Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
Economia e Negócios Empresas

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
 

Inflação: Há gente apostando na volta dela
Empresas: A crise da Globopar

Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Imagem da crise global

Pressionada pela desvalorização
do real,
a Globopar, da família
Marinho, tenta
renegociar dívida
de 1,5 bilhão de dólares

 
Marina Malheiros/AE
Roberto Marinho entre Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto: aporte de 170 milhões de dólares foi insuficiente

Na semana passada, a Globopar, holding financeira que administra a maior parte das participações acionárias das Organizações Globo, anunciou o reescalonamento de uma dívida de 1,5 bilhão de dólares. Nos próximos noventa dias, os pagamentos, com vencimento até 2008, serão renegociados junto aos credores, a maioria estrangeiros. Não estão incluídos nesse processo os débitos das empresas mais conhecidas da família do empresário Roberto Marinho, como a TV Globo (que é, no entanto, a garantidora dos créditos concedidos à Globopar), o Sistema Globo de Rádio e os jornais O Globo, Extra e Diário de S. Paulo. A crise da holding deixa em situação delicada a Net, operadora de TV a cabo do grupo em sociedade com BNDESPar, Bradesco, RBS e Microsoft. A companhia está fora da renegociação, mas teve sua avaliação de risco rebaixada pela agência Standard & Poor's, que a colocou no rol das empresas em condições precárias para honrar seus compromissos. A Net, que estava em fase final de negociação de uma dívida de 1,1 bilhão de dólares, acabou suspendendo a assembléia de acionistas que havia sido convocada justamente para acertar os termos finais do acordo com seus credores.

A holding, que faz parte de um dos maiores grupos privados brasileiros, está sendo vítima da mesma conjunção de fatores que aflige todas as companhias que contrataram empréstimos externos. A questão central está na desvalorização do real. A explosiva combinação de aversão mundial ao risco com as incertezas advindas do processo eleitoral no Brasil produziu uma restrição de crédito que não encontra paralelo nem no período imediatamente posterior à moratória decretada no governo Sarney. As empresas não conseguem financiar operações de exportação e importação nem refinanciar suas dívidas em dólares e recorrem ao mercado doméstico para obter recursos para pagá-las. Como há escassez de moeda estrangeira devido à grande procura, a cotação sobe e aumenta o montante das dívidas. É um círculo vicioso e perverso. "A contínua desvalorização do real e a significativa redução do crédito disponível no mercado para as companhias brasileiras vêm onerando de forma significativa a dívida em dólares da Globopar", resume o presidente da holding, Ronnie Vaz Moreira.

 
André Lobo
Panorâmica do Projac, central de estúdios da TV Globo no Rio de Janeiro: dívidas em renegociação

No início do ano, nem as previsões mais pessimistas davam conta de que o novo presidente seria eleito com o dólar beirando os 4 reais. Desde o início de maio, quando começou a escalada cambial, as cotações já subiram 52%. Não há registro de algum setor cuja receita tenha subido nessa proporção em tão curto intervalo de tempo. No caso da Globopar, que tem quase 90% de suas dívidas em dólar e receita em reais, o problema é ainda mais grave. Principalmente num momento de retração do mercado interno, que só tende a se acentuar depois da decisão do Banco Central de aumentar os juros de 18% para 21%. Esse conjunto de dificuldades atropelou os planos da empresa, inclusive a criação da Globo S.A, uma holding que deveria abrigar todos os investimentos do grupo, abrir caminho para a entrada de um sócio estrangeiro e para a colocação de ações nas bolsas de valores. A família Marinho tentou capitalizar a Globopar e evitar o reescalonamento da dívida, uma medida desgastante e negativa num momento em que o país precisa sinalizar tranqüilidade para investidores e credores externos. Só nos últimos seis meses, foram injetados mais de 170 milhões de dólares na holding, mas a situação ficou insustentável.

Uma decisão dessa gravidade tomada por um grupo do porte das Organizações Globo num momento de transição como o atual provoca, inevitavelmente, turbulência no mercado. Os analistas se dividem entre os que atribuem as dificuldades da Globopar exclusivamente à conjuntura econômica adversa e os que apontam como motivo determinante um excessivo endividamento em moeda estrangeira ao longo da década de 90. Os que compartilham esta segunda visão não estão levando na devida conta que o financiamento externo não foi simplesmente uma escolha das empresas. Foi a única saída para conseguir investir num país que não tinha – e ainda não tem – mecanismos de financiamento de longo prazo e cobra juros que estão entre os mais altos do mundo. A poderosa modernização do Brasil nos anos 90, principalmente depois do Plano Real, só ocorreu por causa dos recursos externos, e não teria sido possível de outra forma. O caso da Globopar, portanto, deixa ainda mais evidente a necessidade de dar ao país um horizonte de confiança de longo prazo, que permita linhas de financiamento internas a juros civilizados. E é justamente agora, na transição para o novo governo, o momento de lançar as bases para que isso seja possível no futuro.

 
 

   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS