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Ídolo de barro

Biografia faz outro estrago na
imagem de Abraham Lincoln


Lincoln: plano de deportar os ex-escravos

Ao assinar o documento que aboliu a escravidão nos Estados Unidos, em meio a uma guerra civil fratricida que já se arrastava por meses, o presidente Abraham Lincoln (1809-1865) conquistou um espaço mítico na história de seu país. Até hoje ele é tratado como "O Grande Emancipador". Mas há quem diga que o ídolo tem pés de barro. Um dos ataques mais duros à sua reputação está na recém-lançada biografia Forced Into Glory (Compelido à Glória). O livro é fruto das pesquisas do historiador Lerone Bennett Jr., que desde 1968 escarafuncha arquivos para "desmascarar" Lincoln como um político racista. Algumas teses de Bennett não são novas – são apenas radicais. Os especialistas reconhecem, por exemplo, que Lincoln cresceu num ambiente preconceituoso, mas dizem que ele soube transcender sua formação. Também é notório o fato de que o presidente, no começo da guerra civil, não queria abolir o cativeiro, e sim impedir que o Sul escravista se separasse da União. Seus defensores afirmam, contudo, que no momento da abolição, em 1863, ele agiu por princípios nobres, e não apenas por pragmatismo. Com base em documentos, Bennett nega tudo isso. E ainda diz que Lincoln acalentou o plano de deportar para a África os ex-escravos. "O expurgo racial tornou-se, 72 anos antes do III Reich, a política oficial dos Estados Unidos", escreve ele numa passagem virulenta. Os primeiros leitores de Forced Into Glory apontaram falhas no livro, mas disseram que ele deve ser levado a sério. A discussão vai longe.

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