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Brasil O governo transforma a Secretaria
da Pesca em
A Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca existe há cinco anos e meio, já consumiu 1,3 bilhão de reais em recursos de custeio e investimento, mas não conseguiu aumentar a produção brasileira em uma mísera sardinha. O Brasil, embora tenha os maiores rios do mundo e uma das mais extensas áreas litorâneas do planeta, ocupa a vigésima posição no ranking mundial dos produtores de pescado, atrás de países como Chile e Peru. Na semana passada, o governo encontrou a solução do problema. Em uma solenidade na Bahia, o presidente Lula anunciou a criação do Ministério da Pesca, que passará a contar com um orçamento anual de 520 milhões de reais, apoiado em uma estrutura que pode ultrapassar os 1 000 funcionários e terá representações em todos os estados. Não se sabe se o novo ministério vai aumentar a produção pesqueira, mas os peixes já aprovaram a medida. A nova repartição nasce com 150 novos cargos de confiança, aqueles empregões que não exigem concurso público nem qualificação profissional do candidato. Basta, como se diz, ter uma peixada.
"A secretaria sempre priorizou a política em vez de tomar medidas em benefício do setor produtivo", avalia Eduardo Ono, presidente da Comissão de Piscicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. "O governo deveria promover o acesso ao crédito para melhorar a produção", critica. Para Altemir Gregolin, com uma estrutura maior e um orçamento mais dilatado, a produção pesqueira deve crescer 40% nos próximos três anos. Na solenidade da Bahia, o presidente Lula disse que uma das metas do governo é incentivar a produção do piraju, um peixe de água doce encontrado no Pantanal, para competir no mercado com o salmão chileno. Pescador amador, o presidente entende bem de peixes, mas, neste caso, se confundiu. Na verdade, a aposta do ministério é no beijupirá, um peixe de água salgada abundante no litoral de Pernambuco.
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