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Aventura Os impressionantes
feitos de Erik Weihenmayer, o alpinista
Ao alcançar o topo do Monte Kosciusko, na Austrália, em 2002, o americano Erik Weihenmayer completava um esforço de sete anos para alcançar os Sete Cumes as montanhas mais altas de cada continente, incluindo o Everest, na fronteira entre a China e o Nepal, o ponto mais alto do mundo, com 8 850 metros. Não era um feito inédito dezenas de alpinistas já cumpriram o mesmo roteiro. Mesmo assim, Weihenmayer é um pioneiro: foi o primeiro cego a realizar esse feito. Superou barreiras que se julgavam impossíveis para um deficiente visual como a escalada de paredões de gelo. Parte dessa experiência está narrada em um livro recém-lançado no Brasil, As Vantagens da Adversidade (tradução de William Lagos; Martins Fontes; 280 páginas; 29,80 reais). Parceria de Weihenmayer com o guru empresarial Paul Stoltz, a obra utiliza as experiências do alpinista como exemplo de técnica de superação da adversidade no dia-a-dia, especialmente no trabalho. Em entrevista a VEJA, por telefone, de sua casa no estado do Colorado, Weihenmayer mostrou-se fiel ao espírito de auto-ajuda do livro. "Todas as pessoas têm, dentro delas, alguma coisa que as faz responder à adversidade algo que eu, na falta de palavra melhor, chamo de luz. É por isso que a adversidade pode nos tornar melhores e mais fortes", diz. "Luz" é talvez uma palavra inusitada no vocabulário de um cego. Weihenmayer, porém, se vale de outros conceitos surpreendentes ele diz que é, sim, capaz de apreciar o cenário que se descortina na árdua subida de uma montanha, tateando as rochas, palmilhando o terreno e escutando as diferenças no som à medida que o ar fica mais rarefeito com a altura. "É todo um cenário não-visual", diz. E esses cenários sem luz são diferentes de uma montanha para outra. O Aconcágua, nos Andes argentinos, o ponto culminante das Américas, é rochoso, com pouca neve, mas muito vento e pó. Em contraste, o Monte McKinley, no Alasca, é úmido e muito, muito frio. De todos os sete picos, foi o mais difícil para Weihenmayer pela circunstância de ter sido o primeiro. "Eu não sabia que uma escalada podia ser tão sofrida", diz o alpinista. Weihenmayer perdeu mais de 10 quilos e voltou com queimaduras do sol e do vento no rosto. Hoje com 39 anos, Erik Weihenmayer tinha 13 anos quando ficou completamente cego, em decorrência de uma moléstia degenerativa da retina. Alguns anos depois, participou de um fim de semana de escaladas promovido por uma associação de apoio a deficientes visuais e logo se apaixonou pelo esporte. Descobriu que, ao subir um paredão de rocha, poderia usar suas mãos para "ver", apalpando fissuras e saliências. Ao longo dos anos, Weihenmayer e seus colegas de equipe foram aprimorando técnicas especiais para superar os entraves da falta de visão. Um sistema especial de sinais e de comunicação por rádio foi desenvolvido para que o aventureiro cego pudesse descer o Elbro o monte mais alto da Europa, na Rússia de esquis. O mais complicado foi a técnica para subir paredões de gelo, essencial na conquista do Everest e do maciço de Vinson, na Antártica. O alpinista usa uma espécie de picareta de gelo para buscar pontos nos quais se fixar. É uma empreitada delicada: bater com essa ferramenta no ponto errado pode resultar no deslocamento de blocos de gelo capazes de esmagar quem se encontra abaixo. Weihenmayer aprendeu a usar o cabo da picareta como uma bengala de cego, "cutucando" o gelo e avaliando sua segurança pela vibração produzida. Os feitos de Weihenmayer têm
se revelado inspiradores para os que, como ele, sofrem de deficiência visual.
Não por acaso, os cerca de
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