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Carta ao leitor "Não
vendo ilusões" Beto
Barata/AE
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na CNI: "Não me venham dizer para mudar a Lei de Responsabilidade Fiscal"
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Já se disse que governar é
dizer "não". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez isso diversas
vezes na terça-feira passada, na cerimônia de posse da diretoria
da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Lula disse diversos
"nãos" diante de uma platéia formada por governadores e empresários
ávidos por ouvir acenos do presidente na direção do relaxamento
da política de estabilidade econômica, em favor de medidas comum
e erroneamente associadas à indução do crescimento econômico.
Alguns deles: • "Não queremos vender ilusões".
• "Não me venham dizer para mudar a Lei
de Responsabilidade Fiscal. Nem discuto isso". •
"Não vou permitir que o vandalismo econômico volte a tomar conta
do país". • "Não terei medo de vetar
qualquer lei que coloque em risco a seriedade da economia brasileira e sua sustentabilidade".
• "Não vamos (o governo) gastar mais
do que recebemos". Foi o mais significativo pronunciamento
econômico do presidente depois da vitória nas urnas no segundo turno.
A fala de Lula foi notável pela clareza de propósitos e pelo diagnóstico
correto de que o país deve à política econômica austera
dos primeiros quatro anos os alicerces para o crescimento sustentado, meta a ser
alcançada no segundo mandato. Os críticos
e a oposição podem lembrar, não sem certa razão, que
o discurso do presidente não aponta novos caminhos. Mas seria um erro não
reconhecer a coragem de Lula de exorcizar a tentação de recorrer
a truques ou promessas vãs mesmo pairando sobre sua cabeça as reações
adversas ao anúncio do crescimento pífio do PIB no último
trimestre (0,5%) e sua projeção anual para 2006 igualmente desanimadora
(2,7%). Uma reportagem desta edição
de VEJA mostra que o presidente Lula, tão cioso dos recordes e feitos únicos
de seu governo muitos deles fruto apenas da generosa avaliação
que faz de si mesmo , está agora realmente à beira de inserir
em sua biografia uma conquista inédita. A reportagem lembra que, se mantiver
seu arsenal de "nãos" e os usar como o fez na semana passada, Lula será
o primeiro presidente a optar por manter a austeridade mesmo sem estar pressionado
por uma grave crise econômica, interna ou externa. Esse terá sido
aos olhos do mundo o sinal definitivo para a maioridade do país, primeiro
passo para o crescimento sustentado e a bonança social que ele propicia.
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