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Edição 2072

6 de agosto de 2008
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Estilo
Levanta a calça, menino

Polícia, leis, debates, e os Estados Unidos se perguntam:
dá para acabar com a moda da cueca de fora?

CAI-NÃO-CAI
Equilíbrio precário: o rapper The Game mostra a classe (e combina Ralph Lauren com Louis Vuitton)

Seguindo princípios consagrados da moda (tudo o que pode ser inventado será) e do comportamento juvenil (o que era bonito na geração anterior torna-se exatamente o seu contrário), o cuecão de fora espalha-se como vírus de computador nos Estados Unidos. Inventada nos anos 90 pelos jovens do hip hop, popularizada entre negros e brancos americanos e adotada por surfistas, skatistas e roqueiros em geral, a calça ou bermuda largona usada lá embaixo, com a roupa de baixo transformada em estridente atração, ultrapassa todos os limites do razoável, como se esperava, e provoca até intervenções de vigilantes representantes da lei. Em cidades pequenas de norte a sul, discute-se a proibição do sagging (pendente), como a prática é chamada. Em Flint, Michigan, cidade de 125 000 habitantes e hábitos nada inovadores em termos de estilo, o chefe da polícia, David Dicks, resolveu recentemente mandar abordar e eventualmente prender todo e qualquer cidadão com mais da metade da cueca à mostra. E, antecipando-se aos protestos, queimou etapas, além de vários artigos da Constituição americana: "Essa forma imoral de auto-expressão ultrapassa a liberdade de expressão e chega ao patamar de conduta criminosa".

O modismo suscita duas questões imediatas. Primeira: calça baixa com cueca aparecendo é feio? Tirando os usuários, o resto do planeta concorda, é feiíssimo. Segunda: como é que eles conseguem? Responder que, fora andar pelas ruas com um bocado de atrevimento, seus usuários não parecem fazer nenhuma outra atividade seria entrar para a turma do chefe da polícia de Flint. Portanto, continuamos no campo das grandes dúvidas filosóficas da humanidade. A moda do sagging surgiu nas cadeias, em protesto contra a proibição de cintos. Foi adotada pelos rappers e virou atitude, junto com a cara enfezada e o jeito meio curvado de andar (que, não por acaso, ajuda a impedir que a calça escorregue pernas abaixo). Nas escolas americanas, o figurino é quase sempre reprimido, mas na saída as calças voltam a cair. "Não vejo como se possa transformar em lei algo cuja intenção é discriminar e rotular um modo de vestir que se originou na cultura da juventude negra", diz, com toda a seriedade exigida pelo tema, Debbie Seagraves, diretora da União Americana de Liberdades Civis.

No Brasil, cuecão de fora é coisa, principalmente, de skatistas, que alegam que calça e bermuda larguíssimas favorecem o esporte. "Apertadas, incomodam na hora de fazer as manobras", argumenta Douglas da Silva Alves, 17 anos, skatista desde os 13. Acidentes, claro, acontecem. Douglas conta que uma vez entrou num ônibus carregando uma sacola em cada mão e, ao passar pela catraca, lá se foi a calça. Não será nem uma lei nem uma força policial o que acabará com o sagging. Em Flint e outras cidades dispostas a acabar com a calça baixa e a cueca de fora, a luta continua, sem muita chance de vitória. "Afinal, como se aplicaria uma lei dessas?", pergunta, desanimado, José Torres, prefeito de uma delas, Paterson, Nova Jersey. Resta a esperança de que a moda passe. Afinal, gente influente, como aquele conhecido candidato à Presidência, continua usando calça até um pouco mais alta que o recomendável. E com preguinhas.

 



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