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Assim não dá

Revelação mistura sustos e espíritos.
Hitchcock odiaria

Isabela Boscov

O diretor americano Robert Zemeckis, de Forrest Gump, resolveu entrar para o clube dos seguidores de Alfred Hitchcock. Revelação (What Lies Beneath, Estados Unidos, 2000), que estréia nesta quinta-feira no país, cita compulsivamente o cineasta inglês e toma emprestados trechos inteiros de alguns de seus suspenses. Por exemplo: a dona-de-casa Claire (Michelle Pfeiffer), que anda à toa na vida desde que sua filha saiu de casa, acha que há algo de estranho acontecendo na sua mansão, especialmente no banheiro – é Psicose na cabeça. Ela também vive espionando o casal de vizinhos, atividade escusa da qual seu marido, o cientista Norman (Harrison Ford, com o mesmo prenome do protagonista de Psicose), tenta dissuadi-la. Invertendo-se os sexos, era essa a trama de Janela Indiscreta. E assim por diante. No começo, a colagem funciona – testemunho da genialidade de Hitchcock e da habilidade de Zemeckis. Mas Revelação desanda no momento em que seu diretor passa a garimpar dois filões mais recentes: o clima sobrenatural (que Hitch rejeitava) de O Sexto Sentido e o terror cheio de sustos de Pânico. Um suspense tem de mostrar a que veio por meio da inteligência e da construção engenhosa dos personagens. É como um jogo de xadrez que o cineasta propõe à platéia. Ao apelar para fantasmas e facadas, Zemeckis banaliza a trama e joga água fria na fervura.

 
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Da internet
  Site do filme Revelação

 

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