Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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O Sétimo Selo: uma das obras-primas do diretor sueco Ingmar Bergman


O Sétimo Selo
(Det Sjunde Inseglet, Suécia, 1957. Versátil) – Um cavaleiro (Max von Sydow) volta das Cruzadas e, no caminho, encontra a devastação da Peste Negra e também a Morte, com a qual inicia um jogo de xadrez – para ganhar tempo e para questioná-la sobre a existência de Deus. Feito em espetacular preto-e-branco, O Sétimo Selo foi rodado pelo sueco Ingmar Bergman no mesmo ano que Morangos Silvestres. Além de serem daquelas poucas obras-primas indiscutíveis, ambos os filmes pertencem à fase em que o diretor fez interessantes aproximações com o cinema mudo. Muito mais do que o enredo ou os diálogos, o que narra a história aqui é a força das imagens – não por acaso, parodiadas ao infinito desde então, inclusive em filmes de Arnold Schwarzenegger e Keanu Reeves.

A Cor do Dinheiro (The Color of Money, Estados Unidos, 1986. Buena Vista) – Martin Scorsese não é só cineasta. É também um cinéfilo contumaz – razão pela qual ele fez esse filme como uma espécie de continuação para um dos grandes trabalhos de Paul Newman, Desafio à Corrupção, de 1961. Passados 25 anos, Eddie, o personagem de Newman, abandonou sua vida perigosa como desafiante em mesas de bilhar. Mas, ao descobrir o talento do novato Vincent (Tom Cruise) para o jogo, ele se vê sugado de volta a esse mundo. Logo, eles passarão de mentor e discípulo a rivais empenhados na destruição mútua. Além daquela nota de desespero que Scorsese sabe localizar tão bem em seus personagens, o grande atrativo aqui é Newman, em excelente forma dramática.

 

LIVRO

Freud Básico – Pensamentos Psicanalíticos para o Século XXI, de Michael Kahn (tradução de Luiz Paulo Guanabara; Civilização Brasileira; 287 páginas; 30 reais) – A morte da psicanálise já foi decretada várias vezes nos últimos vinte anos, mas a verdade é que as estruturas do pensamento de Sigmund Freud continuam robustas. Nesse livro, o psicoterapeuta e professor americano Michael Kahn expõe brevemente os conceitos fundamentais das teorias freudianas, como inconsciente, complexo de Édipo e processo de transferência, ilustrando-os com sua própria prática clínica e, por vezes, revisando-os a partir da visão de autores contemporâneos. Embora pretenda atingir um público mais amplo, o livro é indicado sobretudo para quem já tem alguma familiaridade com a obra de Freud. Leia trecho.

 

CDs

 
Divulgação
Dandy Warhols: delícias pop

Welcome to the Monkey House, The Dandy Warhols (EMI) – Surgido nos Estados Unidos em meados da década passada, esse quinteto emula dois estilos musicais distintos. Copia o ar sorumbático de bandas como Velvet Underground – da qual saiu o cantor Lou Reed – ou cria delícias pop à maneira dos "new romantics" dos anos 80. Welcome to the Monkey House, cujo título foi tirado de uma coletânea de contos do escritor americano Kurt Vonnegut, está mais para o segundo estilo. O disco foi produzido por Nick Rhodes, tecladista do grupo Duran Duran, que tratou de entupir as canções com teclados e baterias eletrônicas. A experiência resulta num álbum saboroso. Simon Le Bon, outro egresso do Duran Duran, participa de Plan A.

 

Reuters
Abbado: Mahler gravado na alma

Mahler: the Symphonies, Claudio Abbado e Filarmônica de Berlim (Universal) – Reger as obras do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911) é uma experiência intensa para qualquer maestro. O americano Leonard Bernstein (1918-1990) costumava afirmar que era possuído pelo espírito de Mahler ao regê-las. O italiano Claudio Abbado, por seu turno, diz que carrega a obra do compositor austríaco gravada na alma. Esse registro da Terceira, Sétima e Nona Sinfonias de Mahler marcou a despedida de Abbado da Filarmônica de Berlim, orquestra da qual foi diretor artístico por doze anos. Ele as comanda em andamentos lentos, para que cada trecho da obra possa ser saboreado nota a nota.

 

Beyoncé: linda, e ainda canta

Dangerously in Love, Beyoncé (Sony Music) – Líder do trio Destiny's Child, a cantora americana Beyoncé Knowles é a mais forte candidata ao posto de diva da música negra, que já foi de Diana Ross. Ela é linda de morrer, tem carisma – roubou várias cenas da comédia Austin Powers: o Homem do Membro de Ouro – e uma voz deliciosa. Seu pai encasquetou que ela seria uma estrela da soul music quando ainda era pequena. Ele foi o criador do Destiny's Child e cuida para que nenhuma cantora faça sombra à sua filha. Dangerously in Love passeia por diversas vertentes da música negra. Os destaques são a sacolejante Signs, que tem participação da rapper Missy Elliott, e o dueto com Luther Vandross em The Closer I Get to You, sucesso de Roberta Flack dos anos 70.

 

TELEVISÃO

Stuart Little – A Série (segunda a sexta, às 9h, e sábado e domingo, às 7h30, na Nickelodeon) – Uma das criações mais felizes da era da animação digital, o ratinho Stuart Little deu origem a dois longas-metragens de sucesso nos cinemas. A partir desta semana, o personagem chega à TV paga numa versão em desenho animado que faz jus a seu charme. Ela pode não ter o visual deslumbrante dos filmes, mas conserva intactas as boas sacadas de enredo das suas aventuras. O primeiro episódio, por exemplo, chega até a parecer uma seqüência da mais recente fita do ratinho. Numa temporada na fazenda com sua família humana, Stuart enfrenta um bando de corvos liderados pelo mesmo falcão criminoso que quase deu cabo de sua vida naquele último filme.

 



 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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