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Corpos que tocam

Moças do quarteto de cordas bond
são as Spice Girls da música clássica

Sérgio Martins


PEROU
EMI
As integrantes do bond: elas mais parecem saídas do seriado Baywatch que do conservatório A cingapuriana Vanessa Mae em atuação: violinista que só usa minissaias

As grandes gravadoras resolveram dar uma sacudida no mercado de música clássica. Estão apostando em belezocas um tantinho desinibidas, para tentar fisgar o público que não se interessa tanto assim por maestros egocentrados, virtuoses das cordas e interpretações perfeitas de obras de Bach, Mozart e Beethoven. A cingapuriana Vanessa Mae, violinista que só usa minissaias, inaugurou essa, digamos, tendência. A última armação no gênero é o quarteto de cordas bond (assim mesmo, com letras minúsculas). O primeiro disco do grupo, Born, está saindo no Brasil. Na Inglaterra, seu país de origem, o grupo já foi apelidado de "spice girls da música clássica".

Haylie Ecker (primeiro violino), Eos (segundo violino), Tania Davis (viola) e Gay-Yee Westerhoff (celo) saíram de escolas de música respeitadas. Em 1998, foram atraídas por um anúncio de jornal ao escritório do empresário Mel Bush, raposa velha do ramo de entretenimento, que então passou um ano e meio criando a embalagem certa para vender seu produto. Ele mudou o visual das meninas, para que parecessem saídas do seriado de TV Baywatch e não de um conservatório. Deu certo. O quarteto assinou com a gravadora Decca um contrato de 1 milhão de dólares. Outro milhão e meio foi investido na divulgação do álbum, projeto que inclui a gravação de um clipe numa praia cubana. Elas aparecerão de biquíni, claro, para a marmanjada babar pelos seus corpinhos de violoncelo.

Em sua primeira semana de lançamento, Born foi incluído sem maiores problemas na parada de CDs clássicos, em que ocupava a segunda posição. Mas depois houve tanta chiadeira que a empresa que consolida os dados de vendagem de discos na Inglaterra passou o álbum para a lista de música pop. A violinista Haylie Ecker não se conforma. "A crítica é muito esnobe", reclama ela. "Somos excelentes." As garotas do bond foram mesmo injustiçadas. Afinal de contas, desde que os três tenores venderam 6 milhões de cópias de um disco que misturava árias de ópera com velhas canções napolitanas, o termo "clássico" já não é mais o mesmo. De olho nos ganhos polpudos, até a vetustíssima Filarmônica de Berlim aceitou gravar um disco com o grupo alemão de heavy metal Scorpions. Por que Haylie, Eos, Gay-Yee e Tania não podem entrar no elenco dos clássicos? Elas têm inclusive um mérito: preferem tocar composições próprias e inéditas a destroçar peças tradicionais. No disco todo, só fazem uma citação a O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, e a um arranjo maluco para O 1812, de Tchaikovsky.

 

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