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Cinema
Assim é fácil
Russell Crowe aprende a ser
feliz na Provença. É claro

Isabela Boscov
Divulgação
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| Crowe (à dir.): com vila, vinhedo
e beldade |
Em Um Bom Ano (A Good Year,
Estados Unidos, 2006), desde sexta-feira em cartaz no país,
Russell Crowe é Max, um voraz operador do mercado financeiro
londrino que, ao herdar do tio uma propriedade na Provença,
pensa automaticamente em quantos milhões sua venda pode gerar.
Lá se vai ele então para o sul da França, crente
de que vai fazer picadinho dos matutos locais. É óbvio
que o contrário acontece. De rasteira em rasteira, Max aprende
a calcular o valor incalculável do romance, da lealdade,
do nada-fazer e dos mistérios da vinicultura. E, presto,
até o fim do filme mais um monstro urbano terá adquirido
forma humana sob o sol do Mediterrâneo o que é
uma fantasia recorrente dos sempre encharcados ingleses, como o
ex-publicitário Peter Mayle, que escreveu o livro adaptado
pelo conterrâneo Ridley Scott. Falta mencionar que, para usufruir
a sua vila provençal, acompanhada de um vinhedo de qualidades
singulares e da beldade de rigueur, Max não é
obrigado a abrir mão de sua igualmente atraente conta bancária.
Donde fica difícil explicar por que ele precisa levar tanto
na cabeça até atingir seu estado de graça.
Por outro lado, fica fácil entender por que Scott e Crowe
desafinam tanto. É o som deles tentando engolir o cinismo.
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