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Trabalho Depois de conquistarem
a regalia de trabalhar em casa,
O modelo de escritórios compartilhados, nos quais atuam pessoas das mais diversas empresas e áreas, popularizou-se nos Estados Unidos de três anos para cá, quando firmas especializadas no aluguel de salas comerciais perceberam estar diante de um novo fenômeno. Pessoas que haviam conquistado o direito de trabalhar em casa começavam a se queixar do isolamento e de certa falta de infra-estrutura. Em pesquisas, esses profissionais diziam sentir saudade da secretária e da velha sala de reuniões ("tratar de negócios em casa nunca deu certo"). Mas não queriam voltar à vigilância dos chefes. Os novos escritórios suprem tais demandas e têm se revelado ainda ambientes favoráveis à produtividade tão almejada pelas empresas. É por isso que algumas delas, as mesmas que haviam liberado seus funcionários para trabalhar em casa, patrocinam sua estada nas salas compartilhadas. Lincoln Brasil, diretor da Silva Rosa, consultoria na área de tecnologia, diz que, há dois anos, banca o aluguel de empregados nessas salas. "Eles passaram a organizar melhor o tempo e a respeitar mais os prazos." Houve também um ganho financeiro para a empresa. "Enxugamos a estrutura fixa e, com isso, cortamos 85% dos gastos."
Existem quase 1 000 escritórios do gênero nos Estados Unidos. No Brasil, não passam de uma centena mas o modelo tende a se popularizar por duas razões. Primeiro, muitas empresas começam a incentivar a permanência em tais estruturas, a exemplo do que fez o Google, nos Estados Unidos. O segundo motivo é uma particularidade brasileira: o número de pessoas que trabalham por conta própria aumenta. Só nos últimos cinco anos, cresceu 22%. Esses profissionais também já procuram os escritórios compartilhados impulsionados pelo preço (algo como 1 000 reais por mês) e pela chance de ampliar a rede de contatos. Foi um "colega de espaço" que apresentou o publicitário João Paulo Filomeno, 28 anos, a um de seus melhores clientes. "Em casa, teria perdido um ótimo contrato", diz ele. Para os donos dos escritórios, o negócio também se revela lucrativo. A maioria já vivia do aluguel de salas comerciais nos moldes tradicionais: um inquilino só e nenhum serviço adicional. O processo de adaptação ao novo modelo, que inclui tornar o ambiente wi-fi e comprar equipamentos para salas de reuniões, é simples e barato. O investimento tem bom retorno. "Com mais gente pagando pelo mesmo espaço, a margem de lucro do meu negócio subiu 50%", diz Daniel Corrales, sócio da Private Office, maior empresa especializada em salas compartilhadas do país. Ao apostar na nova fórmula, ele e os outros contam com a atração daquelas pessoas para quem a possibilidade de trabalhar de pijama já não tem a mesma graça. Com reportagem de Ingrid Calderoni
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