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Edição 2072

6 de agosto de 2008
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Olimpíada Tecnologia
O impulso extra das roupas

Trajes que auxiliam o movimento dos músculos e sapatilhas
mais leves podem ajudar os corredores na busca pela vitória
e por novos recordes nos Jogos de Pequim


Kalleo Coura

 

Fotos Divulgação

Força na arrancada
A roupa Techfit, usada nesta foto pelo corredor americano Tyson Gay, tem fitas elásticas que aumentam a eficiência dos músculos no começo das provas

 

Na busca pelo ouro nas pistas de atletismo de Pequim, os melhores corredores do mundo vão contar não apenas com seus talentos e músculos. Eles também terão à disposição um punhado de novidades tecnológicas, desenvolvidas desde a última Olimpíada, que podem ter papel determinante no resultado das disputas. Já está provado que roupas e calçados projetados especialmente para atletas influem em seu desempenho. Um estudo do Laboratório de Performance Humana da Universidade de Calgary, no Canadá, mostrou que o rendimento de um corredor pode melhorar até 1% a cada 100 gramas retirados do peso de um calçado. Amparada em pesquisas como essa, a Nike idealizou a sapatilha Zoom Victory Spike, para ser usada nas provas de 800 a 5 000 metros. Ela tem apenas 93 gramas, contra os 140 gramas, em média, das sapatilhas convencionais. A redução de peso foi obtida com o emprego de menos costuras, de materiais mais leves na palmilha e de uma inovação engenhosa. Para dar sustentação à sua estrutura, a Zoom Victory Spike é envolta em fios sintéticos mais resistentes que os do material utilizado em coletes à prova de bala. Os fios funcionam de maneira análoga aos cabos de aço usados para sustentar pontes como a Golden Gate, de São Francisco. Teoricamente, o atleta que usar a Nike Zoom Victory Spike terá um ganho de até 0,5% em seu desempenho. Parece pouco, mas, para o queniano naturalizado americano Bernard Lagat, que em Pequim calçará as sapatilhas em duas provas, 0,5% de melhora no desempenho pode significar a diferença entre ficar em primeiro ou em terceiro lugar no pódio.

O frio como aliado
O colete refrigerador PreCool Vest é usado para diminuir a temperatura corporal antes da corrida. Assim, economiza-se a energia gasta pelo organismo para manter o corpo a 36 graus

A roupa Techfit, da Adidas, é projetada para ajudar o atleta a tirar o máximo proveito dos movimentos musculares, principalmente durante a arrancada. O traje é dotado de tiras elásticas que acompanham a ação dos músculos, conservando a força produzida por eles e tornando mais eficientes os movimentos seguintes do atleta. "A vantagem dessa roupa é reduzir o desperdício de energia que ocorre quando o corpo do corredor vibra ao pisar no solo", disse a VEJA o suíço Benno Nigg, diretor do Laboratório de Performance Humana do Canadá. Nas provas que requerem maior resistência – como as de tênis e a maratona –, alguns atletas vão usar o Nike PreCool Vest, um colete refrigerador parecido com uma bolsa térmica gigante. Ele se destina a diminuir a temperatura do corpo antes das competições. O PreCool Vest se baseia no seguinte princípio: o organismo humano utiliza 75% de sua energia para manter o corpo na temperatura ideal – em média, 36 graus. Ao iniciarem uma prova com o corpo resfriado, os atletas economizariam parte dessa energia e – garante o fabricante – teriam um ganho de resistência de até 21%. "Enquanto os equipamentos esportivos estiverem evoluindo, os recordes continuarão a cair", diz o fisiologista Turibio Leite de Barros, da Universidade Federal de São Paulo. Na Olimpíada, mais uma vez essa relação entre tecnologia e desempenho atlético será colocada à prova.

 

Mais leve na pista
Com peso reduzido, a sapatilha Zoom Victory Spike promete ao atleta um desempenho 0,5% superior. No Mundial de 2007, o americano Bernard Lagat usou um protótipo do calçado (à esq.) e conquistou o ouro nos 1 500 e nos 5 000 metros

 

A guerra dos maiôs

Concorrência
O novo maiô da Adidas: tentativa de bater
o Speedo LZR Racer

Desde fevereiro passado, quando o maiô LZR Racer, da empresa australiana Speedo, foi lançado, os atletas que o usaram quebraram 44 recordes mundiais. Graças à redução do atrito com a água que o LZR proporciona, por ter a superfície totalmente lisa, os nadadores teriam um ganho no desempenho de até 2%. Diante disso, as empresas concorrentes se lançaram numa corrida para aprimorar seus maiôs até a Olimpíada de Pequim. A italiana Arena recorreu ao tecido mais leve já usado para confeccionar um traje desse tipo. A alemã Adidas e a japonesa Mizuno testaram diversos protótipos até chegar aos modelos que consideram ideais. Já a americana TYR, que desenvolveu o maiô Tracer Rise, levou a disputa das piscinas para os tribunais: processou a Speedo e o técnico da seleção americana por um suposto acordo comercial que obrigaria toda a equipe de natação dos Estados Unidos a usar o maiô. Em meio a essa guerra, a Nike, a maior fabricante de materiais esportivos do mundo, levantou a bandeira branca. Nas provas seletivas americanas, a empresa liberou os nadadores que patrocina para usar o maiô que quisessem – e deve estender a decisão também à Olimpíada. Os integrantes da seleção de natação estão testando maiôs para escolher o que usarão em Pequim. O Comitê Olímpico Brasileiro anunciou que fornecerá o LZR Racer aos interessados. Resta saber se, com ele, nossos nadadores conseguirão bater o homem-recorde Michael Phelps – que, não por acaso, é o garoto-propaganda do supermaiô.

 



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