VEJA Recomenda

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

DVD

Divulgação
Anatomia: emoções no tribunal

Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder, Estados Unidos, 1959. Columbia) – No final dos anos 50, o ator James Stewart era conhecido por interpretar sempre o papel do sujeito honesto, do tipo que toda mãe gostaria de ter como genro. Assim, foi chocante para o público vê-lo na pele de um advogado meio picareta que, a fim de impulsionar sua carreira, agarra a chance de defender um militar acusado de assassinar o homem que estuprou sua mulher. Pior: nem o marido é flor que se cheire, nem a esposa é das mais devotadas. O diretor austríaco Otto Preminger, que já vinha de uma série de filmes polêmicos (como O Homem do Braço de Ouro, em que Frank Sinatra vivia um viciado em heroína), se superou nesse trabalho. Palavras fortes e temas como violência sexual eram tabu no cinema americano da época, mas Preminger os aborda sem subterfúgios. Atenção, por exemplo, à seqüência em que Stewart discute se houve ou não clímax sexual durante o estupro. Embora não causem mais escândalo, cenas como essa não perderam sua força, graças às interpretações de primeira, à direção contundente e ao roteiro imbatível – os diálogos são de deixar envergonhado até o mais habilidoso dos escritores atuais. De bônus, Duke Ellington, que fez a trilha, também aparece em cena.

 

LIVROS

Intimidade, de Hanif Kureishi (tradução de Celso Nogueira; Companhia das Letras; 114 páginas; 19,50 reais) – O tema de Hanif Kureishi sempre foi a Inglaterra "multicultural". Em roteiros como o do filme Minha Adorável Lavanderia, ou em romances como O Álbum Negro, ele aborda os conflitos entre ingleses e imigrantes, e mistura citações dos universos erudito e pop. Intimidade foge à regra. Fala de um homem que resolve abandonar a mulher e dois filhos. Kureishi, recentemente, viveu a mesma situação. Ele não faz de seu protagonista nem um monstro nem um mártir. Confere-lhe anseios legítimos, mas também entrega alguns segredinhos sujos da psiquê masculina. Esta novela pode não causar tanto riso quanto os outros livros do autor, mas tem força e é mais reveladora do que muitos tratados de psicologia.

A Revolução dos Bichos, de George Orwell (tradução de Heitor Aquino Ferreira; Editora Globo; 118 páginas; 14 reais) – O inglês George Orwell escreveu esta pequena fábula política em 1945, para criticar os rumos tomados pelo regime soviético. O livro logo alcançou enorme notoriedade, tornando-se uma das mais eficazes denúncias do "socialismo real". Como toda boa alegoria, no entanto, esta também pode ser lida sem que se tenha em mente eventos de uma época específica. Afinal, os animais domésticos que se libertam de um cruel granjeiro apenas para criar, em seguida, seus próprios métodos de opressão, representam muito bem todos aqueles que já traíram ou ainda vão trair um ideal político. Lançado no Brasil pela primeira vez em 1964, o livro recebe agora uma nova e embelezada edição. A tradução também foi revista, para tornar a leitura mais fluente.

 

DISCO

Fragments of Freedom, Morcheeba (WEA) – Certos grupos nasceram para se dar bem em qualquer estilo musical. É o caso do trio inglês Morcheeba. Ele surgiu em 1995, apostando num estilo chamado trip hop. O gênero misturava as batidas eletrônicas do rap com a eterna melancolia dos ingleses. Com suas músicas lânguidas, o Morcheeba conseguiu notoriedade, principalmente por causa dos belos vocais da americana Skye Edwards – aliás, a crítica foi injustamente maldosa quando a definiu como uma "Sade Adu movida a calmantes". Fragments of Freedom, novo lançamento do trio, é bem mais ensolarado. Eles trocaram o trip hop por ritmos dançantes, como o funk e a disco music. Skye, agora, brilha em canções como Rome Wasn't Built in a Day (a melhor do disco) e a ultradançante Shallow End.

 

CINEMA

Bater ou Correr (Shanghai Noon, Estados Unidos, 2000. Estréia nesta quinta-feira em São Paulo e Rio de Janeiro) – Jackie Chan é o maior astro de Hong Kong. No entanto, sua simpatia genuína e agilidade assombrosa são apenas dois dos pontos fortes da comédia Bater ou Correr – cujo título parodia o de Matar ou Morrer, um clássico do faroeste protagonizado por Gary Cooper. Com diálogos saborosos, muito acima da média das produções do gênero, a fita traz Chan no papel do guarda imperial Chon Wang (que soa, não por acaso, como John Wayne), encarregado de buscar a princesa fujona Pei Pei nos Estados Unidos. Atrapalhado como ele só, Chan se mete em confusões com bandidos, índios e xerifes. Mas prova que quem é bamba nas artes marciais não precisa de revólver. Até sua trança ele usa nas inacreditáveis cenas de luta, filmadas sem truques nem retoques de computador. Como nenhum caubói que se preze cavalga sozinho, Chan aparece aqui muito bem assessorado por Owen Wilson, roteirista de filmes independentes e comediante inspirado. Com sua cara de surfista e seu pendor para a falação, Wilson é o complemento ideal para o astro chinês neste western-chop suey, uma mistura bem dosada de comédia de Charlie Chaplin, faroeste e filme de ação de Hong Kong.

 

OS MAIS VENDIDOS — Crítica

Outdoors enigmáticos antecederam o lançamento de Morcegos Negros (Record, 418 páginas, 28 reais). A julgar pelos cartazes, viriam aí novidades fortes sobre o esquema de corrupção gerenciado por PC Farias no governo de sua cara-metade, Fernando Collor de Mello. Por causa dessa campanha publicitária esperta, e sobretudo pelo fascínio perverso que esse capítulo recente da história brasileira continua a exercer, o livro do jornalista Lucas Figueiredo vendeu como pãozinho quente tão logo chegou às prateleiras. Foi direto ao topo da lista dos mais vendidos de VEJA, na categoria de não-ficção. Repórter do jornal Folha de S. Paulo, Figueiredo fez um trabalho de investigação respeitável. Mas é preciso esclarecer desde logo: sua obra é feita mais de detalhes do que de grandes revelações.


Juca Varella
Figueiredo: detalhes dos bastidores do esquema PC


Morcegos Negros
o título alude ao notório jatinho de PC – contém minúcias que tiveram pouco ou nenhum espaço na cobertura diária da imprensa. Algumas são meramente pitorescas. É o caso da passagem lúgubre em que o velório de Suzana Marcolino é descrito. Ficamos sabendo que o irmão da namorada de PC, num gesto dramático, arrancou o véu da defunta, à procura de hematomas comprometedores. Outras são mais relevantes. Figueiredo, por exemplo, escarafunchou até onde foi possível as operações financeiras de PC. Ele teve acesso a complexos fluxogramas de contas bancárias mantidas pelo empresário em diversos países. No entanto, é bom que se diga, não conseguiu estabelecer ligações críveis entre o tesoureiro de Collor, a máfia italiana e o narcotráfico. Ao fim e ao cabo, o autor acumula detalhes, mas isso talvez não seja suficiente para manter o leitor comum grudado no livro até a última página.

Marcelo Marthe

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco