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Edição 2072

6 de agosto de 2008
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Panorama: Imagem da Semana
A dança dos sete véus

Na Turquia, o nó eterno entre religião e estado


Vilma Gryzinski

Ibrahim Usta/AP


Imaginem uma decisão do Supremo Tribunal Federal que colocasse na ilegalidade o presidente Lula, os seus ministros e o PT. Foi de um pandemônio similar que a Turquia se livrou na semana passada, quando o Tribunal Constitucional rejeitou a medida que cassava os direitos políticos do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) e, portanto, de seus membros, incluindo o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e o presidente Abdullah Gul. Acusação: tentativa de islamizar o país. O nó remonta à origem da Turquia moderna, no começo do século passado. Seu fundador, Kemal Ataturk, substituiu a lei islâmica pelo código civil suíço, mudou o alfabeto, proibiu os trajes tradicionais dos homens e o uso do véu na cabeça, pelas mulheres, em instituições públicas. O Exército e o Judiciário tornaram-se centuriões dessa doutrina. Mas a religião renasceu politicamente. Como na dança dos sete véus, camadas de mistério se sucedem. Os seculares têm direito de temer a islamização, mas não de conspirar quando os religiosos ganham eleições. O governo atual mostra-se equilibrado, mas força a mão em questões como o uso do véu (Hayrunnisa Gul é a primeira mulher de um presidente turco a cobrir a cabeça e fazer propaganda disso). Para complicar, atentados como o que matou dezessete pessoas em Istambul no domingo passado. E quem achou que a comparação inicial não era má idéia precisa ser relembrado das regras do jogo democrático.



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