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André
Petry No fazendão Brasil
"A
verdade é que os políticos agem como se fossem os
donos do país. Depois reclamam quando aparece alguém fazendo a defesa
do voto branco ou nulo" A
verdade é que boa parte dos políticos brasileiros é tão
mesquinha que o eleitor precisa fazer um esforço tremendo para não
ceder aos encantos de boicotá-los. Agora mesmo voltou à tona o debate
sobre o direito à reeleição. Deve ser mantido ou deve ser
eliminado? A última novidade é que o presidente Lula estaria conversando
até com os tucanos para acabar com a reeleição. Bastaria
que uma emenda constitucional fosse aprovada pelo Congresso. Seria sensacional
se Lula estivesse discutindo o fim da reeleição por julgar que é
bom para o Brasil. Mas não é nada disso. Lula está de olho
mesmo é no próprio umbigo. Sendo ele mesmo o último beneficiário
da reeleição, Lula calcula que seu sucessor ficaria no Palácio
do Planalto até 2014, quando então ele mesmo poderia voltar a se
candidatar. Se tudo desse certo, retornaria ao poder aos 69 anos e por lá
ficaria até os 73. Bem mais jovem que Fidel Castro, ora.
Os tucanos agem com a mesma pequenez. Quando lhes interessava empurrar Fernando
Henrique para um segundo mandato, a reeleição era um bálsamo
eleitoral, a quintessência da democracia. Em 1997, quando a emenda da reeleição
era negociada (e não apenas no sentido político...), Tasso Jereissati
trabalhou como um gigante por sua aprovação. Era governador do Ceará,
mas vivia em Brasília em defesa da reeleição. Para neutralizar
as resistências de outros partidos, chegou a cogitar a convocação
de um plebiscito! Era um entusiasta convicto da reeleição. Agora,
tudo mudou. Em julho passado, como senador, Jereissati deu um parecer favorável
a uma emenda que acaba com a reeleição, a qual passou a ser considerada
uma praga que corrói a democracia. Diz assim: "A supressão do instituto
da reeleição nos parece medida salutar e oportuna". Oportuna! E
como! Há pouco, o problema
da reeleição também passou pela boca de Geraldo Alckmin.
Com o mesmo oportunismo. Em 12 de junho, Alckmin disse que era contra a reeleição,
época em que precisava atrair o apoio de José Serra e Aécio
Neves para sua candidatura presidencial. Menos de um mês depois, em 3 de
julho, quando sua candidatura já estava consolidada, Alckmin virou. Enxergou
a mosca azul voando em algum lugar, achou que já não precisava plantar
bananeira para agradar a seus colegas de partido, e passou a defender a reeleição.
Serra e Aécio fizeram o mesmo, só que em sentido contrário.
Quando uma vitória de Alckmin nas urnas não parecia algo tão
improvável como é hoje, queriam acabar com a reeleição.
Agora que Alckmin patina até para arrancar um segundo turno, não
querem mais. É a roda-viva da mesquinharia.
A verdade é que os políticos se comportam como se fossem os donos
do Brasil, capatazes do fazendão Brasil. Querem moldar o país a
seus cálculos pessoais, seus interesses de ocasião. Onde está
o tal do espírito público? O desprendimento de, uma vez que seja,
pensar de verdade no país, na sociedade, num futuro coletivo? Pois é.
Depois eles reclamam quando aparece alguém defendendo o voto branco ou
nulo. PS: Na campanha eleitoral,
Lula diz que é preciso governar com cabeça e "coração".
Alckmin diz que vai dirigir o país com a cabeça e o "coração".
Heloísa Helena diz que é preciso conquistar a mente e o "coração".
Não são todos uns amores? |