Útil,
bonito e muito caro
A
linha Cube, da Apple, transforma os computadores
em ícones do design moderno

Fotos
divulgação
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Se
o computador é um dos objetos do seu desejo, prepare-se para
fortes emoções. A Apple, fabricante dos Macintosh
e famosa pela capacidade de surpreender os consumidores, aprontou
mais uma das suas. Criou o Cube, um computador poderoso cujo corpo
principal daí o seu nome é um cubo transparente
com 20 centímetros de lado. Ele será apresentado oficialmente
aos consumidores brasileiros nesta segunda-feira e deve chegar às
lojas em uma semana, por 5 900 reais, sem contar o monitor. Um equipamento
convencional, colocado ao lado do Cube, provoca no observador uma
pergunta inevitável: por que, afinal, os computadores ficaram
tanto tempo confinados nessas caixas metálicas, cinzentas
e sem graça, que parecem ser descendentes diretos dos arquivos
de aço para escritório? Desde que surgiram, eles carregaram
esse estigma. O que era explicável. A preocupação
maior da indústria e dos consumidores era com a capacidade
das máquinas. A aparência era uma questão secundária.
O Cube radicaliza na forma. "A Apple transformou o computador num
objeto lúdico e sedutor, uma escultura geométrica",
diz o professor de história do design da Fundação
Armando Álvares Penteado (Faap), Carlos Perrone.

A linha de iMacs em novas
cores (índigo, ruby, snow e sage): marco na história
do design dos micros pessoais |
O
cubo, que guarda a unidade de processamento ou CPU ,
é acompanhado por um monitor, teclado, mouse e caixas de
som que formam um conjunto de tirar o fôlego. Além
da transparência, que lhe dá um ar ao mesmo tempo despojado
e arrojado, a nova linha de equipamentos da Apple ousa também
na funcionalidade. Um exemplo é o mouse. Ele não tem
botões como os outros que andam por aí. Qualquer ponto
do mouse funciona como um botão que pode ser clicado. Ele
também usa sensores ópticos no lugar das obsoletas
bolinhas para movimentar o cursor na tela. O ato de ligar o Cube
também é uma surpresa. Não há botões.
Basta passar a mão sobre a máquina para que ela comece
a funcionar graças aos sensores ali instalados.
Outra inovação é que o computador não
precisa de ventoinha para resfriamento do processador, o que o torna
completamente silencioso. Com nome e sobrenome, a máquina
atende por Power Mac G4 Cube. Carrega dois processadores de 450
megahertz, capazes de realizar mais de 7 bilhões de cálculos
por segundo. É um rival dos mais poderosos PCs, mas deve
continuar a tradição dos equipamentos Macintosh, que
são preferidos por profissionais de artes gráficas
ou por aqueles que são fãs de carteirinha da Apple,
os macmaníacos.
São as ousadias da Apple que alimentam a veneração
de alguns pela marca. Em meados dos anos 80, ela lançou um
sistema operacional em que se davam os comandos clicando ícones
na tela. Era o tempo em que se operavam seus rivais os PCs
por meio de comandos escritos numa tela verde em programas
que rodavam em DOS. Os Macs já usavam então a interface
gráfica que depois seria copiada pelo Windows. A revolução
no design, que deu origem agora ao Cube, começou em 1998,
quando a Apple lançou a linha iMac. Foi o primeiro computador
pessoal a ganhar o direito de ocupar a sala de visitas de uma casa
sem causar má impressão. Eles encantaram pelas formas
arredondadas e translúcidas, pelas cores, pela combinação
de monitor e gabinete em uma única peça e pela facilidade
de instalação. "O iMac foi um marco na história
do design dos computadores", diz Luciano Deviá, designer
e professor da Escola Panamericana de Arte. Um dos responsáveis
pela reviravolta estética é o designer-chefe da Apple,
o inglês Jonathan Ive. Na empresa desde o começo dos
anos 90, ele é o criador da linha iMac, um projeto que teve
toques pouco usuais. "Para atingir o nível ideal de transparência
do gabinete do computador, por exemplo, fomos buscar a ajuda de
um profissional do ramo de doces, freqüentemente transparentes",
lembra Ive. Por trás da revolução está
o gênio de Steve Jobs. Um dos fundadores da Apple, Jobs retornou
à empresa em 1997 para tirá-la da crise e colocá-la
de novo na vanguarda ainda que no terreno do design.
A linha iMac, cujos novos modelos serão oferecidos nas cores
índigo, ruby, snow e sage, obrigou os fabricantes
de PCs a mexer no visual de seus computadores também. O toque
colorido e a transparência começaram a ser adotados.
A Compaq foi uma que deu um banho de design em seus produtos. Há
dois meses apresentou a nova linha Presario. As formas das máquinas
tornaram-se mais arredondadas e ganharam adereços coloridos
na CPU, no teclado e nas caixas de som. "O mercado busca novas cores
e formatos. O computador já pode ser um objeto de decoração",
explica Sabrina Lacerda, gerente de produto da Compaq. Os equipamentos
são vendidos a partir de 3.200 reais.
Divulgação

