Brasil
Acabou
tudo em
jogo de palavras
Sindicância
conclui que dossiê era
banco de dados, entenderam?

Diego
Escosteguy
Alan
Marques/Folha Imagem
 |
O
VAZADOR José Aparecido, ex-funcionário
da Casa Civil, vai ser advertido |
Há
seis meses, quando se descobriu que ministros do governo Lula estavam financiando
comprinhas em free shops e jantares em churrascarias com os cartões corporativos
do serviço, um grupo de assessores da Casa Civil foi encarregado de escarafunchar
os arquivos do Palácio do Planalto em busca de uma revanche: gastos semelhantes
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os funcionários produziram,
então, um arquivo secreto contendo somente despesas interpretadas como
constrangedoras para o tucano. Quando o PSDB passou a pedir uma CPI para investigar
as despesas do governo Lula, as informações desse arquivo começaram
a vazar ficando evidente o objetivo de emparedar a oposição.
Assim que VEJA revelou a existência do dossiê, a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, determinou a abertura de uma sindicância interna
para investigar o caso. Na quarta-feira passada, depois de quatro meses de trabalho,
os burocratas do Palácio do Planalto entregaram a Dilma o relatório
final das investigações. Ganha uma tapioca paga com cartão
corporativo quem adivinhar o resultado da sindicância.
Sergio
Lima/Folha Imagem
 |
MANDANTE Erenice,
que deu ordem para fazer o dossiê, nem sequer foi citada |
Os
servidores responsáveis pela auditoria chegaram à conclusão
de que não houve crime. Sem se preocuparem em identificar o responsável
pela fabricação do dossiê nem em esclarecer a cadeia de comando
que levou à montagem da papelada, apenas se limitaram a recomendar uma
advertência administrativa a José Aparecido Nunes Pires, o ex-funcionário
do Palácio do Planalto que vazou o documento a um assessor do PSDB. A secretária
executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que repassou aos subordinados a ordem
para compilar as informações, nem é citada. O resultado é
tão grotesco que, mesmo que se obedeça à tortuosa lógica
adotada pelo governo no caso, a advertência ao funcionário nem sequer
faz sentido. Se, como veio a assegurar a Casa Civil, o dossiê se constituía
tão-somente num banco de dados e os documentos nele contidos não
eram sigilosos, infere-se, portanto, que José Aparecido não cometeu
ilícito algum ao repassar o arquivo. A última esperança para
que o caso não seja enterrado na vala comum da impunidade está nas
mãos da Polícia Federal, que ainda investiga o episódio.
Espera-se que as conclusões da PF, no mínimo, não ofendam
a lógica.