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Edição 1985 . 6 de dezembro de 2006

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Cinema
Assim é fácil

Russell Crowe aprende a ser
feliz na Provença. É claro


Isabela Boscov


Divulgação
Crowe (à dir.): com vila, vinhedo e beldade

Em Um Bom Ano (A Good Year, Estados Unidos, 2006), desde sexta-feira em cartaz no país, Russell Crowe é Max, um voraz operador do mercado financeiro londrino que, ao herdar do tio uma propriedade na Provença, pensa automaticamente em quantos milhões sua venda pode gerar. Lá se vai ele então para o sul da França, crente de que vai fazer picadinho dos matutos locais. É óbvio que o contrário acontece. De rasteira em rasteira, Max aprende a calcular o valor incalculável do romance, da lealdade, do nada-fazer e dos mistérios da vinicultura. E, presto, até o fim do filme mais um monstro urbano terá adquirido forma humana sob o sol do Mediterrâneo – o que é uma fantasia recorrente dos sempre encharcados ingleses, como o ex-publicitário Peter Mayle, que escreveu o livro adaptado pelo conterrâneo Ridley Scott. Falta mencionar que, para usufruir a sua vila provençal, acompanhada de um vinhedo de qualidades singulares e da beldade de rigueur, Max não é obrigado a abrir mão de sua igualmente atraente conta bancária. Donde fica difícil explicar por que ele precisa levar tanto na cabeça até atingir seu estado de graça. Por outro lado, fica fácil entender por que Scott e Crowe desafinam tanto. É o som deles tentando engolir o cinismo.

 
 
 
 
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