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VEJA Recomenda CINEMA O VERDADEIRO AMOR (SWEET LAND, ESTADOS UNIDOS, 2005. DESDE SEXTA-FEIRA EM CARTAZ) Numa comunidade norueguesa no estado de Minnesota, o fazendeiro Olaf encomenda uma noiva. Recebe Inge, que é mais bonita do que ele esperava e está determinada a fazer o arranjo funcionar. Só que Inge é alemã, o que, logo ao final da I Guerra, causa constrangimentos. E é também uma socialista com idéias avançadas sobre o que é decente ou indecente no relacionamento entre um homem e uma mulher solteiros por causa dos "defeitos" de Inge, o pastor se recusa a celebrar o casamento. Dirigido pelo americano Ali Selim, o filme é uma peça de câmara sobre a experiência da imigração na qual ninguém soa uma nota falsa (com destaque para Elizabeth Reaser, a grávida amnésica da série Greys Anatomy, e para a veterana Lois Smith, que fazem de Inge, em suas diferentes idades, uma personagem viva e inteira). De minúcias como o livro de frases da recém-chegada, no qual ela anota idiomatismos como "eu poderia comer um boi", ao tema maior de dois jovens que aprendem a se apaixonar um pelo outro enquanto se apaixonam também pela terra e pelo trabalho, Selim compõe aqui um trabalho coeso, sem grandiloqüência e repleto de pequenos prazeres.
DVD
Esta série de documentários, produzida em 2004 pela BBC britânica e pela PBS americana, celebra o primeiro centenário do teatro musical americano em seu endereço mais famoso, a Broadway, em Nova York, rua com o maior número de teatros por metro quadrado do planeta. A minuciosa pesquisa de imagens recorreu a cenas de filmes a relação entre a Broadway e o cinema sempre foi forte , programas de televisão e espetáculos registrados nos próprios teatros. A apresentação é da inglesa Julie Andrews, que atuou em My Fair Lady, entre outros sucessos da Broadway. Visão ampla de uma das mais vigorosas expressões artísticas americanas, os documentários apresentam um rico elenco de personagens compositores como Cole Porter e Andrew Lloyd Weber e astros como Fred Astaire.
LIVROS
William Sydney Porter (1862-1910) foi preso em 1898 por um desfalque que cometeu no banco em que trabalhava. Foi na prisão que ele adotou o pseudônimo literário com que ficaria conhecido: O. Henry. Enormemente popular em seu tempo, O. Henry traçou um retrato romântico e aventuresco do americano comum fosse ele o civilizado morador de Nova York ou um bandido do Oeste selvagem. Aliás, Os Caminhos que Tomamos, conto que fecha essa breve coletânea, apresenta uma curiosa síntese dos dois mundos, na figura de um especulador financeiro da costa leste que poderia ter sido um assaltante de trem no Oeste. Estes Três Contos foram traduzidos pelo maior poeta do modernismo português, Fernando Pessoa (1888-1935), para a revista literária Athena, que teve uma breve existência, entre 1924 e 1925. Como seria de esperar de um escritor do porte de Pessoa, as traduções são excelentes ainda que o leitor brasileiro talvez estranhe o fraseado lusitano ("tomara eu que aquela tua montada não tivesse estropiado, Bob") dos bandoleiros de O. Henry. Leia trecho.
O renascentista Leonardo da Vinci (1452-1519) é lembrado sobretudo como o pintor da manjadíssima Mona Lisa. Comparada à sua impressionante obra nas artes visuais, sua literatura é secundária mas nem por isso deixa de ser fascinante. Prolífero, Leonardo enchia cadernos e cadernos de anotações. Esta seleção evita as matérias técnicas, como os estudos sobre perspectiva, para apresentar o lado cortesão e até galhofeiro do artista. Concebidas para ser recitadas em salões nobres, as sátiras representam uma visão irônica da sociedade italiana ao tempo do autor. Nesse repertório, não pode faltar a figura do padre lascivo, presente no quase pornográfico A Lavadeira e o Padre. As fábulas de Leonardo têm muitas vezes uma moral amarga, ao passo que seus aforismos e suas enigmáticas profecias resumem sua ambiciosa visão da arte e do universo. "Felizes são aqueles que ouvirem as palavras dos mortos", diz Leonardo, referindo-se à leitura de bons livros. Ler seus textos, de fato, é uma felicidade.
DISCO LOVERLY CASSANDRA WILSON (EMI) Desta vez, a diva cinqüentona do jazz americano resolveu passar longe das novidades do mundo pop que tanto influenciaram seus últimos trabalhos como os álbuns Glamoured e Thunderbird para apostar nos bons e velhos standards. Por mais que canções como Caravan, de Duke Ellington, e Dust My Broom, de Robert Johnson, já tenham sido exaustivamente revisitadas por inúmeros intérpretes, este novo disco de Cassandra Wilson traz um apanhado de clássicos com arranjos musicais que fogem da obviedade. Um dos maiores destaques de Loverly fica por conta do excelente pianista Jason Moran. A delicadeza de seus acordes de piano somada às inusitadas batidas de percussão africana de Lekan Babalola e aos melódicos acordes da guitarra de Marvin Sewell fornece a base sonora perfeita para a voz aveludada da cantora. E o álbum inclui até a canção Manhã de Carnaval (A Day in the Life of a Fool, em inglês), de Luiz Bonfá e Antonio Maria, composta para a trilha do filme Orfeu Negro. |
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