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O sucesso custa caro

Zezé Di Camargo acusa Raul Gil de cobrar
para que músicos toquem em seu programa

Ricardo Valladares


Rogerio Montenegro
Raul passa o chapéu: ele assume que já fez jabá


O famigerado jabaculê não é nenhuma novidade nas televisões. Funciona assim: para tocar num programa de auditório, um músico oferece uma "lembrancinha" ao apresentador, ou então se sujeita a condições impostas por ele. Não é uma prática ilegal, mas também não tem nada de ética. O espectador é ludibriado, já que não é informado de que o artista pagou para subir ao palco e receber elogios de um formador de opiniões. De vez em quando alguém abre o bico e cria uma bruta confusão em torno do assunto. Foi isso o que aconteceu na segunda-feira passada, no programa do radialista Paulo Lopes, da Globo AM. Durante uma entrevista, o sertanejo Zezé Di Camargo acusou o apresentador Raul Gil, da Rede Record, de ser "jabazeiro". Raul revidou no dia seguinte, afirmando que Zezé "só poderia estar bêbado ao dizer aquilo". Será?


Alexandre Rielo
Zezé Di Camargo: o cantor sertanejo se ofendeu ao ser chamado de pão-duro


Aberta a brecha, outros artistas se dispuseram a dizer que Raul Gil cobra mesmo. Ricardo Maia, ex-cantor do grupo Polegar, atualmente em carreira-solo, afirma que Wagner Sales, empresário de Raul, pediu um "acerto" de 6.000 reais para escalá-lo na programação de um sábado. "No Polegar eu fiz muitas caravanas de graça para o Raul", esbraveja Maia. "É um absurdo pagar agora." De Alagoas surgem duas acusações. O comerciante Elzio Leal, pai de dois integrantes do obscuro grupo de pagode Malcriados, diz ter negociado no começo do ano, com o produtor Renan Torres, que faria contatos em nome de Raul Gil, uma apresentação na Record pelo valor de 21.000 reais. Músicos de outra banda de axé, a Cobra Criada, afirmam que o mesmo Renan Torres cobrou 15.000 reais para agendar cinco apresentações. "Ele colocou a gente no ar uma vez, em fevereiro, mas depois não conseguiu mais", reclama o empresário do grupo, André Normande.

A direção da Record diz que vai apurar as denúncias. Raul Gil se defende. "Esse tal de Cobra Criada tocou aqui por indicação dos bispos", afirma. "Eu só apresentei a atração que os donos da emissora recomendaram." Ele reconhece que aceitou jabá uma vez, nos idos de 1978, na extinta TV Tupi. Depois disso, "nunca mais", apesar de a tentação ser forte. Quanto à acusação de Zezé Di Camargo, Raul acredita que tudo se deva a um mal-entendido. É que em 25 de novembro ele recebeu em seu palco, como convidado do quadro Para Quem Você Tira o Chapéu?, o homem do sapato branco Jacinto Figueira Júnior. Este último criticou Zezé Di Camargo como sendo "mão de vaca". Raul não se preocupou em colocar panos quentes na história.

Quase todos os apresentadores famosos já enfrentaram denúncias de jabaculê. Chacrinha e Bolinha tiveram esquemas expostos. "Mais recentemente correram boatos sobre Alberto Luchetti (ex-diretor do Domingão do Faustão), Roberto Manzoni (diretor do Domingo Legal) e Ratinho", lembra o próprio Raul. Tudo sempre acaba em pizza, até porque os artistas e suas gravadoras não têm interesse em fechar portas na televisão. No final da semana passada, como era previsível, a briga de Zezé Di Camargo e Raul já havia amainado. Num encontro, os empresários de ambos decidiram que ninguém mais comentaria o caso. O pessoal do jabá agradece.

 

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