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Edição 2072

6 de agosto de 2008
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Brasil
Acabou tudo em
jogo de palavras

Sindicância conclui que dossiê era
banco de dados, entenderam?


Diego Escosteguy

Alan Marques/Folha Imagem
O VAZADOR
José Aparecido, ex-funcionário da Casa Civil, vai ser advertido

Há seis meses, quando se descobriu que ministros do governo Lula estavam financiando comprinhas em free shops e jantares em churrascarias com os cartões corporativos do serviço, um grupo de assessores da Casa Civil foi encarregado de escarafunchar os arquivos do Palácio do Planalto em busca de uma revanche: gastos semelhantes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os funcionários produziram, então, um arquivo secreto contendo somente despesas interpretadas como constrangedoras para o tucano. Quando o PSDB passou a pedir uma CPI para investigar as despesas do governo Lula, as informações desse arquivo começaram a vazar – ficando evidente o objetivo de emparedar a oposição. Assim que VEJA revelou a existência do dossiê, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, determinou a abertura de uma sindicância interna para investigar o caso. Na quarta-feira passada, depois de quatro meses de trabalho, os burocratas do Palácio do Planalto entregaram a Dilma o relatório final das investigações. Ganha uma tapioca paga com cartão corporativo quem adivinhar o resultado da sindicância.

Sergio Lima/Folha Imagem
MANDANTE
Erenice, que deu ordem para fazer o dossiê, nem sequer foi citada


Os servidores responsáveis pela auditoria chegaram à conclusão de que não houve crime. Sem se preocuparem em identificar o responsável pela fabricação do dossiê nem em esclarecer a cadeia de comando que levou à montagem da papelada, apenas se limitaram a recomendar uma advertência administrativa a José Aparecido Nunes Pires, o ex-funcionário do Palácio do Planalto que vazou o documento a um assessor do PSDB. A secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que repassou aos subordinados a ordem para compilar as informações, nem é citada. O resultado é tão grotesco que, mesmo que se obedeça à tortuosa lógica adotada pelo governo no caso, a advertência ao funcionário nem sequer faz sentido. Se, como veio a assegurar a Casa Civil, o dossiê se constituía tão-somente num banco de dados e os documentos nele contidos não eram sigilosos, infere-se, portanto, que José Aparecido não cometeu ilícito algum ao repassar o arquivo. A última esperança para que o caso não seja enterrado na vala comum da impunidade está nas mãos da Polícia Federal, que ainda investiga o episódio. Espera-se que as conclusões da PF, no mínimo, não ofendam a lógica.



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