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Rei x pajé

Pelé culpa FHC pelo fiasco
no campeonato de futebol

Ricardo Correa

O rei: "lei ajuda a bagunçar"


Os pajés são figuras poderosas, porém a vida deles não é tão fácil como parece. Recebem veneração, mas também são responsabilizados quando as coisas vão mal. Na semana passada o rei Pelé fez um pajé do presidente Fernando Henrique Cardoso. Atribuiu-lhe a culpa pela baixa qualidade do futebol brasileiro. Adversários de FHC costumam responsabilizálo pelo aumento do desemprego, pela crise econômica decorrente da mudança na política cambial, por comprometer a estabilidade da Argentina e do Uruguai, por incentivar os sem-terra a fazer saques, por não ter dado apoio suficiente no caso do seqüestro de um ônibus no Rio de Janeiro e por causa das secas no Nordeste e das enchentes no Sudeste. Durante o lançamento de seu site oficial na internet, na última semana, o rei Pelé lançou a pedra que faltava. Culpou o presidente da República pelo fracasso do Campeonato Brasileiro de Futebol.

"Essa lei – assinada por FHC – está dando a oportunidade de bagunçar o futebol brasileiro", afirmou. O rei, que já foi ministro de Esportes de Fernando Henrique, atribuiu o fiasco à mudança na lei que permitia aos clubes de futebol negociarem abertamente a participação de empresas em suas gestões. A medida provisória assinada por FHC limitou a participação a um clube por empresa. Isso teria reduzido os investimentos no futebol e levado à diminuição do público nos estádios. O presidente carrega certa responsabilidade pelo que acontece no Brasil, junto, naturalmente, com outras autoridades federais, estaduais e municipais, empresários e até o cidadão comum, que também tem sua lasquinha de participação. Culpar FHC por falta de público em estádio de futebol é uma idéia que, vai ver, servirá para enriquecer ainda mais o profundo debate político nacional.

 

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