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Edição 1972 . 6 de setembro de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Artigo: Reinaldo Azevedo
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1 Surge um novo vilão global
Osama bin Laden se junta a Hitler, Stalin e Mao
no panteão dos assassinos em massa

Antes conhecido apenas por especialistas militares, o saudita tornou-se estampa de camiseta, máscara de Carnaval e até substantivo: "bin laden" hoje é sinônimo de radical (e, no inglês, de metralhadora e de um tipo potente de droga). Entre os radicais muçulmanos, o fundador da Al Qaeda tem a imagem oposta: a de herói.

 

Paul Richards/AFP
Tim Sloan/AFP

ANTES
Bush horas antes dos atentados, um presidente sem causa

DEPOIS
O "presidente da guerra" corre com mutilado da campanha

 

2 Bush entrou para a história
De um presidente perdido em pequenas coisas,
ele se tornou polêmico nas grandes

Figura apática até o 11 de Setembro, George W. Bush respondeu de maneira enérgica aos ataques terroristas. Ao comandar os Estados Unidos na invasão unilateral do Iraque, ficará na história como um líder militar.

 

Lee Balterman/Time&Life Pictures/Getty Images
Gali Tibbbon/AFP

ANTES
Hillary Clinton nos tempos de estudante (à esq.), em 1969, quando organizava protestos contra a guerra no Vietnã

DEPOIS
A senadora Clinton no Muro das Lamentações, em Israel, no ano passado. Para viabilizar candidatura à Presidência, ela teve de se especializar em defesa e armas

 

3 Hillary Clinton virou belicista
A senadora democrata, símbolo do pacifismo, tornou-se especialista em defesa para ser candidata viável à Presidência

Hillary protestou contra a Guerra do Vietnã e, como primeira-dama, defendeu a criação do Estado palestino. Provável candidata em 2008, vestiu a personagem da especialista em defesa. Os americanos querem um presidente capaz de protegê-los, e Hillary deve concorrer com Condoleezza Rice, atual secretária de Estado, cujo nome é sinônimo de segurança.

 

4 Os gastos militares voltam aos
tempos da Guerra Fria

O orçamento de defesa americano bateu perto de
440 bilhões de dólares. É mais que nos tempos da URSS

Nem na Guerra Fria os gastos americanos foram tão grandes quanto nesta era de combate ao terror. O orçamento reservado para o Departamento de Defesa em 2007 é de 439 bilhões de dólares, 48% mais do que em 2001. Com outros itens embutidos na legislação, ele pode somar 580 bilhões. Esses gastos se voltam para a tecnologia: o número de soldados americanos é hoje um terço menor do que uma década atrás.

 

5 Religião na trincheira
Matar e morrer em nome de Deus virou lugar-comum

A moda macabra do mártir muçulmano ganhou impulso em 1982, quando um membro da milícia Hezbollah matou 75 pessoas num ataque suicida a um prédio do Exército israelense. Calcula-se que apenas o Hezbollah tenha gerado 1 200 mártires entre 1982 e 1998, e hoje também mulheres e crianças se suicidam – sempre com a idéia de lutar por Alá e chegar ao paraíso.

 

6 Choca-se um novo "ovo da serpente"
A Espanha, a Inglaterra e a França descobrem que em seus bairros muçulmanos se gestam ódio e bombas

Atualmente, 15 milhões de muçulmanos vivem na Europa. O desafio monumental do continente é integrá-los. O perfil dos terroristas do metrô de Londres, que abriga cerca de 1,8 milhão de muçulmanos, é típico: deslocados entre a cultura dos pais e a do país onde vivem, os descendentes de imigrantes são presa fácil dos especialistas em moldar fanáticos. Cerca de 19% dos muçulmanos britânicos dizem "respeitar" Osama bin Laden.

 

7 A banalização da morte violenta
O número de mortos em ataques terroristas aumentou cerca de 1 000% em relação à década passada

Em 2005, o terror fez 8 359 vítimas, dez vezes mais que a média da década de 90. Essa escalada enterra a esperança de um período de relativa paz no mundo, que o fim da Guerra Fria parecia prometer.

 

8 Armados no Parlamento
Uma inovação no Oriente Médio: grupos terroristas elegem bancadas políticas

O Hamas venceu as eleições deste ano na Palestina. Em 2005, o Hezbollah elegeu 23 dos 128 deputados do Líbano. A Irmandade Muçulmana obteve quase 20% das cadeiras do Parlamento egípcio. Com a radicalização na região, os grupos terroristas conquistaram espaço político sem ter de se desfazer de seus braços armados.

 

9 O medo vem pelo correio
Cartas com anthrax fizeram com que o modo de manipular correspondências mudasse no mundo inteiro

No ataque bioterrorista mais conhecido, cartas com o bacilo provocaram cinco mortes nos Estados Unidos, após o 11 de Setembro. Mas bastou para que as empresas se prevenissem contra o contágio. No Brasil, funcionários dos Correios usam luvas para manusear a correspondência.

 

10 Terroristas são eles
Insurgentes históricos como o IRA e o ETA apressaram-se em depor armas para não se igualar aos islamitas

Os irlandeses e os bascos logo concluíram que era mau negócio ser confundido com a Al Qaeda e trocaram oficialmente a violência pela negociação. Os separatistas bascos do ETA não matam ninguém há quase três anos.

 

11 Terrorismo de poltrona
A internet tornou-se uma incubadeira de sites que ensinam a fazer bombas em casa

Em 1997, a Universidade de Haifa, em Israel, fez uma contagem de sites ligados a organizações terroristas. Encontrou doze. Na última pesquisa, foram 4 300: a internet tornou-se o principal meio para compartilhar informações, recrutar e distribuir manuais de terror.

 

 
 
 
 
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