianista austríaco
Arthur Schnabel (1882-1951), que considera uma de suas grandes inspirações.
O melhor momento do disco, no entanto, está na Sonata ao Luar, declaração
de amor de Beethoven a uma de suas pupilas que resultou em mais uma das
várias decepções de sua vida amorosa. Witching
Hour, Ladytron (Trama) Os membros desse quarteto inglês costumam
dizer que seu estilo lembra o da música de Britney Spears caso esta
consumisse mais drogas. Mau gosto da comparação à parte,
o grupo é um dos mais interessantes do pop atual. Os tecladistas Daniel
Hunt e Reuben Wu são fortemente influenciados pelo som new wave dos anos
80, enquanto a vocalista Mira Aroyo emula musas do gótico, como Siouxsie
Sioux. As canções do Ladytron, porém, passam longe de imitações
rasteiras daquele período. Sua originalidade está presente em faixas
como Destroy Everything You Touch e International Dateline, que
falam sobre relacionamentos amorosos fracassados, e Sugar o destaque,
com seu belo arranjo de guitarras.
DVD
Abismo do Medo (The Descent, Inglaterra/Estados
Unidos, 2005. Califórnia) Mulher perde marido e filha num acidente
medonho. Um ano depois, vai espairecer, com cinco amigas, numa expedição
às cavernas dos Montes Apalaches. A idéia é péssima
e o que o grupo encontra sob a terra, pior ainda. Como é hábito
no terror moderno, o diretor inglês Neil Marshall mostra mais do que deveria.
O que não chega a subtrair das qualidades que ele demonstra para o gênero,
como o prazer sádico em torturar suas personagens e o uso generoso, mas
com grande efeito, do sangue. Quem se converter ao seu estilo não deve
deixar de garimpar seu filme anterior, Dog Soldiers, que junta soldados
e lobisomens nas charnecas escocesas.
BIOGRAFIA Divulgação
 |  | Erasmo
e Roberto, nos anos 70: o "Tremendão" perdeu a vez | |
Roberto
Carlos é um mito da MPB. Como cantor, vendeu mais de 75 milhões
de discos, tornando-se o artista mais bem-sucedido do showbiz nacional. Também
é conhecido por uma série de superstições (que parece
ter deixado de lado), transformadas em anedotas entre músicos e executivos
da indústria fonográfica como a mania de sair apenas pela
porta pela qual entrou ou a recusa em pronunciar palavras como "inferno" e "fita
demo". Em Roberto Carlos em Detalhes (Editora Planeta; 504 páginas;
59,90 reais), o historiador baiano Paulo César de Araújo disseca
cada passagem da biografia do cantor com uma precisão que vai espantar
até seus amigos íntimos. Araújo, que tem no currículo
o ótimo Eu Não Sou Cachorro Não, um estudo da produção
brega da década de 70, revela, por exemplo, que foi Erasmo Carlos o primeiro
artista cogitado para apresentar o programa Jovem Guarda que faria
de Roberto um ídolo. Araújo consegue ainda evitar o sensacionalismo
ao tocar em fatos sensíveis, como o acidente em que Roberto Carlos, ainda
criança, teve a perna decepada por um trem. Um trabalho digno de leitura.
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