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Acima
de todas as outras
The
Best of 1990-2000 traz
hits da
época em que o U2 caiu na farra e
virou a maior banda de rock do mundo
Sérgio
Martins

Veja também |
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Vinte
e dois anos é uma idade e tanto para uma banda de rock. A maioria
se desfaz bem antes disso. As que resistem quase sempre mostram as marcas
do tempo. O U2 é um caso raro. Surgido em 1980, na Irlanda, ele
não só continua na ativa como vai driblando o envelhecimento.
Segundo um levantamento da revista Rolling Stone, divulgado há
alguns meses, ninguém lucrou mais que o U2 no ano passado. Foram
62 milhões de dólares, graças, sobretudo, ao sucesso
da turnê Elevation, que teve a maioria de seus shows lotados.
Além disso, em vez de perder fãs, tudo indica que o grupo
está ganhando novos. Se o disco Pop, de 1997, vendeu 3 milhões
de cópias ao redor do mundo, All That You Can't Leave Behind,
lançado em 2000, já superou a barreira dos 10 milhões
de unidades. A música de Bono Vox, The Edge, Adam Clayton e Larry
Mullen Jr. não se fossilizou. A melhor prova disso está
na coletânea The Best of 1990-2000, que chega às lojas
nesta semana e mostra uma banda que, em dez anos, mudou bastante sem perder
a identidade.
No final dos anos 80, o U2 já havia alcançado o status de
uma megabanda. Era célebre pelo engajamento em causas políticas
e trabalhava também com gêneros como o blues e o gospel.
Foi quando Bono e The Edge começaram a flertar com a música
eletrônica. Talvez tenha sido o momento mais tenso na história
do grupo. Enquanto o vocalista e o guitarrista insistiam em dar uma guinada,
o baixista Clayton e o baterista Mullen Jr. preferiam manter tudo como
estava. Finalmente, prevaleceu a opinião dos dois primeiros e,
em 1991, o U2 lançou Achtung Baby um disco dançante,
cheio de computadores e mais próximo do pop do que qualquer outra
coisa que eles já tinham feito. Essa linha foi mantida no correr
da década e só recentemente, com All That You Can't Leave
Behind, o grupo voltou a soar mais "acústico". Todos os principais
hits do período como One, Lemon e Even Better
Than the Real Thing fazem parte de The Best of 1990-2000,
que traz de bônus duas canções inéditas
e um CD extra com músicas menos conhecidas.
Assim como a música, a atitude dos integrantes do U2 mudou nos
anos 90. Eles passaram a fazer clipes provocadores, a dar entrevistas
zombeteiras, a brincar mais com o estrelato às vezes de
maneira perigosa. Quando alguém lhes pergunta sobre o uso de drogas
naquela fase, eles costumam despistar com respostas absurdas. "Sim, é
claro, nós cheirávamos napalm antes de cada show", disse
certa vez The Edge. Mas há bons indícios de que no início
dos anos 90 Bono e companhia acrescentaram alguns estímulos químicos
às suas farras. Nesse embalo, seria de esperar que o engajamento
político da banda tivesse diminuído. Curiosamente, foi o
contrário que ocorreu. Se, nos anos 80, o U2 punha bandeiras brancas
para ondular no palco em favor da paz, com a turnê Zoo TV
(1992) ele encontrou uma maneira muito mais efetiva de causar impacto:
em cada um dos shows, gigantescos painéis transmitiam por satélite
imagens da Bósnia arrasada pela guerra civil. Nos anos seguintes,
Bono foi se tornando um porta-voz cada vez mais ativo de causas nobres
e, embora muita gente torça o nariz, esse é outro motivo
para a popularidade do U2. Sua cruzada atual é pelo perdão
da dívida externa dos países do Terceiro Mundo. Ele já
se encontrou com vários líderes políticos importantes.
Em março, teve uma audiência com o presidente americano George
W. Bush. Saiu dela com a promessa de que os Estados Unidos investirão
5 bilhões de dólares no desenvolvimento de países
africanos, desde que eles sanem seus problemas de corrupção.
Comprova-se que, como político, Bono é um excelente pop
star.
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"BONO
JÁ FOI MAIS CAROLA"
Aos 41 anos, o inglês Dave Evans diz que às vezes se
esquece de seu nome verdadeiro. "Sou The Edge. Até o namorado
da minha filha me chama assim", brinca. O apelido, que poderia ser
traduzido como "o afiado", deve-se ao fato de ele ser considerado
um sujeito que está sempre um passo à frente. Melhor
músico do U2, e porta-voz da banda na ausência de Bono
Vox, The Edge falou a VEJA de Dublin, Irlanda.
Veja O U2 é realmente uma banda de amigos?
The
Edge Sim.
Nós nos vemos sempre. Desde a infância, Bono é
meu melhor amigo e até compôs músicas para me
consolar quando me separei. No dia em que tivermos uma briga feia,
encerraremos o grupo. Nada mais deprimente do que essas bandas cujos
integrantes se xingam pelos jornais, mas se reúnem de tempos
em tempos para lançar um CD medíocre.
Veja Bono Vox quer mesmo salvar o mundo ou é
apenas pose?
The
Edge Ele
já foi mais carola. Bono corria o risco de virar uma caricatura
de santo, mas hoje está mais realista. Agora, se ele quer
usar seu carisma para ajudar as pessoas, por que não fazê-lo?
Ele é bom nisso. São raras as celebridades que conseguem
ser ouvidas por líderes políticos como Bono consegue.
Veja As atividades extrabanda de Bono nunca atrapalharam
a banda?
The
Edge
Eu acho que elas ajudam. A política leva Bono a criar boas
letras. Além disso, ele é uma pessoa extremamente
disciplinada. Sempre reserva um tempo para o U2.
Veja Você é pai de três adolescentes.
Procura controlar o que eles ouvem em casa?
The
Edge Eu
me preocupo. E não acharia ruim se as gravadoras tomassem
mais cuidado com aquilo que lançam. Mas não me peça
para falar mal de letras como a do rapper Eminem. Não creio
que, como artista, deva dizer aos outros o que compor ou não.
Felizmente, minhas meninas são roqueiras de bom gosto. Ultimamente,
estão numa fase punk rock.
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