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Edição 1985 . 6 de dezembro de 2006

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Carta ao leitor
"Não vendo ilusões"

 
Beto Barata/AE
Lula na CNI: "Não me venham dizer para mudar a Lei de Responsabilidade Fiscal"

Já se disse que governar é dizer "não". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez isso diversas vezes na terça-feira passada, na cerimônia de posse da diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Lula disse diversos "nãos" diante de uma platéia formada por governadores e empresários ávidos por ouvir acenos do presidente na direção do relaxamento da política de estabilidade econômica, em favor de medidas comum e erroneamente associadas à indução do crescimento econômico. Alguns deles:

• "Não queremos vender ilusões".

• "Não me venham dizer para mudar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nem discuto isso".

• "Não vou permitir que o vandalismo econômico volte a tomar conta do país".

• "Não terei medo de vetar qualquer lei que coloque em risco a seriedade da economia brasileira e sua sustentabilidade".

• "Não vamos (o governo) gastar mais do que recebemos".

Foi o mais significativo pronunciamento econômico do presidente depois da vitória nas urnas no segundo turno. A fala de Lula foi notável pela clareza de propósitos e pelo diagnóstico correto de que o país deve à política econômica austera dos primeiros quatro anos os alicerces para o crescimento sustentado, meta a ser alcançada no segundo mandato.

Os críticos e a oposição podem lembrar, não sem certa razão, que o discurso do presidente não aponta novos caminhos. Mas seria um erro não reconhecer a coragem de Lula de exorcizar a tentação de recorrer a truques ou promessas vãs mesmo pairando sobre sua cabeça as reações adversas ao anúncio do crescimento pífio do PIB no último trimestre (0,5%) e sua projeção anual para 2006 igualmente desanimadora (2,7%).

Uma reportagem desta edição de VEJA mostra que o presidente Lula, tão cioso dos recordes e feitos únicos de seu governo – muitos deles fruto apenas da generosa avaliação que faz de si mesmo –, está agora realmente à beira de inserir em sua biografia uma conquista inédita. A reportagem lembra que, se mantiver seu arsenal de "nãos" e os usar como o fez na semana passada, Lula será o primeiro presidente a optar por manter a austeridade mesmo sem estar pressionado por uma grave crise econômica, interna ou externa. Esse terá sido aos olhos do mundo o sinal definitivo para a maioridade do país, primeiro passo para o crescimento sustentado e a bonança social que ele propicia.

 
 
 
 
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