As muitas faces
do bruxo
Chega ao Brasil o novo romance de
Harry Potter. Logo virão o filme e
uma penca de produtos
Flávio Moura
Fotos divulgação
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| Harry
Potter: febre em torno do bruxo levou a Disney a encomendar
um personagem para rivalizar com ele |
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (tradução
de Lia Wyler; Rocco; 348 páginas; 25 reais), terceiro volume
da série criada pela escocesa J.K. Rowling, chega às
livrarias do país em meio a um frisson que fazia tempo não
se via em torno de um personagem da literatura. Três anos
depois de lançado o primeiro livro, as aventuras protagonizadas
por Harry Potter já venderam mais de 66 milhões de
cópias em 200 idiomas e catapultaram sua criadora ao topo
das listas de mulheres mais badaladas e bem pagas da Inglaterra.
Em breve, os romances não serão mais a única
maneira de entrar em contato com o personagem. Em novembro do ano
que vem, está prevista para estrear a versão cinematográfica
de Harry Potter e a Pedra Filosofal, e os direitos para as
filmagens do segundo livro também já foram vendidos.
E não vai demorar para que produtos de todos os tipos com
a marca Harry Potter inundem o mercado e o transformem numa espécie
de fast food da literatura infantil. Grandes empresas estrangeiras
voltadas para o público infantil, como a Mattel, a Hasbro,
a Lego e a Electronic Arts, já têm licença para
explorar comercialmente a imagem do pequeno bruxo.
Impresso
com tiragem recorde de 100.000 cópias,
O Prisioneiro de Azkaban não vai decepcionar os mais
de 350.000 leitores que a série
já cativou por aqui. Nesse livro, Potter acaba de completar
13 anos e se prepara para o terceiro ano na escola de magia de Hogwarts.
Há dois novos personagens na trama: o misterioso professor
Lupin, que ajuda Harry a desvendar um enigma envolvendo a morte
de seus pais, e o temível Sirius Black, foragido da prisão
de Azkaban. A princípio o grande vilão da história,
Black acaba mostrando que o verdadeiro mal pode estar onde menos
se imagina. Os fãs de Harry também gostarão
de saber que sua invencibilidade no quadribol, o esporte preferido
dos bruxos, será posta à prova com conseqüências
para sua preciosa vassoura, a Nimbus 2000. Por fim, o menino, agora
mais crescidinho, começa a olhar com outros olhos para as
mulheres ainda que muito sutilmente. Revelar mais elementos
da trama seria estragar o prazer da leitura.
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| Os
três escolhidos para o filme: Daniel Radcliffe (ao centro)
não é fã de Potter |
Ao
todo, J.K. Rowling planejou sete livros para Harry Potter. Para
garantir que chegará ao final da série, a autora já
escreveu o último capítulo do último volume,
mas não há magia que a faça revelar o conteúdo.
Ela declarou na semana passada que começou a redigir o quinto
episódio. E avisa os afobados: pode ser que o livro, inicialmente
prometido para junho do ano que vem, demore até dois anos
para sair. Enquanto isso, as atenções se voltam para
as telas. A produção para a filmagem de Harry Potter
e a Pedra Filosofal já começou e foi orçada
em 130 milhões de dólares. Assim que se anunciou o
casting para o filme, 40.000 crianças
se candidataram à empreitada pelo site de Potter na internet.
O escolhido para o papel principal foi Daniel Radcliffe, um inglesinho
de 11 anos que interpretou David Copperfield numa série de
televisão. Por incrível que pareça, ele diz
que não é fã de Harry Potter. Os outros dois
papéis centrais ficaram com os estreantes Emma Watson, que
será Hermione, e Rupert Grint, que encarnará Rony
Weasley. O filme terá ainda a participação
do ex-Monty Python John Cleese. O número excessivo de candidatos
a papéis secundários, porém, está causando
problemas nos bastidores. Muitos atores mirins não ganham
mais do que 50 dólares por dia de trabalho. Ante a reclamação
dos pais, os produtores retrucam que há milhares de crianças
que atuariam de graça.
Embora
os milhões de livros vendidos até agora tenham feito
de Potter um personagem extremamente popular, é mesmo o filme
que deve transformar seu nome em marca universalmente conhecida
e multiplicar os lucros de quem associar a imagem do menino a seu
produto. A Warner Bros. comprou os direitos para a comercialização
não editorial da imagem de Potter ao redor do mundo. Bonecos,
cadernos, chicletes, toalhas, chaveiros e jogos de videogame com
sua imagem começarão a pipocar no Brasil na época
do lançamento do filme. O impacto que isso deve causar pode
ser medido pelo exemplo da Karsten, indústria têxtil
sediada em Blumenau que no início do ano obteve da Warner
a licença para vender toalhas estampadas com a imagem de
Potter. Segundo um executivo da empresa, o acordo já resultou
num aumento de produção de 1 milhão de peças,
todas encomendadas por lojas estrangeiras.
Quem
não está gostando muito da brincadeira é a
Disney. O grupo já mexeu os pauzinhos e encomendou a Clive
Barker, autor cult inglês de histórias de terror, a
criação de um bruxo para rivalizar com Potter. Ou
melhor, de uma bruxa. Pagou-lhe 3,8 milhões de dólares
para conceber Candy Quackenbush, heroína de 16 anos que tem
de combater inimigos no mundo mágico de Abarat. Quatro livros
e quatro filmes de Quackenbush devem ser lançados entre 2002
e 2009. Além disso, a Disney planeja transformá-la
em série de TV, história em quadrinhos e em outras
dúzias de produtos licenciados. Assim que o primeiro filme
ficar pronto, Barker leva mais 3,8 milhões de dólares.
E depois dizem que na era do mercado não há espaço
para a magia.
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