Trajes que auxiliam
o movimento dos músculos e sapatilhas
mais leves podem ajudar os corredores na busca pela vitória
e por novos recordes nos Jogos de Pequim
Kalleo Coura
Fotos Divulgação
Força
na arrancada A roupa Techfit, usada
nesta foto pelo corredor americano Tyson Gay, tem fitas
elásticas que aumentam a eficiência dos
músculos no começo das provas
Na
busca pelo ouro nas pistas de atletismo de Pequim, os melhores
corredores do mundo vão contar não apenas com
seus talentos e músculos. Eles também terão
à disposição um punhado de novidades
tecnológicas, desenvolvidas desde a última Olimpíada,
que podem ter papel determinante no resultado das disputas.
Já está provado que roupas e calçados
projetados especialmente para atletas influem em seu desempenho.
Um estudo do Laboratório de Performance Humana da Universidade
de Calgary, no Canadá, mostrou que o rendimento de
um corredor pode melhorar até 1% a cada 100 gramas
retirados do peso de um calçado. Amparada em pesquisas
como essa, a Nike idealizou a sapatilha Zoom Victory Spike,
para ser usada nas provas de 800 a 5 000 metros. Ela
tem apenas 93 gramas, contra os 140 gramas, em média,
das sapatilhas convencionais. A redução de peso
foi obtida com o emprego de menos costuras, de materiais mais
leves na palmilha e de uma inovação engenhosa.
Para dar sustentação à sua estrutura,
a Zoom Victory Spike é envolta em fios sintéticos
mais resistentes que os do material utilizado em coletes à
prova de bala. Os fios funcionam de maneira análoga
aos cabos de aço usados para sustentar pontes como
a Golden Gate, de São Francisco. Teoricamente, o atleta
que usar a Nike Zoom Victory Spike terá um ganho de
até 0,5% em seu desempenho. Parece pouco, mas, para
o queniano naturalizado americano Bernard Lagat, que em Pequim
calçará as sapatilhas em duas provas, 0,5% de
melhora no desempenho pode significar a diferença entre
ficar em primeiro ou em terceiro lugar no pódio.
O frio
como aliado O colete refrigerador
PreCool Vest é usado para diminuir a temperatura
corporal antes da corrida. Assim, economiza-se a energia
gasta pelo organismo para manter o corpo a 36 graus
A roupa Techfit,
da Adidas, é projetada para ajudar o atleta a tirar
o máximo proveito dos movimentos musculares, principalmente
durante a arrancada. O traje é dotado de tiras elásticas
que acompanham a ação dos músculos, conservando
a força produzida por eles e tornando mais eficientes
os movimentos seguintes do atleta. "A vantagem dessa
roupa é reduzir o desperdício de energia que
ocorre quando o corpo do corredor vibra ao pisar no solo",
disse a VEJA o suíço Benno Nigg, diretor do
Laboratório de Performance Humana do Canadá.
Nas provas que requerem maior resistência como
as de tênis e a maratona , alguns atletas vão
usar o Nike PreCool Vest, um colete refrigerador parecido
com uma bolsa térmica gigante. Ele se destina a diminuir
a temperatura do corpo antes das competições.
O PreCool Vest se baseia no seguinte princípio: o organismo
humano utiliza 75% de sua energia para manter o corpo na temperatura
ideal em média, 36 graus. Ao iniciarem uma prova
com o corpo resfriado, os atletas economizariam parte dessa
energia e garante o fabricante teriam um ganho
de resistência de até 21%. "Enquanto os
equipamentos esportivos estiverem evoluindo, os recordes continuarão
a cair", diz o fisiologista Turibio Leite de Barros,
da Universidade Federal de São Paulo. Na Olimpíada,
mais uma vez essa relação entre tecnologia e
desempenho atlético será colocada à prova.
Mais
leve na pista Com peso reduzido, a sapatilha
Zoom Victory Spike promete ao atleta um desempenho 0,5%
superior. No Mundial de 2007, o americano Bernard Lagat
usou um protótipo do calçado (à
esq.) e conquistou o ouro nos 1 500 e nos 5 000
metros
A guerra dos
maiôs
Concorrência O novo maiô
da Adidas: tentativa de bater
o Speedo LZR Racer
Desde fevereiro
passado, quando o maiô LZR Racer, da empresa australiana
Speedo, foi lançado, os atletas que o usaram
quebraram 44 recordes mundiais. Graças à
redução do atrito com a água que
o LZR proporciona, por ter a superfície totalmente
lisa, os nadadores teriam um ganho no desempenho de
até 2%. Diante disso, as empresas concorrentes
se lançaram numa corrida para aprimorar seus
maiôs até a Olimpíada de Pequim.
A italiana Arena recorreu ao tecido mais leve já
usado para confeccionar um traje desse tipo. A alemã
Adidas e a japonesa Mizuno testaram diversos protótipos
até chegar aos modelos que consideram ideais.
Já a americana TYR, que desenvolveu o maiô
Tracer Rise, levou a disputa das piscinas para os tribunais:
processou a Speedo e o técnico da seleção
americana por um suposto acordo comercial que obrigaria
toda a equipe de natação dos Estados Unidos
a usar o maiô. Em meio a essa guerra, a Nike,
a maior fabricante de materiais esportivos do mundo,
levantou a bandeira branca. Nas provas seletivas americanas,
a empresa liberou os nadadores que patrocina para usar
o maiô que quisessem e deve estender a
decisão também à Olimpíada.
Os integrantes da seleção de natação
estão testando maiôs para escolher o que
usarão em Pequim. O Comitê Olímpico
Brasileiro anunciou que fornecerá o LZR Racer
aos interessados. Resta saber se, com ele, nossos nadadores
conseguirão bater o homem-recorde Michael Phelps
que, não por acaso, é o garoto-propaganda
do supermaiô.