O NetVista, da
IBM: disquete e DVD-ROM escondidos sob o monitor
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Mais
sisuda, a IBM não se rendeu ao colorido. Mas vem dotando
algumas de suas linhas de um visual arrojado. O modelo NetVista
tem cara de século XXI. À primeira vista, ele parece
ser apenas um monitor de cristal líquido acompanhado de mouse
e teclado. Tem-se a impressão de que está faltando
alguma coisa. Essa é a grande novidade. O cérebro
do computador, composto de placas, memórias e processador,
está encaixado na base do monitor. Ou seja, a caixa metálica
do gabinete simplesmente sumiu. Os drivers para DVD e disquete encontram-se
escondidos na parte inferior da tela. O resultado pode ser considerado
um grande salto na linha de evolução dos PCs. "Ao
contrário da Apple, não temos a pretensão de
fazer arte com nossas máquinas", diz Marcelo Maia, gerente
de marketing de desktops da IBM. Além do visual atraente
e agradável, o NetVista é um PC mais fácil
de usar. Seguindo o modelo adotado nos iMacs, ele não tem
um emaranhado de fios e conexões à mostra. Para ligar
o computador, basta tirá-lo da caixa, encontrar a tomada
mais próxima e já começar a usá-lo.
Fácil assim. O único fator que acaba deixando o NetVista
um pouco mais distante do consumidor é seu preço salgado,
de 8.300 reais.
Lançamentos como os do Cube e dos novos PCs mostram que é
possível continuar turbinando o coração das
máquinas(veja
quadro abaixo) sem descuidar da aparência. E isso contribui
para popularizar ainda mais os computadores. Afinal, o que era bom
está ficando cada vez mais bonito. Melhor ainda se um dia
ficar mais barato.
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A
corrida pelo superchip
Nem só de formas arredondadas e transparências
vivem os computadores. A velocidade com que processam informações
é decisiva. E velocidade é assunto para os chips,
ou microprocessadores, que são o cérebro do
computador. Na briga para ter o chip mais veloz, a gigante
Intel, dona de 85% do mercado mundial e de um faturamento
anual de 30 bilhões de dólares, e a AMD, segunda
do ranking com vendas de 3 bilhões, reviveram na semana
passada a história em que Davi passou a perna em Golias.
A AMD lançou um chip de 1,1 gigahertz. Já a
Intel foi obrigada a interromper a produção
de seu microprocessador de 1,13 e a recolher os que já
estavam no mercado havia um mês. O produto apresentou
falhas até para rodar o Windows.
A guerra entre os dois fabricantes esquentou em março,
quando a AMD lançou o primeiro processador de 1 gigahertz,
quebrando a Lei de Moore, cunhada na década de 60 por
Gordon Moore, um dos fundadores da Intel. Por essa lei, a
cada dezoito meses os chips dobrariam sua capacidade de processamento.
Pois bem: o modelo de 1 giga surgiu apenas dez meses após
a chegada do de 500 megahertz. Um PC com chip de 1,1 giga
realiza 1,1 bilhão de operações por segundo.
A AMD promete processadores de 2 giga até o final de
2001. A Intel deve lançar o Pentium IV, de 1,4 giga,
ainda neste ano. Hoje, o núcleo de um chip minúscula
pastilha de silício é menor que uma moeda
de 1 centavo. O máximo da miniaturização?
Nada disso. Para Horst Störmer, Prêmio Nobel de
Física, até o ano 2010 os microprocessadores
terão o tamanho de uma molécula.
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