Ataque
ao bispo
Jornal de Nova York critica igreja
de Edir
Macedo por vender a salvação
Tania Menai
Juan Gonzalez
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| Pastor
em ritual
de exorcismo
na
igreja do Bronx,
em Nova York:
histeria e
engodo |
José
Oliveira chega perto do protótipo do garotão de Wall
Street. Na faixa dos 30 anos, é aprumado, boa-pinta, bom
de papo e tem faro para finanças. Até a hora em que
começa a bradar em portunhol os ensinamentos do bispo Edir
Macedo. O carioca é o pastor da pequena filial da Igreja
Universal do Reino de Deus em Manhattan. Em uma noite de segunda-feira,
ele assegura aos fiéis que qualquer doença desaparece
se lavarem as mãos em uma certa água do Rio Jordão.
O pastor ainda faz os fiéis, de origem hispânica e
humildes, rasgarem roupas trazidas para o culto. Assim, garante,
eles se livram de dificuldades econômicas. Depois vem a sessão
de exorcismo. Por fim, o pastor passa o chapéu para o dinheiro.
A igreja ocupa uma sala sem janelas no 2º andar de um prédio
no bairro East Village, a poucas quadras da Street Mark's Place,
rua por onde desfilam pessoas de cabelos verdes e piercings na face.
Trata-se de uma das onze igrejas da seita em Nova York. As outras,
espalhadas pelo Bronx, Brooklyn, Queens e Long Island, estão
instaladas em prédios maiores, como antigos teatros, adquiridos
nos últimos dois anos. Todas oferecem cultos três ou
quatro vezes ao dia. Enquanto não muda para uma megacatedral
no Bronx, em fase de construção, a sede americana
da Universal Church of the Kingdom of God está instalada
em um teatro no Brooklyn que dispõe de estúdio onde
são gravados os comerciais para televisão. Os telespectadores
são chamados a receber oferendas como sal, água e
mel milagrosos. De início, não se toca no assunto
"dinheiro". Ao ligar para o escritório da igreja, na Rua
23, em Manhattan, ou para o disque-grátis, o fiel ouve dos
atendentes que para ir a uma igreja basta levar a fé. Já
na única igreja onde se fala o português, em Newark,
no Estado de Nova Jersey, reduto de brasileiros e portugueses, tudo
o que se escuta é a mensagem gravada "se você está
ligando, é porque está passando por dificuldades".
Antonio Milena
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Edir
Macedo, o dono da seita: na
mira da imprensa americana
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Com o slogan "Pare de sofrer", a seita do bispo Edir Macedo se espalha
com a velocidade de um incêndio pelos Estados Unidos. Já
são quarenta as igrejas existentes, 26 delas na Califórnia.
Contando os pequenos núcleos de oração, o número
chega a 125. A rápida difusão da seita no país
virou assunto para as páginas do jornal New York Post.
As reportagens descrevem os cultos como "dramas teatrais durante
os quais os fiéis acreditam estar tomados por demônios
que só pastores da Igreja Universal podem exorcizar". O jornal
conta a história do casal Victoria e Jesus Lorenzo, de Houston,
Texas, que despejou 60.000 dólares em cultos da Igreja Universal.
Sem dinheiro, a pequena empresa de limpeza de escritórios
que o casal tinha foi à falência. Victoria e Jesus
Lorenzo já apresentaram queixa contra a igreja na promotoria
do Texas. O jornal ainda lista as razões que colocam a seita
sob suspeita: seu líder é muito rico, recorre a ameaças
veladas para obter doações e não há
registro de emprego de dinheiro em obras de caridade.
Juan Gonzalez
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Igreja
Universal em Nova York: promessa de
cura e prosperidade
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A Igreja Universal já contabiliza 15.000 seguidores nos EUA.
E segue atraindo gente. Mesmo assim, o bispo Edir Macedo não
constava da lista de dezenove brasileiros convidados a participar
da conferência que reuniu 700 líderes religiosos do
mundo inteiro na sede das Nações Unidas, na semana
passada, em Nova York. A Igreja Universal também não
faz parte da Assembléia Eclesiástica dos Estados Unidos,
nem é afiliada à Associação Nacional
dos Evangélicos (NAE) do país, instituições
que congregam as igrejas reconhecidamente sérias dos EUA.
"Fiquei horrorizada ao ver o anúncio deles na televisão
porque eles oferecem cura em troca de dinheiro", disse uma das representantes
da NAE na Califórnia.
O bispo Edir Macedo trocou o Rio de Janeiro por Nova York em 1987
para fugir das autoridades que o investigaram por causa de suspeita
de falsificação de documentos e sonegação
fiscal. No início, tentou fazer pregações para
os americanos, mas sua conversa não os convenceu. A igreja
só acertou no alvo quando mirou os hispânicos. "O segredo
da seita é vender esperança aos pobres", diz o ex-pastor
carioca Mário Justino, 35 anos. Justino, que vive
em Nova York, foi expulso da igreja do bispo Edir Macedo por ser
portador do HIV. "As quantias que os pastores exigem para assegurar
que Deus atenda aos pedidos dos fiéis chegam a salários
inteiros", acrescenta. Os pastores tanto podem apelar para meros
5 dólares como pedir 2.000. O dinheiro vai para o cofre de
cada igreja e depois é enviado à sede no Brooklyn.
Em seguida, diz, segue para países da África, para
financiar a proliferação da seita pelo continente,
para o Brasil ou para as empresas da Igreja Universal com sede no
paraíso fiscal das Ilhas Cayman.
Quando começou a fincar os pés nos Estados Unidos,
a Igreja Universal trazia pastores alocados em outros países.
Foi assim que Justino chegou a Nova York, vindo de Portugal. Hoje,
a seita só importa os grandes líderes e forma pastores
nas comunidades. São rapazes de poucos recursos, com baixa
escolaridade. Curso de teologia, nem pensar. Após três
meses de treinamento em cultos, ganham o título de pastor.
Os brasileiros que desembarcam nos Estados Unidos para atuar como
pastores chegam apenas com o visto de turista. Meses depois, recebem
o visto de religioso, o mesmo concedido a padres católicos
e rabinos. Eles têm moradia paga, piso salarial de 2.400 dólares,
aulas de espanhol e inglês e comissão de 5% sobre a
quantia arrecadada mensalmente pela igreja sob sua responsabilidade.
Ascensão e prestígio dependem do lucro que conseguem
obter.
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Manchetes
do jornal New
York Post: destaque
para denúncias de
exploração de fiéis e enriquecimento
de pastores com
apelo a curas milagrosas e
rituais de exorcismo
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"Todos
os tipos de igreja devem ser tratados com igualdade pelo Estado",
explica o australiano Peter Danchin, professor de direitos humanos
da Universidade de Colúmbia, em Manhattan, sobre a polêmica
levantada com base nas reportagens do New York Post. Para
o jornal, a Igreja Universal ilude seus freqüentadores, aproveitando
sua boa-fé para arrecadar doações. Nos EUA,
as autoridades só agem contra uma igreja se houver comprovação
de que ela violou as leis do país e aceitar contribuição
financeira dos fiéis não agride lei alguma. Quando
isso acontece, no entanto, a punição é pesada.
Em 1989, Jim Bakker, pastor do canal de TV Praise The Lord, foi
condenado a 45 anos de prisão dos quais cumpriu apenas
cinco por fraudar fiéis em milhões de dólares
e cometer adultério. Teve um caso com a secretária,
a quem pagou 250.000 dólares para ficar calada.
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